Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Cristina Moreno de Castro Headshot

10 coisas que tornam a amamentação muito mais fácil

Publicado: Atualizado:
BREASTFEEDING
Ebby May via Getty Images
Imprimir

Quando o Luiz tinha apenas um mês e meio -- ou seja, há quase 5 meses atrás --, escrevi aqui um desabafo: estava achando esse negócio de amamentar um pé no saco. Estava me sentindo presa, porque cada mamada durava de 20 a 30 minutos e acontecia a cada 3 horas. Estava nervosa, porque às vezes a mamada era intranquila, com choros inexplicáveis.

Eu e Luiz, Luiz e eu

Estava irritada com o tanto de leite, com os vazamentos, com a falta de jeito para contê-los. E, acima de tudo, estava sentindo uma dor insuportável, insuportável mesmo, que não era externa (rachaduras, fissuras, essas coisas que muitas mães têm), mas interna, parecendo uma queimação ou um eletrochoque dentro do peito. Pra piorar, estava angustiada porque, tirando minhas irmãs, eu não conhecia ninguém mais com dor parecida, nem conseguia achar nenhuma informação na internet sobre o sofrimento e como amenizá-lo. As outras mães pareciam incrédulas e eu me sentia um extraterrestre.

Mas o tempo passou.

Luiz completou seis meses na semana passada, o que significa que estou há mais de seis meses aprendendo e aprimorando esta arte/ciência de amamentar. Afinal, foram em média sete mamadas por dia, o que significa que já amamentei cerca de 1.300 vezes! Hoje, nenhum dos problemas acima acontece mais: não me sinto presa, não me sinto irritada, não me sinto dolorida e nem angustiada. Meu bebê está cresceeeeendo, gordinho, fortinho, e nunca teve nem um resfriado nesse meio aninho de vida. Não atribuo isso apenas à amamentação -- não acho que ela seja miraculosa, como algumas pessoas pregam. Mas acredito, sim, que esse contato com meus anticorpos pode ter ajudado a fortalecer o Luiz no momento em que ele estava mais frágil, logo que nasceu. Por isso, acho que valeu a pena ter insistido.

Mas, alto lá! Estão erradas aquelas mães que, sofrendo de dor/raiva/angústia/etc resolvem jogar a toalha e partir pra fórmula? Eu não acho que estejam. Penso que cada mulher conhece seu próprio limite e que a amamentação não pode ser sinônimo de dor ou escravidão, inclusive porque nem deve fazer bem para um bebê ver a mãe chorando a cada embocadura. Acho que as pessoas devem apontar menos o dedo para as outras e entender que, no fim das contas, cada uma sabe onde o calo aperta. E, se o seu calo não apertou o suficiente, que sorte a sua!

Mas se você está no comecinho desse percurso e ainda não quer desistir, este post tem a intenção de trazer uma lufada de alívio para suas tão pesadas costas, cara mamãe-de-primeira-viagem. Sei por experiência própria que é muito fácil achar informações sobre os problemas da amamentação na internet, mas pouco se fala sobre quando eles acabam! Por isso, quero dividir com você as coisas que foram facilitando, pouco a pouco, esse processo da amamentação. E que tornam tudo até muito prazeroso a esta altura, passados seis meses. Espero que o incentivo ajude pelo menos a te dar um pouquinho mais de força na hora que o desânimo bater:

1. O bebê aprende a pegar direito.
Isso deve acontecer ainda no começo, quando seu filho estiver com poucos dias ou semanas de vida. No início você vai ficar segurando a aréola, puxando o beicinho de baixo do seu filho, tentando acomodá-lo melhor no colo, buscando a melhor posição para todos. Mas vai chegar um belo dia, que vai te fazer abrir um sorrisão: o dia em que você não vai precisar fazer nada, puxar nada, ajustar nada -- vai apenas oferecer o peito para seu filho e ele vai abocanhar direitinho, sem dor externa alguma. Depois disso, o risco de ter rachaduras e fissuras no peito vai cair a quase zero.


