Huffpost Brazil

Feminismo, atitude e autoestima: 10 provas de que Gilmore Girls foi uma série à frente de seu tempo

Publicado: Atualizado:
GILMORE GIRLS
Reprodução
Imprimir

Dezesseis anos depois da estreia, Gilmore Girls voltou a ser mania. Bastou a Netflix disponibilizar todos os episódios da série, que fãs da família Gilmore passaram a fazer intensas maratonas, para matar a saudade. Enquanto os episódios inéditos não vêm, assistir aos antigos tem sido mesmo o melhor programa.

E é assistindo à série novamente que percebemos: como elas eram modernas e ousadas! Já em 2000 o roteiro abordava temas que são superatuais hoje em dia. Feminismo, independência, diversidade da beleza, empoderamento feminino… estava tudo lá desde o primeiro episódio. Duvida? Olha só:

(Ah: se você está assistindo pela primeira vez, pode haver spoilers. Leia por sua conta e risco)

1. Feminismo assumido

Feminismo não é coisa feia, não, e as meninas Gilmore deixam isso claro já no episódio piloto do seriado. Apesar de seu apelido ser mais usado ao longo da série, o nome real de Rory é o mesmo da mãe: Lorelai. “Minha mãe estava no hospital, pensando em como homens sempre dão seus próprios nomes a seus filhos”, ela explica, no primeiro episódio. “Por que mulheres não poderim fazer o mesmo? Ela conta que seu feminismo falou mais alto”.

Ao longo das temporadas, referências e comentários não só das duas, como também dos demais personagens deixam claro a preocupação dos roteiristas com a igualdade entre os gêneros – e também com a demonstração de que não: ser feminista não é empecilho na vida de ninguém.

2. A independência (e autoestima!) de Lorelai

Na primeira temporada, que foi ao ar em 2000, Lorelai Gilmore tem 32 anos e sua filha, 16. Ao fazer a conta, você entende o drama: Lorelai engravidou aos 16. “Eu deixei de ser criança no minuto em que o risquinho ficou rosa, ok?”, ela diz em um episódio, se referindo ao teste de gravidez. “Eu tive que descobrir como sobreviver”. Vinda de uma família tradicional, à época ela recebeu como “sugestão” dos pais o casamento com o pai de Rory, Christopher – para manter o “bom nome” da família –, mas se negou e saiu de casa.

A força com que fez isso é impressionante – assim como o fato de, ao longo da vida, ela não ter deixado de lado nem o bom humor, nem a ambição profissional. Entre tantas piadas e xícaras de café, ela se realiza profissionalmente e consegue abrir uma pousada junto de sua melhora amiga, Sookie.

3. Sou nerd, sim, e estou vivendo

Nem o carisma inigualável de Lorelai nem o fato de mãe e filha terem o mesmo nome impedem que Rory desenvolva uma personalidade própria também muito forte. O fato de ser uma aficionada dos livros e dos estudos chama atenção do espectador ao fato de serem poucas, as protagonistas nerds no mundo audiovisual. Na série, o fato de a jovem se preocupar mais com suas notas do que com festas nunca foi um problema, e muito menos um empecilho para que ela conhecesse todos os mocinhos com quem se relacionou. A identificação com a personagem é o que levou (e ainda leva!) muitas jovens a se tornarem “fiéis” ao seriado. A dinâmica é importante por nos fazer perceber que não ser uma garota “popular” ou “festeira” está beeeeeem longe de ser o fim do mundo😉

4. O peso de Sookie

A melhor amiga de Lorelai, Sookie St. James, é gorda. No começo da série, ela tem uma personalidade exageradamente atrapalhada – mas, com o tempo, essa característica vai sendo abandonada pelos roteiristas. É sua brilhante vida profissional (e pessoal, aliás) que se torna o destaque da personagem.

Cozinheira do Independence e do Dragonfly Inn, ela ama e se dedica de corpo e alma a seu trabalho – mas também encontra tempo para se apaixonar, casar e ter filhos. Assim como a nerdice de Rory, é interessante observar o fato de seu sobrepeso nunca se apresentar na série como problema, em nenhuma das (muitas) conversas entre ela e sua melhor amiga. É, sim, possível ser ao mesmo tempo gorda e feliz, além de extremamente talentosa.

5. Relações familiares são complicadas – e tudo bem

Se tem um traço principal no seriado como um todo, são as relações familiares. Os dramas vividos na tela se aproximam da vida de todos nós, e nos fazem ver que, sim, a vida em família é complicada – mas tudo bem. Lorelai não se dá incrivelmente bem com os pais. Eles têm estilos de vida quase diametralmente opostos, e não concordam com quase nada. Na medida do possível, no entanto, conseguem conviver com respeito. Fora eles, também Rory e Lorelai têm eventuais conflitos, além das dificuldades que pintam entre Lane e sua mãe, Sookie e a família do marido, Paris e seus pais negligentes… O drama faz, no fim das contas, parte da vida – e é inspirador ver o que cada uma dessas mulheres incríveis faz para lidar com isso.

