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Manifestantes contra teto de gastos pedem 'Fora, Temer' em frente ao Congresso

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PROTESTO TEMER
Marcella Fernandes / HuffPost Brasil
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Manifestantes contra a PEC 51/16, que estabelece um teto de gastos públicos e contra o presidente Michel Temer, se reuniram em frente ao Congresso Nacional na tarde desta terça-feira (29), dia marcado para a votação da proposta em primeiro turno no Senado.

Segundo a Secretaria de Seguranca do Distrito Federal, o protesto contou com cerca de 12 mil pessoas, incluindo a participação da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A UNE estima que 50 mil participaram do ato.

A polícia legislativa isolou a área entre o gramado e o espelho d'água do Congresso. Minutos após os manifestantes chegarem ao local, um carro foi derrubado e a polícia jogou diversas bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

protesto

Os policiais chegaram a agredir um manifestante que ultrapassou a barreira e estava correndo pelo gramado.

O novo regime fiscal congela os gastos públicos pelos próximos 20 anos. A medida provocou protestos em diversas cidades, incluindo ocupações em escolas públicas.

Além do teto de gastos no Senado, a Câmara deve votar ainda hoje o pacote de dez medidas contra a corrupção. Deputados articulam aprovar uma emenda que prevê crime de responsabilidade para juízes.

Somado às medidas impopulares, os manifestantes gritaram "Fora, Temer". O presidente é alvo de um pedido de impeachment após o ex-ministros da Cultura, Marcelo Calero, revelar pressão para beneficiar o então titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieria Lima.

Danos

Os manifestantes também picharam o Museu da República com frases como "Fora, Temer" e contra o teto de gastos e queimaram caixas de lixo na Esplanada dos Ministérios. Eles quebraram vidraças tanto no Ministério da Educação (MEC) quanto no prédio do Ministério do Esporte e do Desenvolvimento Agrário.

De acordo com a assessoria de imprensa do MEC, o prédio foi invadido e depredado por um grupo entre 50 a 100 pessoas, algumas encapuzadas. As pessoas subiram até o segundo andar.

Os manifestantes atearam fogo em pneus, em lixo tóxico, quebraram as entradas do edifício e caixas eletrônicos usando barra de ferro. Também jogaram pedras nas câmeras de segurança. Segundo a polícia, alguns manifestantes usaram coquetel molotov. Em seguida, eles foram detidos.

Em nota, o ministro da Educação, Mendonça Filho, condenou os protestos:

"Os servidores do MEC viveram clima de terror. Isso é inaceitável. Como democrata que sou, entendo o direito de protesto, mas de forma civilizada, respeitando o direito de ir e ir. O que vimos hoje foram atos de violência e vandalismo contra os servidores públicos e contra o patrimônio."

Segundo o governo do Distrito Federal (GDF), quatro pessoas foram conduzidas à delegacia e cinco ocorrências de dano foram registradas na Polícia Federal. O Corpo de Bombeiros registrou 40 atendimentos, todos casos sem gravidade.

Um policial do setor de inteligência chegou a ser esfaqueado, mas recebeu atendimento médio e passa bem.

"A Polícia Militar agiu dentro dos padrões técnicos para o enfrentamento desse tipo de situação e procurou preservar o patrimônio e a segurança das pessoas", afirmou o governo do Distrito Federal em nota.

'Repúdio ao vandalismo'

O porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, afirmou que "o presidente Michel Temer repudia o vandalismo, a destruição e a violência de um grupo de manifestantes hoje em Brasília". "A intolerância não é forma de expressão democrática e não pode ser instrumento para pressionar o Congresso", completou.

De acordo com Parola, "o governo sempre esteve aberto ao diálogo e defende o direito às reivindicações. Mas jamais transigirá com atos de destruição do patrimônio público e privado".

"O País não pode ser palco de atos que só disseminam o medo e a intimidação para as famílias e os cidadãos brasileiros", afirmou o presidente, por meio do porta-voz.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) negou incentivos a depredações do patrimônio público ou a atos violentos e condenou a ação da PM:

"Em meio aos mais de 50 mil manifestantes, o que nos assusta e nos deixa perplexos é a Polícia Militar do governador Rolemberg (DF) jogar bombas de efeito moral, gás de pimenta, cavalaria e balas de borracha contra estudantes, alguns menores de idade, que protestavam pacificamente. Isso nada mais é do que o reflexo de um governo autoritário, ilegítimo e que não tem um mínimo de senso de diálogo", disse a entidade, em nota.

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