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12 de junho: Uma data nada romântica

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Valeriy Kachaev via Getty Images
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Eu, neste fim de semana, sentada no sofá abraçadinha ao meu marido: "Amor, domingo é dia dos namorados".

Ele: Hummm... Posso ser sincero? Sempre achei essa data tão boba... Tô para te falar isso há sete anos...

Eu quase fiquei desapontada. Mas me perguntei se poderia acusar de falta de romantismo um marido que:

1. Do nada, no meio de uma conversa qualquer, em uma data qualquer, me diz que cada dia que passa estou mais bonita, que nunca estive tão bem - ouço isso com frequência, a cada ano que passamos juntos.

2. Me dá presentes de surpresa, em dias inesperados, que variam de viagens a sessões de acupuntura, além daqueles mais tradicionais (acessórios, roupas, lingeries...).

Fugindo totalmente aos padrões e expectativas femininas, meu marido é do tipo que não faz a menor questão de "criar um clima" antes de me dar uma joia, por exemplo. Uma vez ele me deu brincos de ouro no segundo que saía com pressa para o trabalho, já na porta de casa, "isso aqui é para você, olha", seguido de um estalinho e um "até de noite". Ele não faz cena. Não faz charme. Não faz tipo.

Eu já quase cheguei a chamar esse jeito dele de "mal jeito". Já quase achei "sem graça" presentes dados desta forma. Talvez, se eu fosse mais tradicional e tivesse menor senso crítico, me permitisse passar do "quase" e ficar de fato magoada. Em vez disso, passei a achar meu marido ainda mais interessante. E inteligente.

Pensando bem, o que é ser romântico? Será que romântico é só aquele cara que sonha em casar na igreja, ter um casal de filhos, faz questão de levar a mulher para jantar fora e dar flores no dia dos namorados? Definitivamente não. Romantismo não é sinônimo de comprar os sonhos que a sociedade capitalista inventou.

Afinal, o que há de romântico em enfrentar filas de espera quilométricas no dia 12 de junho? O que há de romântico em gastar três vezes mais numa peça de roupa que, na semana seguinte, estará em liquidação? Será que é mais romântico casar de véu e grinalda numa igreja abarrotada de gente do que trocar juras de amor (e alianças) em uma cerimônia íntima só entre vocês dois, na praia ou nas montanhas, olho no olho?

Romantismo é colocar o amor como prioridade na sua vida. E há mil maneiras de se fazer isso. Mas a maioria das pessoas é tão pouco criativa que expressa este amor reproduzindo o que há de mais comum no mercado: flores, velas, jantar, dia dos namorados. É preciso sensibilidade e mente aberta para perceber gestos de amor "fora do quadrado".

O ser romântico é aquele que deixa o sentimento prevalecer sobre a razão (em alguns momentos, porque se for sempre, deixa de ser romântico e vira maluco, né?!). Então comecei a me lembrar de todas as vezes que meu marido fez isso. Ele foi romântico quando recusou uma promoção na empresa porque iria reduzir o tempo que ele poderia ficar lá em casa, comigo e com nosso filho. Ele é romântico toda vez que chega com salgados árabes na volta para casa depois do expediente, sem eu pedir, só porque sabe que eu gosto. Ele é romântico quando gasta o dinheiro dele comprando o que há de melhor qualidade no supermercado e pagando uma boa escola para nosso filho, em vez de torrar nossa grana jogando pôquer com os amigos. Ele é romântico quando troca o Natal com a família dele para passar com a minha. E quando abdica de ir para o destino que sempre sonhou nas férias para ir para onde eu sempre sonhei. Ele é romântico quando me dá força para eu fazer um curso no final de semana em vez de dar atenção a ele, porque vibra com a minha determinação para alcançar minhas metas. Ele é romântico até nas coisas mais simples, por exemplo, quando cata as balinhas de morango - minhas preferidas -- entre as sortidas que oferecem de brinde no restaurante.

Perto disso tudo, ter esquecido a data em que nos casamos em algum destes 7 anos juntos, ou preferir não comemorar o "dia dos namorados" parece tão pequeno. Cada casal constrói sua dinâmica e determina que dia vai ser o dia dos namorados.

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