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A vida na selva, ou melhor, na escola

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PRIMARY SCHOOL
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Feche os olhos e mentalize uma selva. Visualizou feras, rios de águas profundas, mata fechada e clima equatorial? Beleza. Eu vejo pessoas entre 4 e 5 anos de idade, grama sintética, brinquedos, alguns adultos com a função de educadores e o pagamento de uma quantia mensal correspondente ao valor de um carro popular.

Vejo crianças batendo nas mães antes de entrarem na sala. Vejo crianças batendo umas nas outras, brigando por um lugar para sentar. Vejo crianças excluindo sumariamente outras crianças da brincadeira.

Vejo crianças que dizem que não podem sentar perto de outras crianças, por terem a cor da pele diferente; vejo crianças que reparam no carro do pai das outras crianças; vejo crianças analisando mochilas, para saber se são novas ou se são as mesmas do ano passado. Vejo que o homem é o lobinho do homem e vejo, sobretudo, pais e mães achando isso absolutamente normal, porque "é da idade".

As minipessoas tem a notável capacidade de formar pequenas unidades associativas, conhecidas por grupos de amiguinhos. Juntos e ignorando solenemente a presença de adultos, eles praticam, além do ~brincar desconstruído~, algo que pode ser entendido como "tocar o terror".

A função de cada membro do grupo na "tocação do terror" segue regras da genética elementar: se você for dominante, dominarás; se você for recessivo, se submeterás.

A não ser que você seja adepto do unschooling, seu filho tem um grupo de amiguinhos; seu filho domina (ou se submete); seu filho todos os dias cria mecanismos para sobreviver entre seus (des)iguaiszinhos.

Na cadeia alimentar da selva, que a civilização ousa chama de escola, não desejo que minha filha seja presa ou predador, mas que faça boas escolhas e lembre da frases que repito incansavelmente:
- trate bem as pessoas;
- fique perto de quem lhe trata bem.

E o que consola o coração materno? Saber que conjugar o verbo respeitar, em todos os tempos, se aprende em casa. E graças a este verbo, e a um autocontrole que saiu não sei nem de onde, hoje não ensinei minha menina onde exatamente se deve bater para derrubar um menino.

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