Andre Deak

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Cartografias colaborativas, mapas afetivos e uma década de Google Maps

Publicado: 31/01/2014 19:09

Map
Getty Images

Em 2014 o Google Maps completa 10 anos. Nessa última década, não apenas o Google, mas muitos outros softwares e iniciativas tornaram possível, e cada vez mais fácil, criar plataformas que colocam coordenadas geográficas em pontos, áreas, regiões, sentimentos. Ao mesmo tempo, os celulares com GPS tornaram-se mais e mais comuns, e até a internet 3G, mesmo ruim e cara como é no Brasil, permite o uso destes sistemas de localização com alguma facilidade.

Isso fez com que nos últimos anos houvesse uma incrível explosão no uso de mapas digitais, praticamente para tudo. Temos mapas de arte nas ruas, mapas de trabalho degradante em frigoríficos, mapas de ciclovias, mapas de restaurantes, cruzamentos de incêndios em favelas com a alta imobiliária das regiões de São Paulo, mapas de incêndios na Amazônia, mapas do amor, mapa da cultura nas quebradas. Eu mesmo acompanho e tenho analisado mapas no www.mapasculturais.org.br.

Mapear coisas tornou-se, assim, uma espécie de fetiche, de moda, de tendência, mas não apenas. Mapas ajudam a entender o mundo ao redor, e a entender o nosso lugar nele. Também tornam visíveis pessoas, sentimentos, histórias, que não estão nos mapas oficiais. Se a história é contada pelos vencedores, os mapas também são feitos por eles -- e são eles que decidem o que ou quem está ou não no mapa. Felizmente, agora todos podemos contar nossas histórias, construir nossos próprios mapas. As ferramentas estão nas nossas mãos.

Mas a abundância de mapas e mapeamentos tem gerado um problema interessante: como combinar todos estes mapas? Será que não seria interessante cruzar, talvez, desmatamento com violência? (digo porque já fizemos isso em 2007: a faixa de maior desmatamento na Amazônia é justamente onde estavam os municípios mais violentos do país). Que relações poderíamos tirar do cruzamento espacial de informações diversas?

Daí a importância em pensar ferramentas de mapeamento com códigos e APIs abertas, para que as bases de dados possam ser lidas por outros softwares. Se pudermos, ainda por cima, pensar em taxonomias (categorias ou tags) que sejam as mesmas para diversos projetos, melhor ainda. Porque se um projeto coloca "cinemas", e o outro coloca "salas de cinema", as bases de dados já não irão conversar muito bem.

Estamos subindo mais informação a cada dia, numa velocidade exponencial, para a rede. O desafio deste início do século 21 é conseguir organizar tudo isso e ter um olhar integrado.

 
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