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'Eles estavam unindo a cidade de um jeito especial'. O que os torcedores falam da sua Chapecoense

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CHAPECOENSE
Fans of Chapecoense soccer team are pictured in front of the Arena Conda stadium in Chapeco, Brazil, November 29, 2016. REUTERS/Paulo Whitaker | Paulo Whitaker / Reuters
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Os torcedores da Chapecoense acordaram com um misto de emoções nesta terça-feira (29). O que era para ser uma manhã de expectativa e oscilação emocional com a ansiedade pela grande final da Copa Sul-Americana, tomou contornos de tragédia.

A arrancada do time do interior catarinense é histórica: A Chape saiu da Série D do Campeonato Brasileiro anos atrás para uma estável colocação na tabela do Brasileirão da Série A deste ano.

Sem sustos, sem sobressaltos. Uma campanha no Campeonato Brasileiro consistente mesmo na concorrida primeira divisão que acaba ceifando equipes com mais recursos ano após ano.

Para coroar a trajetória na competição sul-americana, a segunda mais importante do continente, uma classificação com suor demais e drama de sobra:

O HuffPost ouviu dos torcedores da Chape o que fazia de um time que até ontem tinha tão pouca expressão, chegar e sentar-se à janela do futebol sul-americano.

Unanimidade: união, espírito de família e paixão pelo futebol, mas também pela região que representavam.

Acompanhe os depoimentos dos torcedores.

Juliana Dal Piva, 30, jornalista

O fato de o meu pai ser da diretoria fez com que eu sentisse como se fosse uma família. Eles frequentavam a minha casa. O Sandro [Pallaoro] ficou na minha casa aqui no Rio de Janeiro durante a final da Copa do Mundo. Eles são pessoas muito próximas. O grupo era muito família.

Meu irmão está há alguns anos jogando na Chapecoense como goleiro e meu pai é diretor da categoria de base [Cézar Dal Piva]. A Chape não tinha uma estrutura física e meu pai foi fazendo coisas voluntariamente para trazer o time para onde está. Da Série C para B, da B para A. Meu pai é um apaixonado pelo futebol desde criança. Todos eles eram muito assim. Isso fazia muita diferença. A diretoria queria trabalhar pelo clube, não queria ganhar dinheiro.

Há poucos dias, o Caio Junior foi à minha casa. Era uma coisa muito próxima. Meu pai gosta de pescar e fez um Dourado para ele.

Perdi pessoas que eram muito próximas à minha família. A própria relação com os jogadores. Não tinha muito essa de farra.

Eu ligo para minha família e a gente começa a chorar. É uma cidade muito pequena, são 200 mil habitantes. Todo mundo meio que se conhece. O que a Chapecoense estava fazendo, a ascensão, o jogo com o River, eles estavam unindo a cidade de um jeito especial. Hoje é tragédia. Não tem outra palavra.


chapecoense

Angelita de Toledo, 39, assistente-social

É um time que vai ficar para a história da nossa cidade. Eles representaram muito para a nossa cidade, resgaram a auto-estima de toda uma região. É um momento de muita de dor e ninguém sabe como as coisas vão ficar. Só precisamos agradecer ao time por ultrapassar todos os limites de um time de futebol.

Estávamos todos na expectativa, por ser o primeiro time de Santa Catarina a disputar uma final de tanta importância.

Era grupo muito unido. A gente percebia que era como se fosse uma grande família. Moro fora hoje [em Florianópolis], mas sempre brinco que quem sai de lá acaba morando em Chapecó mesmo assim. A população comprou a ideia de fazer parte a elite do futebol. E o sucesso em campo trouxe uma auto-estima muito grande. Foi uma simbiose entre o esporte e os moradores, uma coisa muito bonita.

Tragédia interrompe sonho da Chape

chapeco

A cidade de Chapecó, em Santa Catarina, e o futebol acordaram de luto nesta terça-feira (29). O acidente com o avião que levava a Chapecoense para a Medellín, na Colômbia, deixou ao menos 71 mortos entre as 77 pessoas que estavam a bordo. As informações oficiais anteriores falavam em 76 e, depois, em 75 mortos.


Além dos jogadores, o avião levava a comissão técnica e funcionários da equipe da Chapecoense, além de jornalistas que iriam cobrir o jogo a Copa Sul-Americana na quarta-feira, em Medellín, a primeira internacional da equipe do interior catarinense.

Segundo informações iniciais, o avião teria desaparecido do radar e feito um pouso forçado, devido a uma falha elétrica, em Cerro Gordo, Colômbia. A aeronave estava a apenas cinco minutos de voo do aeroporto mais próximo, mas o piloto teria tentado um pouso antes da chegada, esvaziado os tanques de combustível para evitar uma explosão.

O avião, que havia decolado de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, tinha como destino final o município colombiano de Medellín, onde a Chapecoense disputaria as finais da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, amanhã à noite.

As informações iniciais das autoridades colombiana falavam 76 mortos.

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