5. Lane arriscou tudo para seguir seu sonho

A relação de Lane com a família merece um item próprio: descendente de coreanos, a jovem tem uma mãe extremamente conservadora e religiosa, a Sra. Kim. Como revelar à família que o maior sonho de sua vida é ter uma banda de rock? Entre as pilhas e pilhas de CDs escondidos no piso do seu quarto até os ensaios secretos com sua banda na garagem de Lorelai, dia após dia Lane vai ganhando a força necessária para assumir seu sonho e estilo de vida para a mãe – apesar das possíveis consequências.

6. Amores, amores, negócios (e vida pessoal) à parte

Com personagens femininas, costuma ser regra em filmes e séries que os assuntos predominantes sejam os homens, os relacionamentos e o amor. Não é à toa, afinal, que foi criado o teste de Bechdel. Apesar de acontecerem (e de também envolverem uma boa dose de drama) relacionamentos amorosos nas vidas das personagens principais e coadjuvantes, todas elas falam, se preocupam e se dedicam também a um bilhão de outras coisas.

São poucas as séries “aprovadas” no teste de Bechdel, que analisa como a maior parte das conversas entre mulheres no audiovisual é sobre homens. Gilmore Girls é com certeza uma delas!

7. Paris e sua atitude

Excêntrica ao extremo, Paris foi criada por sua babá portuguesa e tem pouquíssimo contato com os próprios pais. Estudiosa como Rory, é desde o começo da série focadíssima em sua carreira e faz tudo que lhe for possível para ter um futuro brilhante. “Quero viver minha vida de um jeito que me leve a ler uma minha biografia, quanto estiver velha, sem vomitar”, revela em um dos episódios. Paris não tem medo de liderança, muito menos de dizer o que pensa – características raras tanto em personagens femininas quanto em mulheres de carne e osso.

Ela também é assumidamente feminista, e desenvolveu, ao longo da vida, uma independência de respeito. Para Rory, que no início da série se estabelece exageradamente como “a menina certinha”, conhecer Paris no ensino médio é uma ótima influência. Pra você, posso afirmar com certeza, também vai ser.

8. Referências culturais incríveis

Entre os filmes, livros e séries mencionados no programa, há muita coisa maravilhosa, esperando para ser transportada diretamente até sua prateleira. Um site compilou, inclusive, todos os 339 livros que Rory lê ou sobre os quais fala durante as sete temporadas da série.

Além deles, também são ótimas as indicações cinematográficas que surgem nos diálogos de Lorelai – que, depois de terminada a série, podem render ótimas maratonas –, os documentários adorados por Paris e as bandas de rock idolatradas por Lane. Dá pra descobrir um zilhão de coisas legais, a serem lidas, curtidas e estudadas – muitas delas feministas❤

9. A atitude de Emily

Quando os pais de Lorelai, Richard e Emily, passam um tempo separados na quinta temporada, a matriarca da família Gilmore deixa claro que idade não é empecilho pra ser feliz. Em meio a dúvidas e solidão, ela resolve agir, e sai em um encontro com outro homem. Tudo bem que, no fim das contas, o casal não vai pra frente, e o primeiro é também o único encontro que têm juntos.

A questão é que Emily soube reagir às dificuldades e se dispôs, apesar da idade, a tentar. Além disso, mesmo sendo financeiramente sustentada pelo marido, ela se mantém ativa em todas as temporadas do programa, participando da organização de eventos, por exemplo.

10. Amizades femininas

Muitos sites de cultura classificam Rory e Paris como “frenemies”, um termo em inglês que mistura a palavra friends (amigas) com enemies (inimigas). Isso se dá provavelmente porque, nas primeiras temporadas, elas “competem” para ver quem é a melhor aluna de Chilton, a escola onde estudavam.

Quando a série vai avançando, no entanto, é possível perceber que a amizade das duas se desenvolve e se torna um porto seguro. As duas vão, afinal de contas, morar no campus da mesma faculdade, e ajudam uma a outra a crescer e a superar as dificuldades.

Além dessa, também a amizade entre Rory e Lane e entre Lorelai e Sookie são fortes o suficiente para mandar uma mensagem bem clara: contrariamente ao que muitos ainda insistem em afirmar, em uma amizade entre mulheres não é fator essencial, a competição.

LEIA MAIS:

- Por que as quatro palavras finais de ‘Gilmore Girls' fazem todo o sentido

- 'Gilmore Girls': Cheryl Strayed se emociona e agradece por referência de livro na série

Também no HuffPost Brasil

Close
'Gilmore Girls': Pôsteres do revival na Netflix
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção