Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Bárbara Semerene Headshot

Ter filho une as amigas

Publicado: Atualizado:
WOMEN FRIENDS
BananaStock via Getty Images
Imprimir

Há quem diga que ter filho une o casal. É uma frase bastante repetida por aí. Conheço muitos casos nos quais aconteceu o contrário...

Comigo, fato foi que ter filho me uniu às amigas - antigas e recentes, mas em ambos os casos, que também estavam vivenciando a maternidade.

Um parênteses: não que eu tenha me distanciado do marido; as coisas não são necessariamente excludentes.

O curioso é que retomei laços de amizade de uma maneira muito mais intensa e íntima do que antes - algo um tanto quanto inesperado quando se imagina o excesso de afazeres que a maternidade agrega à vida de uma mulher.

Foi quase que um retorno àquele tipo de amizade-grude de adolescentes: voltamos a trocar angústias, segredos inconfessáveis e a sentir necessidade de compartilhar sentimentos, ideias e dicas diariamente.

Com o WhatsApp, a frequência se multiplicou, e trocamos mensagens diversas vezes ao dia. Algo que, depois que me tornei adulta, achava infantil, "coisa de adolescente". Mas tem feito um bem danado para o meu espírito e renovado o meu astral.

Se engana quem está aí pensando que passamos o dia falando sobre filhos. Voltamos àquela amizade de conversas profundas e fúteis, amigas de farra, de mesa de bar, de viagens, de contar piada.

Acho que é nos momentos de transição da vida, quando nossa identidade fica abalada, que sentimos maior necessidade do apoio emocional de uma amiga que está vivendo os mesmos perrengues e as mesmas alegrias que nós naquele momento tão singular.

No caso da adolescência, estamos tentando nos encontrar como mulher, em um corpo que deixou de ser criança de repente, e deseja muito mais do que brincar (além de estarmos ávidas por nos distanciar da família para nos autoafirmarmos como seres humanos autônomos).

No caso da maternidade, ocorre algo parecido: nosso corpo e nossos desejos de repente mudam de figura e de foco. E a família volta a nos sufocar como na adolescência (avós "recém-nascidos" dando pitaco, marido cansado e mal-humorado pelas noites maldormidas, culpas, cobranças, cobranças e cobranças). Queremos nos redescobrir como seres autônomos e as amigas são fundamental neste processo.

Quando olho para trás percebo que, entre a adolescência e a maternidade, eu e elas ficamos, cada uma, envolvida demais com paixões, carreira, viagens, milhões de "conhecidos" que esbarramos aqui e acolá, e deixamos a amizade em "stand-by", em segundo plano, mais efêmeras e superficiais.

Depois que me tornei mãe, além de toda a revolução interna que este novo estilo de vida me provocou, algo prático ocorreu: eu e meu marido precisamos nos "revezar" para ter nossos momentos de lazer, enquanto o outro cuida do filho.

O mesmo ocorre com a maior parte das minhas amigas, a não ser as raras que têm uma estrutura muito boa (e cara) com babás a qualquer momento do dia ou da noite.

Foi o que nos propiciou voltamos a sair desacompanhadas, desobrigadas de carregar nosso amor a tiracolo para todos os cantos. E voltamos a ter aquelas longas conversas só com as amigas, regadas a muita risada e deliciosas confidências. Passei a ser requisitada para almoços, jantares, passeios de bike e até viagens só com elas.

Toda essa revolução nas amizades ao meu redor ocorreu há cerca de três anos, depois de alguns meses do nascimento do meu filho.

Ultimamente tenho sentido um início de mudança. Aparentemente, começamos a nos acostumar com a maternidade e, aos poucos, voltamos ao nosso eixo, vivenciando com maior equilíbrio diversos papéis.

Questões que no início eram "problemas a serem desvendados" se banalizaram. Devagarinho, estamos voltando a desejar os homens. Tudo isso tem me causado certa estranheza.

Acho que fiquei possessiva com elas e mal-acostumada a compartilhar cada segundo da vida. Mas é hora de encarar este novo momento.

Agora, como mães, profissionais, esposas e, para sempre, amigas.

LEIA MAIS:

- Pais: Parem de educar seus filhos para serem campeões olímpicos

- Caro recrutador, não me pergunte se tenho filhos

Close
A rotina de mães solteiras
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual