Huffpost Brazil

Queda de avião da Chapecoense: Para especialista, 'maior hipótese' é falta de combustível

Publicado: Atualizado:
AVIO
Courtesy of El Deber newspaper via REUTERS
Imprimir

Uma gravação conseguida pela Blu Radio, da Colômbia revela o que seriam os pedidos do piloto Miguel Quiroga, que pilotava o Avro RJ85 que transportava os atletas da Chapecoense, para pousar em Medellín.

O avião levava 77 pessoas e enviou um aviso de emergência na noite da segunda-feira(28) por pane elétrica quando se aproximava do aeroporto de Medellín. Foram 71 vítimas, entre atletas, comissão técnica, jornalistas e tripulação.

Na conversa de 11 minutos divulgada nesta quarta, Quiroga informa ao controle do aeroporto José Maria Córdova, em Medellín, problemas no avião e pede, por diversas vezes, para pousar. O diálogo teria acontecido minutos antes da queda da aeronave.

No diálogo com o piloto, uma controladora repete várias vezes que o pouso precisaria ser adiado porque uma emergência com outra aeronave – um Airbus da Viva Colombia – estava sendo atendida no aeroporto. Por isso, ela deu ordens para que o avião que transportava o time catarinense desse algumas voltas pela região antes de pousar.

Na comunicação com o piloto da aeronave da Chape, a torre avisa que o avião está a 8,2 milhas do aeroporto.

Professor crê em falta de combustível

Com as novas informações, o HuffPost ouviu um especialista em aviação. Para o professor de Ciências Aeronáuticas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e comandante de aviação comercial aposentado, Cláudio Scherer, as evidências, até o momento, apontam para falta de combustível.

"A primeira hipótese, que está muito forte já, é a falta de combustível. Este avião é feito para etapas curtas, de poucas horas. Para etapas de quatro horas e meia, quatro horas e vinte minutos, não é muito bom", conta. "Pelo o que se tem de notícia, esse voo durou 4h15, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos. E fez duas voltinhas antes de tentar pousar. Daí quando não pode pousar, o combustível, supostamente, acabou", opina.

"É de se supor que não havia combustível para pouso em um outro aeroporto e nem 45 minutos de reserva necessários. Neste meio tempo, aguardando para pousar, é que o piloto declara estar em pane elétrica. E, então, ele perdeu motores, alimentação elétrica e, estou presumindo, os instrumentos".

O professor comenta também o que poderia ter levado à "pane elétrica". "A pane elétrica acho que seria em virtude da falta de combustível. Desconheço se esse avião tem força auxiliar, com ar e energia. Mas mesmo que tivesse, não adiantaria porque não havia combustível", diz Scherer.

Mas algum outro problema técnico pode ter feito com que o piloto desistisse da ideia. "O avião caiu quase na vertical. Pode ter ocorrido de que ele perdeu o controle e caiu, logo que sumiu do radar. Provavelmente, ele perdeu o sinal de radar porque perdeu alimentação elétrica".

Sem combustível, mas com a aeronave funcionando, uma possibilidade seria tentar planar com a aeronave. "A velocidade que se espera é mais ou menos 200 nós. Se o avião estivesse assim, era manter o controle. Ele estaria a três, quatro minutos da pista. Isso com o avião sem motor, com 1,3 pés mil por minuto. Mantendo o controle do avião, ele teria ao menos chegado perto. Há registros de pousos desse tipo com aeronaves maiores, como o 767".

Empresa fala em reabastecimento

O diretor-geral da companhia aérea Lamia, Gustavo Vargas, afirmou nesta quarta-feira (30) que a aeronave que levava os atletas da Chape tinha a opção de reabastecer em Bogotá caso sofresse um déficit de combustível.

"Temos alternativas, uma alternativa próxima era Bogotá e se ele (o piloto) constatasse que tinha uma deficiência de combustível, ele tinha todo o poder de pousar para reabastecer", disse o executivo.

Vargas, em fala à emissora boliviana Unitel, explicou que a primeira opção era de que a aeronave reabastecesse em Cobija, ainda na Bolívia, próximo à fronteira com o Brasil. O plano, porém, acabou descartado. O piloto é elogiado pelo executivo, lembrando treinamento na Suíça e a larga experiência. Para ele, a decisão de não reabastecer teria se dado porque o piloto acreditou que tinha combustível suficiente para completar a viagem.

Filho de copiloto não vê necessidade

Para Bruno Goytia, filho do copiloto, o capitão Ovar Goytia, a empresa sabia que haveria um voo direto até Medellín. Ele, que está no último ano de formação de pilotos, afirma que havia combustível suficiente na aeronave. "O aeroporto de Cobija não tem luz e não opera durante a noite, por isso não poderiam abastecer", afirmou em entrevista ao El Deber, da Bolívia.

O avião

O avião que transportava a delegação tinha quase 17 anos e era britânico, segundo o portal espanhol Airfleets, que reúne informações sobre as companhias aéreas civis.

O modelo Avro RJ-85, iniciamente nomeado como British Aerospace 146, foi fabricado pela British Aerospace e tinha quatro turbinas. A aeronave deixou de ser fabricada em 2001, de acordo com o site.

O professor da Escola Politécnica da USP Jorge Eduardo Leal Medeiros afirmou à Rádio Estadão que o modelo era seguro e já operou no Brasil. "Fez parte do Queen's Flight, grupo de aviões que atende a família real britânica. Não tem problema de projeto", disse.

O capitão Rafael Martínez Guerra, presidente da Associação Colombiana de Aviadores Civis (ACDAC), disse que aeronave era para voos regionais.

A direção da Chapecoense afirmou nesta quarta que não pretende uma avaliação independente do acidente. E que prefere não se manifestar, em princípio, antes que as autoridades o façam.

Close
A trajetória da Chapecoense na Copa Sul-Americana
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

LEIA TAMBÉM

- O que sabemos sobre o avião e as possíveis causas do acidente com a Chapecoense

- Tragédia foi também um duro golpe no jornalismo esportivo

- Aplausos ao Jornal Nacional: Homenagem às vítimas marca telejornalismo

- Chapecó veio uma faísca de solidariedade. Que seja para ficar

Também no HuffPost Brasil

Close
A comoção toma Chapecó e o mundo do futebol após o desastre na Colômbia
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção