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A história da jovem que escolheu as borboletas

Publicado: Atualizado:
BUTTERFLIES
Polka Dot Images via Getty Images
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Melissa adorava borboletas, por toda sua simbologia de transformação, renovação e beleza.

Natural que quisesse usar borboletas na decoração de seu casamento. Refiro-me a borboletas decorativas, não as de verdade. Ela descobriu que não havia outras noivas pensando em usar borboletas para decoração de casamento.

Revirou todas as lojas da cidade em busca de borboletas lindas e coloridas para usar na sua festa de casamento. Não encontrou. Continuou sua busca e investiu seu precioso e escasso tempo procurando borboletas em todos os sites de bugigangas chinesas. Não encontrou exatamente aquilo que queria. E agora? Melissa havia escolhido as borboletas, mas não encontrou nenhuma opção que lhe agradasse.

Miguel queria ser músico. Estudava oboé com afinco e queria dedicar-se profissionalmente ao instrumento. Ele sabia que o oboé era um instrumento um pouco peculiar e não muito popular. Concluiu que, para conseguir alcançar seu sonho, precisava passar num concurso para a orquestra sinfônica da cidade. Como as vagas eram poucas e a concorrência qualificada, o oboé virou um hobby, e Miguel virou bancário.

Cristina também queria seguir carreira musical e estudava fagote, um instrumento igualmente peculiar. Mas tocar na orquestra sinfônica era somente uma opção entre tantas outras. Sua escolha era ser fagotista. Descobriu que o mercado cinematográfico e de desenhos animados, demandava composições e artistas que dominassem aquele instrumento, justamente porque suas peculiaridades se adaptavam bem às necessidades daquele mercado. Tornou-se uma especialista e dominou aquele nicho específico. Depois de um tempo, se deu conta que ganhava um "salário" bem melhor do que um músico da orquestra sinfônica.

Escolher é melhor do que optar.

Entenda "escolher" como sinônimo de "decidir". Miguel encarou a carreira de músico como uma opção. Cristina, como uma escolha. Quando a gente analisa opções (mesmo que seja somente entre o "sim" e o "não"), deixa de decidir o que é melhor pra gente, e seleciona somente entre aquilo que já está disponível.

Ao contrário, quando a gente escolhe primeiro, a partir de nossos desejos, olha para além das opções existentes. Abre-se um horizonte infinito possibilidades. A escolha nos permite criar algo novo e traçar um caminho ainda não explorado.

Veja que curioso. Sempre ouvimos que "quanto mais opções, melhor". Aparentemente, ter opções na vida é excelente. Mas será mesmo? No terreno das "opções", somos passivos diante das possibilidades. No terreno das "escolha", somos agentes ativos, criativos e transformadores.

Não há nenhum mal em optar pelo melhor, desde que a melhor das opções se enquadre naquilo de desejamos. Mas isso não ocorre com quase ninguém. Quantas pessoas você conhece que escolheram, decidiram, trabalhar naquilo que realmente gostam? Poucas, não é verdade? Você hoje é formado mais por opções ou mais por escolhas que fez na vida? Pense em todos os seus empregos até hoje.

Pense nos seus "amigos" no ambiente de trabalho, ou na faculdade, por exemplo. Quantas amizades você escolheu, e quantas você simplesmente optou por manter porque estavam ali "disponíveis" naquele momento de sua vida? Quantas permaneceram por mais de 5 ou 10 anos?

Aí você me diz: "- Ah Bruno, você fala como se fosse fácil simplesmente escolher e obter o que se deseja". Eu respondo: "Não disse que é fácil. Disse que é possível e, sobretudo, que vale a pena.

Miguel e Cristina são personagens fictícios, mas baseados em um milhão de histórias verídicas. Melissa é real. Ela foi a uma loja de artes, comprou tecido, cola quente, lâminas transparentes e construiu suas próprias borboletas com a ajuda de seu futuro marido, que tinha lá suas habilidades artísticas (No caso, esse era eu! ;) .

As borboletas ficaram lindas e deram um toque mais do que especial na decoração do casamento. Alguns anos depois, vendeu tudo que tinha em Brasília e se mudou para o Uruguai com o filho pequeno e o marido semi-criativo. Ela abriu mão das opções que a vida lhe apresentou e fez suas próprias escolhas. Escolheram levar uma vida com mais sentido e com muitas borboletas.

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