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Como usar a literatura infantil para formar leitores autônomos

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Conhecer o comportamento brasileiro relacionado aos livros é a proposta da terceira edição do Retratos da leitura no Brasil. A pesquisa desenvolveu-se com a parceria do Instituto Pró-Livro junto ao Ibope Inteligência em 2012 em âmbito nacional.

Os dados revelaram uma queda no hábito da leitura, em relação a 2007, expondo o interesse ao conteúdo midiático oferecido pela televisão ou streaming. Apesar disso, a literatura infantil aparece como preferência para faixa etária de 5 a 11 anos. O que impulsiona editoras a produção anual de obras infanto-juvenis ao mercado, servindo para a educação e construção do pensamento através do lúdico.

O instituto procura incentivar políticas públicas para desenvolvimento da leitura no Brasil. O trabalho envolve escolas municipais e particulares para contemplar caminhos a projetos educacionais. A média registrada nessa edição, entre leitores de 5 a 11 anos de idade, demonstrou a marca de 5.4 livros por criança. Uma diminuição de 21,8% desde a segunda pesquisa do IPL, porém, ressaltando que 40% dos entrevistados leem por prazer, gosto ou necessidade espontânea.

No momento da aprendizagem, ao primeiro acesso a literatura, a criança é transformada em exploradora no contato com as palavras. Buscando novos textos, fazendo descobertas e compreendendo a si e ao mundo. "Nesse cenário, professores e coordenadores pedagógicos devem atuar em sintonia, assegurando que o trabalho com a literatura infantil aconteça de forma dinâmica, por meio de práticas docentes geradoras de estímulos e capazes de influenciar de maneira significativa o desenvolvimento de habilidades orais, leitoras e escritoras", acrescenta Raimunda Alves Melo, mestranda em educação, em texto publicado na Plataforma do Letramento.

Em Maceió, a Imprensa Oficial Graciliano Ramos fomenta a produção local de obras infantis. O projeto Coco de Roda preenche uma lacuna ao retratar histórias ligadas ao estado de Alagoas. Enriquecendo a possibilidade para a utilização educacional na sala de aula. A seleção dos autores e artistas ocorre através de editais públicos, incentivando o aparecimento de novos estilos de escrita.

"Costumo dizer que eu caí de paraquedas na literatura infantil, pois nunca havia publicado nada do gênero até 2009, quando escrevi meu primeiro livro O segredo do rio Mundaú, que foi um dos contemplados no I Edital de Livros Infantis da Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Porém, muito embora nunca tivesse me debruçado nessa literatura enquanto escritora, já havia atuado em três peças infanto-juvenis quando da minha experiência com o Teatro", disse Sara Albuquerque, escritora, ao perceber sua preferência ao gênero onde consegue expor a sua inquietação por meio dessa expressão.

A contação de história é fundamental para conhecer e entender os dilemas do pequeno leitor, envolvendo-o com o universo construído ao livro: contato físico, o imaginário e a compreensão. "Consigo unir, como trabalhos, duas coisas que amo: a literatura e o teatro. Quanto às crianças, é perceptível um maior envolvimento com relação à história quando contada por um terceiro. A atenção que elas dispensam ao ouvir uma história, talvez, seja maior do que a possibilidade de distração que ela teria se estivesse lendo uma história sozinha", ressalta a Albuquerque.

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Divulgação/Imprensa Oficial Graciliano Ramos

Em sua primeira publicação, a autora Carol Almeida, explorou o lúdico para tratar sobre o respeito às diferenças na sociedade. O intuito era produzir uma história ao seu irmão, de seis anos, que trouxesse algum ensinamento. A narrativa de A Gata Diana na Terra do Pastoril retrata o quimerismo, quando um animal nasce com duas cores por uma alteração biológica rara. "Como gosto muito de animais, me inspirei na Venus, uma gata quimera que conheci pelo Facebook, e nos meus gatos, Nise e Nino. A Venus é conhecida como gatinha de duas faces, porque tem a metade do focinho completamente preta, de um jeito bem simétrico, e um olho azul e o outro verde. A partir daí, fiz a associação com as cores vestidas pela Diana, personagem do Pastoril, e nasceu a história da Gata Diana", comenta.

O estimulo a leitura desde a infância é fundamental para a formação de cidadãos críticos, segundo Almeida. Para entender e refletir sobre a realidade, para buscar mudanças, aguçar a criatividade e construir opiniões. "Fiz algumas contações da história em escolas e ao final, quando abro espaço para perguntas, elas sempre questionam o porquê de a Diana ser diferente dos irmãozinhos, ter um olho de cada cor, ter metade do focinho azul e a outra metade vermelha... Elas ficam bastante intrigadas com isso, e a partir daí eu tento transpor a questão da individualidade e do respeito às diferenças para a realidade delas", reflete.

"Minha filha gosta de ler sozinha, por exemplo, mas, prefiro acompanhar para saber e ensinar onde errou na compreensão. Meus filhos começam a perguntar sobre tudo. A criança fica mais esperta", conclui Cristiana Santos, dona de casa, ao incentivar os dois filhos reservando um horário à leitura. A obra literária é buscada semanalmente, de acordo com o projeto pedagógico, na biblioteca do colégio.

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