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Compartilhei minha experiência de assédio sexual e eis o que aconteceu

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ASSDIO SEXUAL
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Em homenagem ao Mês de Conscientização sobre o Assédio Sexual, recentemente publiquei um blog sobre a experiência de ter sido sexualmente assediada no trabalho.

O artigo incluiu minha história pessoal de receber atenção indesejada de um cliente e explorou as barreiras que as mulheres precisam superar para falar sobre assédio, incluindo o medo de prejudicar a própria carreira.

Escrevi o artigo para explicar por que tantas mulheres se mantêm em silêncio e também para assegurar outras mulheres na mesma situação de que elas não estão sozinhas.

Meu blog teve muita atenção, e recebi dezenas de emails e comentários de outras mulheres me agradecendo por abordar o assunto. Também recebi feedback positivo de aliados homens, que ofereceram ótimas ideias sobre o papel que os homens podem ter na prevenção ao assédio sexual no trabalho.

Mas parte dos comentários não foram tão positivos e estavam mais próximos da misoginia. Alguns homens que não conheço viram meu blog no Huffington Post e fizeram comentários dizendo que eu deveria ter me "preparado" para o assédio sexual.

Por não estar preparada, eu não seria uma "verdadeira" profissional. Um comentarista sugeriu que eu simplesmente usasse roupas conservadoras no trabalho, por que "atrair os homens está nos genes da mulher".

Por mais horrorizada que tenha ficado com esses comentários, eles não me surpreenderam. Outra barreira que impede as mulheres de denunciar o assédio é o medo de que elas serão culpadas por incentivar ou provocar o transgressor.

A mentalidade de culpar a vítima é parte da cultura do estupro nos Estados Unidos e na prática serve para silenciar as mulheres se elas acharem que serão consideradas culpadas pelo comportamento do agressor.

A questão do assédio e dos ataques sexuais é complicada, tem muitas camadas e envolve uma série de crenças implícitas e explícitas sobre papeis de gênero e expectativas de comportamento de homens e mulheres.

Quando culpamos as mulheres, livramos os homens da responsabilidade, e isso é o oposto do que precisamos para acabar com estupro, ataques sexuais e assédio sexual.

O assédio sexual jamais deveria ser considerado algo esperado no trabalho. Igualmente, o ônus de preveni-lo não recai sobre as mulheres. Precisamos reconhecer o assédio pelo que ele realmente é - um grave abuso de poder.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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