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Um ensaio sobre a cegueira coletiva

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FLAVIO BOLSONARO
Reprodução/TV Band
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A que ponto chegamos? A pergunta que me veio à cabeça foi inevitável ao ler a notícia de que o pai de Flávio Bolsonaro impediu Jandira Feghali de prestar socorro ao filho, que teve queda de pressão, passou mal e precisou deixar o debate entre os candidatos a prefeito do Rio, realizado pela TV Bandeirantes, na semana passada.

Jair Bolsonaro disse que Jandira Feghali iria dar veneno de rato a Flávio. Quem em sã consciência impediria o próprio filho de ser socorrido levando em consideração única e exclusivamente seus apegos ideológicos?

Falo sobre esse episódio para refletir sobre o assunto de maneira mais abrangente, observando a atitude tomada a partir de um grau exacerbado e doente de fazer escolhas.

Todos sabem das rivalidades políticas existentes entre os dois, mas quando se trata de questões totalmente alheias a posições políticas, agir como se estivesse digladiando ao microfone sob holofotes beira à insanidade, porque a intolerância, essa úlcera da sociedade, já ficou no meio do caminho.

Não considero a polaridade em si algo maléfico para a sociedade. O que devemos é colocar limites para não im-por e sim, com-por.  E  me causa profundo incomodo notar que uma figura quase "venerada" por alguns é capaz de colocar em risco a vida de alguém - e neste caso a do próprio filho - alegando divergências ideológicas num momento de emergência médica.

De que adianta se dizer de um partido cristão, buscar a benção em Terra Santa e confessar a fé em Jesus se na prática a atitude é o oposto do que nos ensinou o Mestre? Jesus morreu pelas mãos da intolerância.
 
Cultivar o ódio só agrava nosso escancarado fundo do poço que busca na verdade absoluta de um, a anulação do outro, nos condenando a viver sob o jugo da intolerância, que não reconhece nem respeita quem pensa ou fala de maneira divergente. Não fazem muito diferente os adeptos ao Estado Islâmico ou Al Qaeda.

Que postura é de se esperar de um pai, que "é" pai antes de "estar" qualquer outra coisa? Resisto muito a acreditar que estamos debatendo a falência de nossos valores, mas assim como a indagação que me veio à cabeça foi inevitável, também considero indeclinável a ideia de que a tolerância é uma exigência ética para todos nós, de qualquer raça, credo ou ideologia.

Quem pensa diferente de nós não está contra nós.

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