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Como a agropecuária brasileira pode contribuir para enfrentar as mudanças do clima?

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Jim Young / Reuters
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O Acordo de Paris para conter a elevação da temperatura do planeta entrou em vigor em 4 de novembro de 2016, bem antes do previsto. Muita gente ainda não entende o quanto isso foi importante para a história da humanidade e da Terra. Precisamos reverter com urgência a dinâmica dos gases de efeito estufa, os GEE, que têm alterado o clima, trazendo uma série de consequências para nosso dia a dia, como as chuvas torrenciais, as secas prolongadas, fenômenos como furacões e até falta de água nas torneiras das grandes cidades.

Mas o que tudo isso tem a ver com a carne que consumimos? Em 2015, as emissões brasileiras aumentaram 3,5% em relação a 2014, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). O setor de agropecuária teve um aumento de 0,6% no mesmo período. A agropecuária representa 22% das emissões totais do Brasil, o terceiro setor que mais emite, depois de mudança do uso da terra e energia (veja mais dados aqui).

Enquanto as emissões aumentavam, apenas 1% do crédito agrícola na safra 2015 e 2016 foi investido no Programa ABC, linha de crédito voltada para financiamento da implementação de técnicas de agropecuária de baixa emissão de GEE. Ao mesmo tempo, no Plano ABC (que abrange o Programa), o governo brasileiro não destinou recurso específico para outras ações, como assistência técnica e extensão rural, voltadas para agropecuária de baixo carbono, por exemplo.

Em outras palavras, o ponto a ser ressaltado é o grande potencial que o setor agropecuário carrega para ajudar a diminuir as emissões de GEE do Brasil. A área de pastagem degradada no país deve ser recuperada e utilizada de maneira eficiente, podendo assim parar de emitir carbono e passando, inclusive, a capturá-lo. Com o uso das técnicas adequadas, é possível utilizar uma área bem menor do que 1 hectare (aproximadamente um campo de futebol) para criar um boi. Essa é a média da produção brasileira hoje.

Essas técnicas, já bem desenvolvidas, aqui mesmo no Brasil, só serão aplicadas de maneira correta se forem apoiadas, pelo menos inicialmente, e discutidas com os proprietários de terra de maneira que façam sentido na lida diária da fazenda. O desmatamento tem relação direta com o uso eficiente da terra. Em uma área menor, melhor aproveitada, é possível produzir mais sem a necessidade de abrir novas áreas de floresta para a agropecuária.

Mas também é importante entender que cada cidadão precisa cobrar do poder público e da iniciativa privada meios para que a agropecuária colabore para alcançar as metas estabelecidas em Paris. O Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de GEE em 37% abaixo dos níveis de 2005, até 2025, e em 43%, até 2030. Para alcançar esses novos limites, foram estabelecidas metas para agricultura, bioenergia, florestas, indústria e transportes. No caso da agropecuária o objetivo é restaurar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e implementar 5 milhões de hectares de sistemas de integração lavoura-pecuária-florestas (iLPF) até 2030.

Estamos na época da COP, a conferência anual do clima, que acontece em Marrakesh, no Marrocos, em 2016. Os representantes dos países que estão reunidos lá, de 7 a 18 de novembro, devem articular as ações que atendam aos compromissos de redução de emissão estipulados em Paris no ano passado. O Brasil tem um papel muito importante, por exemplo, porque é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. As metas do Brasil são audaciosas e, daqui para frente, espera-se que o país construa, e rápido, uma estratégia eficaz para alcançá-las.

* Grupo de Trabalho da Agricultura de Baixo Carbono (ABC), da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura - liderado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), com a participação de outras cerca de dez instituições e empresas, atua para que sejam adotadas práticas de baixa emissão de carbono na agricultura em larga escala.

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