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O que educação tem a ver com escutar histórias de pessoas?

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Me formei em jornalismo, mas demorei muito tempo para me sentir jornalista de fato. Hoje, brinco que "fiz as 'pazes' com a profissão", principalmente depois de descobrir que por trás de cada pessoa existe uma história maravilhosa e de entender que tenho uma curiosidade encantadora para conhecer cada uma dessas histórias. Mais do que um hobby, aprendi que fome de conhecimento é fundamental na educação.

Todas as tardes de quarta-feira, vou para a sala de aula de uma escola privada de São Paulo, mediar um curso extra-curricular que propõe que jovens com idades entre 10 e 14 anos criem projetos para melhorar o bairro onde moram e estudam. Mais do que as alegrias de estar em uma escola fazendo com que estudantes tirem seus sonhos do papel, o que gosto são as conversas e a troca de histórias que fazemos toda semana.

"A construção de relações dialógicas sob os fundamentos da ética
universal dos seres humanos, enquanto prática especifica humana
implica a conscientização dos seres humanos, para que possam de
fato inserir-se no processo histórico como sujeitos fazedores de sua
própria história
", Paulo Freire

Costumo chegar meia hora antes e sair pelo menos meia hora depois de cada encontro. São nestes momentos em que consigo conhecer a história de cada participante do projeto, saber mais sobre as pessoas que são importantes para eles, entender os hábitos que alegram essa garotada e também os suas preocupações. Em contrapartida, eles descobrem que eu também tenho uma vida (agitada) fora daquelas duas horas de encontro e têm/ se mostram curiosos para saber mais sobre meu trabalho, meus amigos, minha família.

Paulo Freire defendia que o compromisso entre as pessoas era a essência de uma educação problematizadora, humanista e crítica. É exatamente nessa construção, horizontal e baseada na confiança, que a transformação do mundo acontece. "O diálogo em Paulo Freire está relacionado à autonomia dos sujeitos. Ele tem significação precisamente porque os sujeitos dialógicos não apenas conservam sua identidade, mas a defendem e assim crescem uns com os outros. O diálogo, por isso mesmo, não nivela, não reduz um ao outro. Nem é favor que um faz ao outro. Nem é tática manhosa, envolvente, que um usa para confundir o outro. Implica, ao contrário, um respeito aos sujeitos nele engajados", escreveram pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).

Curiosidade em todos os momentos

Essa curiosidade e esse respeito pelas histórias dos outros não podem se restringir à sala de aula. Tenho um hobby secreto de buscar na internet os nomes de pessoas comuns que vejo em entrevistas ou depoimentos rápidos em jornais, revistas e televisão. Quero saber quem são aquelas pessoas, como é o cotidiano delas, quais são as coisas curiosas de suas histórias. Penso que isso aguça minha sensibilidade para continuar nessa busca enquanto caminho pela cidade, quando encontro tanta gente diferente durante a semana e principalmente quando estou em conversas sobre educação e desenvolvimento individual.

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