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'Capitão América: Guerra Civil': Um dos momentos mais brilhantes da Marvel no cinema

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CAPTAIN AMERICA CIVIL WAR
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Esta resenha NÃO contém spoilers de Capitão América: Guerra Civil.

Um dos momentos que mais revelam a essência de Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016), que estreia nesta quinta-feira (28), é entregue ao espectador logo no início do filme. O jovem Tony Stark (Robert Downey Jr.), na década de 1990, tem um delicado último encontro com seus pais, sem saber que em breve eles morreriam. Em seguida, nós o vemos já adulto nos dias de hoje - em que ele já é o Homem de Ferro, dos Vingadores - em um discurso para graduandos do MIT. No palco, ele apresenta uma tecnologia desenvolvida pela Stark Industries que, basicamente, "reescreve" más memórias, para torná-las menos desconfortáveis. "Eu te amo, pai", diz o jovem Tony para Howard, na nova versão da lembrança apresentada ao público.

Sentir-se compelido a reagir diante de uma situação que mexe diretamente com seu íntimo, seja um drama pessoal ou político, é o que define os comportamentos de Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans), e Homem de Ferro neste que é o 13º filme - e um dos melhores - do Universo Cinematográfico Marvel.

Em Guerra Civil, os Vingadores se dividem em dois grupos quando um tratado com as Nações Unidas lhes é oferecido, após causarem mais enormes danos colaterais em uma missão. Eles chegaram a um ponto incontornável: o de encarar que são tão letais quanto os vilões que combatem e de prestar esclarecimentos à comunidade internacional por meio de um comitê da ONU. O tratado estabelece que seres com superpoderes, como os Vingadores, devem ter suas atividades reguladas e monitoradas.

Homem de Ferro aceita assinar o documento, assim como Viúva Negra (Scarlett Johansson), Máquina de Guerra (Don Cheadle), Visão (Paul Bettany), Pantera Negra (Chadwick Boseman) e Homem-Aranha (Tom Holland). Do outro lado, juntam-se ao Capitão América, contra o documento, Soldado Invernal (Sebastian Stan), Falcão (Anthony Mackie), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Homem-Formiga (Paul Rudd) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner).

O confronto entre as duas facções torna-se inevitável. E o misterioso passado do Soldado Invernal é, mais uma vez, o elemento que interliga muitos conflitos. A trama se inspira na série dos quadrinhos Guerra Civil, de Mark Millar e Steve McNiven.

Não é de se esperar algo diferente de um filme protagonizado por um dos personagens mais políticos da Marvel. O Capitão América, logo quando estreou nos quadrinhos em 1941, foi desenhado na capa da revista dando um soco certeiro no rosto de Adolf Hitler. Naquele momento, seus criadores Joe Simon e Jack Kirby se manifestaram contra o avanço do nazismo mundo afora - e, de quebra, conseguiram criar um herói mais próximo da realidade.

Diferentemente de Superman e Batman, que combatiam alenígenas e vilões caricatos, o Capitão América, assim como outros personagens da editora - que, à época, ainda se chamava Timely Comics - queria destruir os vilões reais da Segunda Guerra Mundial. Era a democracia dos Estados Unidos versus o Terceiro Reich. Anos depois, na Guerra Fria, o Capitão América combateu o comunismo. Como não transportar o espírito político do personagem, um de seus melhores aspectos, para sua adaptação cinematográfica?

captain america comics 1

Para honrar essa tarefa, e melhor ainda, ir além disso e realizar ótimas obras de cinema, o Marvel Studios recorreu ao diretor Joe Johnston para comandar Capitão América: O Primeiro Vingador (2011).

O primeiro longa-metragem sobre o "Sentinela da Liberdade" faz a façanha de conseguir ser uma ótima ficção científica, um bom representante do gênero filme de guerra e resgatar um clima irresistível de matinê dos anos 1940. Responsável pelo roteiro, ali já estava a dupla superpoderosa Christopher Markus e Stephen McFeely. Saído Johnston, entra em seu lugar outra dupla, os irmãos Anthony e Joe Russo, para dirigir a sequência O Soldado Invernal (2014).

Ambos estabelecem que, ao contrário da época em que acontecia a Segunda Guerra Mundial, o Capitão já vivia no presente, onde o inimigo já não está tão nítido. As nuances do comportamento humano e os múltiplos interesses políticos deram contornos de thrillers políticos e paranoicos dos anos 1970, como o clássico Três Dias do Condor. Assuntos atuais, como vigilância com tecnologia e vazamento de informações sigilosas, foram usados no enredo.

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Christopher Markus, Joe e Anthony Russo, e Stephen McFeely: as quatro mãos mágicas atuando no universo Marvel

Em Guerra Civil, é a vez de temas como vigilantismo, liberdades individuais e violência serem abordados. Nisso, ambas as duplas se superam em suas respectivas posições. As cenas de ação - do tipo "na raça" - têm impressionante fisicalidade; a precisa função que cada um dos vários personagens tem; os diálogos, que chegam a ser estupendos, como quando Tony diz a Steve que já teve vontade de lhe dar um soco nos dentes; a habilidade de encontrar nos personagens, mesmo naqueles já conhecidos pelo público há anos, uma nova particularidade; as atuações, que variam entre boas e ótimas, como as de Chris Evans, que parece ter nascido para dar vida ao personagem-título, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, em sua melhor atuação como Viúva Negra até hoje, e Sebastian Stan. Depois de mais de dez filmes lançados, a Marvel consegue elevar, mais uma vez, seu padrão de qualidade.

Já sobre as aguardadas participações do Homem-Aranha e do Pantera Negra: ambas são excelentes, mas é melhor não entrar em detalhes e deixar espaço para as surpresas. Você provavelmente vai sorrir durante a projeção.

spider man captain america civil war
Tom Holland como Homem-Aranha: a versão mais divertida dele no cinema

Acredite no hype: Capitão América: Guerra Civil é um ótimo filme, que cumpre todas as funções que lhe foram incumbidas.

Doutor Estranho é o próximo filme no gatilho da Marvel. Parte da fase três e dirigido por Scott Derrickson, estreia em novembro de 2016. Veja aqui o trailer.

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