2. O bebê começa a mamar em horários definidos.
Ou com uma frequência certinha. Algumas mães -- eu incluída -- optam por incentivar essa frequência assim que o bebê completa os dez dias de vida, acabando com essa história de livre-demanda. Claro que depende do bebê também, mas com o Luiz foi bem fácil estabelecer esse prazo: ele mesmo só queria mamar de 4 em 4 horas e era como um reloginho. Depois a frequência caiu pra 3h em 3h e hoje gira em torno de 2h30 a 2h30. Mas mesmo se você for adepta da livre-demanda, acredito que seu bebê logo vai criar um ritmo próprio, o que vai diminuir bastante a sensação de escravidão -- porque você vai poder se programar melhor e aproveitar melhor seu tempo enquanto ainda estiver de licença-maternidade. Essa definição de uma frequência deve acontecer mais ou menos no primeiro mês.



3. O bebê começa a interagir com você.
Isso aconteceu comigo quando o Luiz tinha um pouco menos de 3 meses de vida. Num belo dia, ele parou de mamar um minutinho, sorriu e até pegou nos meus óculos. Isso faz toda a diferença, eu acho. Porque, até então, eu me sentia uma vaca leiteira. Ele chorava, eu ia saciá-lo e ele nem tchum. Quando começa a rolar a interação, amamentar fica muito mais gostoso!

Ao mesmo tempo, você começa a entendê-lo melhor. No começo, o Luiz às vezes chorava muito durante a mamada. Eu ficava nervosa, sem entender, insistindo em dar de mamar. Um belo dia, entendi que ele chorava porque simplesmente não queria mais. Aí passei a colocá-lo para arrotar toda vez que começava a chorar e depois oferecia de novo -- quase nunca aceitava. Cada bebê vai ter seu motivo para o choro, mas o choro será uma das primeiras e mais importantes formas de comunicação dele, então é importante quando a gente -- cada uma a seu tempo -- aprende a decifrá-lo.

4. O bebê para de mamar de madrugada.
Isso só começou a acontecer com o Luiz quando ele estava com 4 meses. E foi um longo processo, que só parece estar terminando agora, com ele aos 6 meses. Eu fui cortando a mamada da madrugada (costumava ser uma só), dando o bico quando ele acordava com seus resmunguinhos. Ele logo voltava a dormir. Ainda era chato ter que levantar para dar o bico, mas aos poucos ele foi parando de acordar de vez. Nada melhor do que dormir sem interrupção por algumas horas, pelo menos seis! A mamada da madrugada é considerada a mais sacrificante para a maioria das mães-zumbis.

5. A dor insuportável para de acontecer.
Essa vale só pras poucas mães que sabem de que do estou falando. Não anotei no meu caderninho quando foi a última vez que senti aquela dor, mas acho que foi por volta dos 4 meses. Ela foi rareando, rareando, rareando, até sumir de vez. E a intensidade também diminuiu aos poucos. Ufa!

6. Você aprende a combater o risco de mastite.
Outra dor, no entanto, me acomete de vez em quando: a dor da pré-mastite (existe isso?). É diferente e eu não sou boa para descrever sensações, mas quem já teve sabe como é ruim. Geralmente chega junto de uma dor generalizada no corpo, febrinha, desânimo. Como se fosse uma gripe. Eu já tive isso umas cinco vezes, a última no dia 23 de março, quando Luiz estava prestes a fazer 4 meses. Mas essa dor geralmente está associada a excesso de leite acumulado no peito, que empedra -- e se resolve facilmente com a ordenha. Se você consegue retirar leite com as mãos, ótimo, mas, se for da minha turma de desengonçados, o melhor é contar com uma bomba elétrica -- comprada, alugada ou emprestada. Minha amiga Nat me emprestou a dela em fevereiro e já me salvou inúmeras vezes. Hoje em dia uso todos os dias para deixar um pouco do meu leite para o Luiz antes de sair para o trabalho.



