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Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura Headshot

Juntos pela economia de baixo carbono. Mas como assim?

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LOW CARBON
Charles Platiau / Reuters
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Um grupo de brasileiros se uniu em dezembro de 2014 para formar um movimento pioneiro de nome um tanto enigmático: Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Não é uma ONG, nem uma associação, ou uma empresa, mas se entende como movimento. Essas pessoas representam, na verdade, muitas organizações e empresas dos mais variados segmentos (florestais, cosméticas, portuárias, alimentícias etc.) e associações setoriais. O ponto em comum é uma transformação necessária e inevitável: a transição do modelo econômico atual para uma economia de baixo carbono.

E o que é uma economia de baixo carbono? São várias as definições: atividades produtivas que emitem pouco ou nenhum gás causador do efeito estufa (GEE, no jargão, ou carbono), mais eficiência nos processos produtivos, menos pressão sobre recursos naturais, responsabilidade social e ambiental em toda a cadeia produtiva. Para o grupo que criou a Coalizão, a economia de baixo carbono envolve tudo isso, e, principalmente, é pautada pelo "e": ou seja, produzir com ganhos econômicos e cuidar para que os GEE não comprometam a existência humana na Terra.

O lançamento oficial da Coalizão se deu em junho de 2015, e em setembro de 2016 o movimento já contava com mais de 140 integrantes. Seu objetivo? Fazer o Brasil adotar a economia de baixo carbono para garantir mais competitividade, inclusão social e preservação ambiental. O foco de ação está nas atividades de uso da terra (agropecuária) e de mudanças no uso da terra (desmatamento), que englobam agricultura e florestas, bem como sua interação com as mudanças climáticas. Há bons motivos para isso.

Primeiro, a elevação da temperatura do planeta e as alterações no clima provocam anomalias nos padrões de chuva, ondas de calor intensas, mais força e frequência de tempestades. E o que esses fenômenos trazem? Derretimento de geleiras, elevação do nível do mar, deslizamentos, enchentes, doenças, perda de safras agrícolas, desaparecimento de espécies. Segundo, os cientistas do Painel Intergovernamental para as Mudanças do Clima (IPCC) explicam que esse aquecimento é causado pelo aumento de emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros GEE e que as atividades humanas contribuem fortemente para isso.

Do total aproximado de 50 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (CO2e, uma unidade de medida que inclui todos os GEE) emitidas por ano no planeta, dois segmentos econômicos são os principais responsáveis pelas emissões de GEE: produção de eletricidade e aquecimento (29%) e mudança no uso da terra (24%). Só em 2014, cerca de dois terços das emissões no Brasil (1,5 bilhão de toneladas de CO2e) estavam associadas à agropecuária ou à mudança no uso da terra, de acordo com o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases do Efeito Estufa (SEEG).

Nesse cenário, a Coalizão é um movimento multissetorial, singular, que abre espaço para diferentes vozes expressarem suas opiniões, buscando o consenso e promovendo iniciativas transformadoras. Seus principais temas são: bioenergia, economia da floresta tropical, recuperação e restauração florestal, implementação do Código Florestal, agropecuária de baixo carbono, valoração do carbono e cooperação internacional.

O movimento mantém conversas com governo e sociedade e apresenta propostas concretas para o Brasil exercer a economia de baixo carbono, pois sabe que emitir menos gases de efeito estufa é o principal desafio deste século 21. Não à toa esteve presente e atuante na assinatura do Acordo do Clima em Paris e está trabalhando, por meio de cooperação com o governo, para que o Brasil cumpra suas metas de fato e nos prazos. É possível resolver esse problema, juntos! Quem viver verá!

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