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Sem a participação das periferias, não adianta fechar a Paulista

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Victor Moriyama via Getty Images
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O Golpe está consolidado. A questão agora é como nós iremos reagir

Na tarde da última quarta-feira, (31), assistimos atônitos à uma sessão do Senado que deu vida e corpo ao golpe parlamentar sofrido pela agora ex-presidenta Dilma Rousseff.

Um ato contra Temer que já havia sido marcado ganhou força reunindo milhares de pessoas que entoavam em uníssono "Fora Temer".

Eu não compareci ao ato. Saí da região da Faria Lima em direção à Mogi das Cruzes, cidade que fica no extremo leste da região metropolitana. Quanto mais eu me afastava do centro, menos indícios do golpe havia.

No trem lotado da Linha 11 - Coral, no horário de pico pessoas comuns debatiam sobre trabalhos na faculdade, problemas no trabalho e um grupo de jovens jogava baralho em pé no trem. Não houve uma só palavra sobre a situação política que estamos vivendo.

Quando cheguei em Mogi das Cruzes resolvi parar para comer um hot dog. Enquanto esperava pelo meu lanche, três homens brancos que possuíam aparentemente uns 40 anos, conversavam tranquilamente.

"Agora o Brasil vai pra frente. Ele [Temer] vai parar essa crise".
"Eu não ligo para a crise. O que eu quero é que ele mude as regras da aposentadoria. Quero poder curtir logo o sossego".
"Ele vai ser bom para o Brasil, agora vamos voltar a crescer. Os investidores que estão dizendo"
.

Os três homens em questão não eram os homens de terno e gravata que vão se beneficiar do golpe. Era o vendedor de cachorro-quente, seu cliente e um vendedor de espetinho.

Pouco depois, em cadeia nacional, Temer fez seu primeiro pronunciamento enquanto presidente, falando que o governo é como a família que precisa cortar gastos. A aposentadoria tão esperada pelo vendedor de hot dog também foi contemplada na fala de Temer. Mas ao contrário do que ele pensava, o presidente não falou sobre aumento e sim, sobre cortes. "Uma reforma da previdência que beneficie os jovens", ele disse. Sempre vale lembrar que Temer se aposentou aos 55 anos. A proposta dele é de que os brasileiros só recebam aposentadoria integral ao completar 70 anos. Enquanto Temer falava, os manifestantes da paulista sofriam com a truculência da Polícia Militar.

Apesar de muito delicado, este com certeza é um momento de reflexão. A própria ex-presidenta falou, em entrevista à Revista Fórum que o PT deveria reconhecer seus erros. Mas não é apenas o PT e sim, todos nós.

É preciso ter forças para encarar os retrocessos que virão. Mas também é preciso abrir um canal de diálogo e informação para que o tio do cachorro-quente entenda que Temer não será guardião dos seus direitos.

Se esse homem e outros como eles não se unirem à multidão da paulista, ela continuará sofrendo repressões sem o apoio do povo. Sem o apoio das massas, nada somos. Marx já sabia disso.

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