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Não existe tecnologia que possa substituir a busca interior que todos percorrem

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HOPE
Arvydas Kniuk¿ta
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No tempo da internet discada, era uma frustração quando caia a conexão e precisávamos religar para o provedor. Reconectar significa restaurar um link que se tinha e foi perdido. Na vida interior dos indivíduos, chega um momento em que notamos ter perdido o contato com nossa essência. A maturidade é marcada pela busca da reconexão.

A essência que buscamos restaurar pode ter diversos nomes, podem ser memórias da infância, projeção em figuras externas de si - divindades, por exemplo - , pode ser no passeio pela natureza ou mesmo no futebol com os amigos. A vida moderna faz as pessoas se sentirem conduzidas em uma rotina cheia de regras e expectativas, deixando de lado a pureza do tempo de criança e o instinto selvagem/primitivo.

A experiência de plenitude ou numinosa nada tem de surreal, trata-se de um sentimento de reconexão com o sentido da vida (ou do universo, ou da floresta ou no que acreditar). Nesses momentos da vida (quando nasce um filho, por exemplo), sentimos mais próximos daquilo que alimenta nossa essência (ou alma, como preferir).

As pessoas costumam vivenciar uma dualidade dentro de si, uma sensação de contraditoriedade, a qual já foi representada em diversas culturas pelo médico/monstro, guerreiro/mago, euforia/depressão, sol/lua, pecador/divindade. Esses dois lados da personalidade representam a separação que parece ter ocorrido e a vontade de voltarmos a ser únicos.

Ao longo da vida, é possível reconectar nossas partes e se reencantar com a vontade de viver. Essa força em seguir em frente é o combustível para buscar o sentimento esquecido. Esse alimento da "alma" pode ser externo (filhos, animais, viagens) ou interno (novos conhecimentos e experiências), tudo que faça a pessoa lembrar que a vida vale a pena ser vivida.

Não existe tecnologia que possa substituir a busca interior que todos percorrem. É possível viver ignorando essa reconexão, optar pelas neuroses ou mergulhar na recompensa pelo consumismo. Porém, depois que enxergamos o início dessa jornada torna-se quase impossível não adentrar. Em algum momento da vida, homens e mulheres querem se sentir plenos, sem agradar ninguém, sem que outros estejam vendo, apenas para sentir que a vida está valendo a pena.

Independente da crença individual, a viagem pelo universo interior é a mais atraente e desafiadora enfrentada pelo homem. Dá vontade de desistir, de ficar vivendo da maneira como a sociedade diz e agradando aos outros. A angústia e o desconforto apenas diminuem na medida em que se mergulha de cabeça. Amadurecer e se tornar um adulto integrado consigo não depende da idade, da qualificação acadêmica ou dos bens materiais. É a vontade em se abrir e viver seguro de que faz suas próprias escolhas de vida.