7. O bebê aprende a mamar bem mais rápido.
Se no começo o Luiz levava de 20 a 30 minutos em cada mamada, com uns 4 meses ele já tinha reduzido esse tempo para 5 minutos. A sucção dos bebês vai ficando mais potente, então isso vai acontecer com seu filho também.

8. O leite começa a se regular.
Essa é, pra mim, a melhor das evoluções! Primeiro porque acabam aqueles vazamentos de leite o tempo todo, terríveis, que deixam a gente com um cheiro azedo o dia inteiro. Também porque não ficamos mais com o peito explodindo e correndo risco de ter mastite. O corpo vai adaptando a produção à demanda, e isso acontece aos poucos. Na verdade, no meu caso ainda está acontecendo, porque, quando eu já estava bastante regulada, parei de amamentar de madrugada -- e o corpo teve que se adaptar de novo. Quando já tinha acertado os ponteiros, voltei ao trabalho -- e ainda estou me adaptando pela terceira vez.

9e896365-6399-459f-933b-1952dc6891ae

9. Você passa a dividir o leite com outros alimentos.
O recomendável é que isso aconteça quando seu bebê completar 6 meses e precisar de outros alimentos para se nutrir. No meu caso, como voltei ao trabalho quando o Luiz tinha 5 meses, foi nesse momento que passei a dividir meu leite com a fórmula. A partir desse momento, ganhamos uma liberdade extra, que não tínhamos até então, nem retirando e armazenando nosso leite ordenhado. Porque, se acaba seu leite no congelador, não tem nada que possa ser feito até você chegar em casa. Mas, se acaba a fórmula, é só ir até o mercado ou a farmácia e comprar outra. Quando a amamentação deixa de ser exclusiva, ela se torna muito mais prazerosa.



10. Você volta a trabalhar e os momentos da amamentação, juntinhos e só vocês dois, se tornam mais especiais.
Eu nunca gostei de amamentar fazendo outras coisas, tipo falando ao celular ou vendo TV. Pra mim, a hora da amamentação sempre foi num cantinho sossegado, silencioso, só Luiz e eu. Passo aqueles minutinhos, que estão cada vez mais rápidos, observando meu filho, suas mãozinhas, pezinhos, a forma como ele se alimenta e fica saciado. E pensando na vida. É um momento só nosso: nem o querido pai do Luiz costuma interagir muito com a gente nessas horas, para não distrair o Luiz. Agora que voltei a trabalhar, esses momentos se tornaram ainda mais especiais e valiosos. É a hora de matar as saudades quando reencontro o Luiz, ou de me despedir antes de ir pro jornal. É um aconchego, mais que uma alimentação.

Bônus
A história de que amamentar emagrece é controversa. Há quem diga que isso é lenda, há quem diga que não é. Não sou especialista, então só posso falar sobre a minha experiência: durante a gravidez, engordei 17 kg. Perdi todos eles 3 meses após o nascimento do Luiz. Quando ele estava com 5 meses, eu já tinha perdido 3 kg a mais. Ou seja, em cinco meses, fiquei mais magra do que antes de engravidar. Isso sem poder fazer regime, que não é recomendado a quem amamenta, e sem ter tempo nenhum para fazer exercício físico. Então, se não foi a amamentação -- e, bem, a correria do dia a dia de uma mãe --, não sei o que mais que me fez perder tanto peso.

barrigao

Mas tem o lado ruim: estou ficando careca. Dizem que é normal as mães recentes perderem muito cabelo, e que quando o bebê está com uns 6 meses a situação já vai se regularizando. No meu caso, está só piorando. Vamos ver se volta a crescer antes que eu tenha que comprar uma peruca.

E você? Como está sendo sua experiência de amamentar? Ou como foi? O que você pode nos contar sobre como a amamentação foi ficando mais fácil com o tempo?

Post originalmente publicado no blog da kikacastro

LEIA MAIS:

- Mais posts sobre maternidade

- Músicas para Luiz, meu bebê de 6 meses

Também no HuffPost Brasil:

Close
As belezas da amamentação
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual