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A discriminação racial em ambientes de trabalho aumenta a cada dia

Publicado: Atualizado:
RACISM
Giorgio Majno via Getty Images
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"Era o final do expediente, estava trabalhando no computador quando vi a presidente da empresa vir andando na direção da minha mesa. Ela parou e na frente de toda equipe e me olhando com desprezo ordenou: TIRA ISSO! Isso a que ela se referia eram as minhas tranças e eu e todos os presentes ficamos chocados com a agressividade da fala gestora da empresa."

Assim começa o relato de Luanna Teofillo, desenvolvedora de negócios, empreendedora e uma das fundadoras do Coletivo Efigenias, que após sofrer racismo e denunciar a agressora, foi demitida de forma degradante de seu trabalho em uma multinacional de comunicação corporativa. Ela narra sua história:

"Eu me dava bem com meus colegas mas já me sentia incomodada com alguns comentários preconceituosos que ouvia no escritório. Uma vez uma das funcionárias, para me chamar, ao invés de usar meu nome gritou de longe um sonoro "Ô globeleza!", como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ninguém disse nada."

Depois da fala da presidenta, Luanna denunciou o ocorrido ao RH e dois dias depois foi feita uma reunião entre ela, a gerente de RH e a presidenta da empresa, e foi onde as coisas se tornaram ainda piores. Além de não se desculpar ou demonstrar qualquer arrependimento com o que estava causando, a presidenta ameaçou chamar seus advogados e ainda disse para a gerente de RH que a partir daquele momento as pessoas seriam "investigadas" antes de serem admitidas na empresa para não causar mais problemas como já havia acontecido no passado.

Depois da trágica reunião reunião, Luanna exigiu que os fatos fossem reportados à sede da empresa nos Estados Unidos. Foram colhidos depoimentos das testemunhas e alguns dias depois, empresa chegou a conclusão de que não houve racismo. Foi quando Luanna decidiu procurar uma advogada e denunciar a presidente e a empresa.

Denúncias de casos de discriminação racial dentro do trabalho aumentam todos os dias. São médicas, professoras, profissionais que são discriminadas ou impedidas de trabalhar por causa de sua cor, cabelo, adereços culturais e religiosos. Há alguns meses o Coletivo Efigenias vem acompanhando o caso de A.C, jovem profissional que foi contratada para trabalhar em uma grande rede varejista de joalherias com mais de 160 lojas nas principais cidades do país. Empresa essa que em todos os anos de mercado brasileiro teve menos de 10% de mulheres pretas representando seus produtos na publicidade. Depois de passar por um processo seletivos rigoroso e ser contratada para uma loja em um shopping no ABC Paulista, em seu primeiro dia de trabalho A. foi enviada de volta para casa. Motivo? A gerente da loja disse que para trabalhar ali ela teria que retirar suas tranças.

Por essas e outras experiências Luanna Teofillo resolveu criar a página e a hashtag #tiraisso onde profissionais poderão deixar seus relatos de casos de racismo e discriminação ocorridos no ambiente de trabalho e a comunidade compartilhar notícias e iniciativas que combatam o racismo e a discriminação. O relato de Luanna na página já foi compartilhado mais de 500 vezes e ela está sendo apoiada por seus familiares, amigos, colegas de trabalho e muitas pessoas que se revoltaram contra essa grande violência.

É ainda mais revoltante imaginar que algumas pessoas acreditem que discriminar, humilhar, despedir e escoltar uma mulher preta de um escritório não iria gerar revolta nas pessoas. Luanna afirma que recebeu uma notificação extra-judicial para retirar a página do ar e desabafa: "Primeiro ela queria que eu tirasse o meu cabelo, agora quer que me cale!" Ela pretende prosseguir com a página, publicar os depoimentos e ajudar mais pessoas que passem pela mesma situação.

E o Coletivo Efigênias está com ela.

Chamada a se pronunciar a empresa soltou o seguinte comunicado aos meios de comunicação:

"A PR Newswire, empresa global de serviços de comunicação lamenta o mal entendido ocorrido em suas dependências. A companhia repudia qualquer tipo de intolerância e preconceito e ressalta que possui códigos de conduta e políticas internas que visam estabelecer o bom convívio no ambiente de trabalho, bem como a condução ética em seus negócios. Ainda a PR Newswire entende que este é um tema importante e por esse motivo dedicou todos os esforços para elucidar o episódio, que está devidamente esclarecido"

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