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Paralimpíada: Quando o limite é interpretado como um desafio

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FERNANDO ARANHA
Hannah Peters via Getty Images
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Os Jogos Paralímpicos são uma provocação. Assista, por exemplo, a seleção brasileira de futebol de 5. Os caras jogam muito. Você verá controle de bola absurdo, dribles incríveis e golaços. Tudo com jogadores cegos. Eles são a prova de que cegos também gostam de futebol.

Fernando Aranha é outro exemplo de provocação. No vocabulário do paulista, de 38 anos, a palavra limite é interpretada como desafio. Ele já se aventurou no atletismo e no basquete. No ciclismo, esqui cross-county (na neve) e triatlo, ele é considerado pioneiro no Brasil.

Tem só um detalhe nessa história. Aranha pratica todos esses esportes em cima de uma cadeira de rodas. Aranha foi diagnosticado com poliomielite quando tinha três anos. Ele perdeu os movimentos da cintura para baixo. Aranha terminou na sétima colocação na estreia do triatlo em Jogos Paralímpicos e se tornou o primeiro do País a disputar tanto os Jogos Paralímpicos de Inverno quanto de Verão.

Eu poderia escrever também várias outras histórias inspiradoras de atletas que entraram no Estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro, e mudaram as vidas de muitas outras pessoas.

Os brasileiros Petrucio e Yohansson conquistaram ouro e bronze, respectivamente, nos 100 metros T47. Petrucio conheceu o esporte paralímpico ao ver uma reportagem na TV sobre Londres 2012. Ficou impressionado com as conquistas de Yohansson (ouro nos 200m T46 e prata nos 400m da mesma classe). Yohansson, alagoano de Maceió, foi uma inspiração para Petrucio.

Quando Petrucio tinha dois anos, ele sofreu um acidente com uma máquina de moer capim e perdeu parte do braço esquerdo. O atletismo é parte da vida do atleta há apenas dois anos e meio. Antes, como muitas crianças brasileiras, havia tentado o futebol. Mas a explosão nas arrancadas chamou a atenção de um professor de educação física.

Não existe limitação para os atletas paralímpicos. Tenho certeza que a maioria dos atletas que estão disputando os Jogos Paralímpicos são mais eficientes do que eu. Não tenho nenhuma limitação física, mas pratico, de vez em nunca, a corrida de rua.

A eficiência deles me encanta. A resiliência deles encanta também os brasileiros, principalmente os cariocas. O primeiro final de semana dos Jogos Paralímpicos foi de recorde de público. No sábado, 167 mil pessoas lotaram o Parque Olímpico da Barra da Tijuca.

Tenho certeza de que os Jogos Paralímpicos deixarão um legado para as futuras gerações. Tanto para os jovens que assistiram de casa quanto para os que estiveram a oportunidade de acompanhar de dentro das arenas. As medalhas conquistadas não são as mais importantes, mas sim a provocação de que os Jogos deixarão.

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