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6 coisas que o feminismo me ajudou a mudar na relação com as minhas amigas

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Muitas das conversas sobre feminismo trazem questões que são extremamente necessárias olhar e debater para, então, partir para uma transformação social.

O patriarcado é uma besta de muitos braços, e desmantelá-lo é um trabalho enorme.

Mas o feminismo pode ser igualmente importante quando se trata de fazer diferença com "microempoderamentos" diários - por exemplo: o feminismo fez de mim uma amiga melhor para as minhas amigas.

Mas também me ajudou de várias outras formas: me deu mais confiança, um pensamento mais crítico, um senso maior de coragem. Mas é sempre bom lembrar como ele nos ajuda a construir melhores relacionamentos com os outros e também com o mundo.

Como muitas pessoas, "descobri" o feminismo na faculdade. Digo "descobri" entre aspas porque sempre soube da sua existência.

Fui criada por pais muito liberais e progressistas; antes da faculdade, entretanto, o conceito de feminismo era meio nebuloso.

Depois que comecei a ler sobre a história do movimento, a debatê-lo na teoria e na prática, e a entender a sombra constante do patriarcado, minha evolução pessoal ganhou ímpeto.

Tornei-me uma pessoa de cabeça mais aberta, mais compreensiva e com mais empatia para com os outros.

Ganhei confiança no valor da minha própria voz e entendi que ela nem sempre tem de ser a que fala mais alto nas conversas.

É claro que perdi algumas pessoas pelo caminho, mas não precisava de companhias tóxicas.

Mas o que me deixa mais grata são, realmente, as formas de como o feminismo me fez uma amiga melhor.

Eis aqui algumas delas.

1. Aprendi a ouvir mais

Como feminista interseccional e branca, meu papel às vezes é apenas ser testemunha. Ouvir. Absorver. Saber que nem todo espaço pertence inerentemente a mim e fazer um esforço concertado para entender narrativas diferentes da minha. Basicamente é tipo ser um bom ser humano, para ser bem sincera.

2. Passei a aceitar as escolhas das minhas amigas em relação à aparência

Na teoria, o que sua amiga faz com a própria aparência não é da sua conta. Na realidade, quase sempre temos opiniões. Estereótipos de gênero são muito prevalecentes quando se trata de cabelo, maquiagem e roupas.

O feminismo me ensinou que existir exatamente como sou, exatamente como quero ser, é um passo no desmantelamento do patriarcado. E o mesmo vale para minhas amigas. Vistam o que quiserem. Depilem-se ou não. Cubram-se de glitter. Só usem saia. Nunca usem saia. Pode tudo.

3. Apaguei do meu vocabulário as palavras que humilham

Às vezes as piores humilhações -- as acusações de "vadia" - partem dos seus amigos.

Só um lembrete: não é da sua conta com quem sua amiga dorme ou não, assim como isso não tem nada a ver com o valor dela como ser humano. Aceitar sua sexualidade, qualquer que ela seja, pode ser ameaçador. F$%&@-se essas pessoas... metaforicamente falando.

4. Me tornei defensora das minhas amigas

Se alguém ataca minha amiga com declarações racistas ou sexistas, vou me manifestar. No ensino médio, era muito mais passiva na hora de defender os outros. Mas, depois de me envolver com o ativismo feminista, percebi que nada vai mudar se continuarmos em silêncio. Solidariedade!

5. Sou menos invejosa e competitiva

A inveja é insidiosa, e não conheço uma única pessoa que tenha sido capaz de eliminá-la completamente de seu repertório de emoções. Mas uma coisa que o patriarcado faz é incentivar a competição entre as mulheres.

Isso perpetua o estereótipo segundo o qual as mulheres são briguentas e fofoqueiras. Temos de nos unir, não nos atacar - mesmo que às vezes haja discordâncias. Apoie suas amigas. Defenda suas amigas. A vida é longa e dura. Sucessos, mesmo que pequenos, têm de ser celebrados.

6. Digo mais "eu te amo"

Amar-se a si mesmo e amar e aceitar os outros é um ato radical num mundo que constantemente nos critica. Você ama suas amigas, certo? Diga isso para elas.

Diga o tempo todo. bell hooks, uma incrível ativista feminista contemporânea, articula este conceito muuuuito melhor:

"O pensamento e a prática do dominador dependem da constante produção do sentimento de falta para poder se manter. Dar amor nos oferece uma maneira de acabar com esse sofrimento - nos amando, estendendo esse amor para todos além do eu, nos sentimos plenas".

*Post publicado originalmente em Bustle

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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- Marina e Maria: As mulheres que foram assassinadas pela conivência social

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