Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Dany Santos Headshot

A esquerda brasileira precisa acordar

Publicado: Atualizado:
MARCELO FREIXO
Sergio Moraes / Reuters
Imprimir

Marcelo Crivella se elegeu com 59,37% dos votos válidos contra 40,63% do Marcelo Freixo. Freixo conseguiu o maior número de votos, principalmente, na Zona Sul enquanto Crivella conquistou grande parte da Zona Norte e a Zona Oeste. O candidato do PRB obteve 1,7 milhão de votos. Freixo, 1,2 milhão. A soma entre brancos, nulos e abstenções foi de 2.034.352 votos, número que ultrapassou a quantidade de votos dos dois candidatos.

A reação da Esquerda foi imediata. Não faltou xingamento para os eleitores do Crivella e dos que optaram por não escolher nenhum dos dois: 'ignorantes', 'burros' e 'alienados' foram termos utilizados para desqualificar o voto da maioria, o que é, no mínimo, desonesto e antidemocrático. Aceitemos a derrota. Sem tristeza? Não, mas com um sinal de alerta ligado: essa esquerda não está dialogando com o povo. A igreja, sim. Nada mais natural que votar em quem abre as portas do templo e oferece a água que cura o que o Estado não dá conta de curar. Nosso desafio agora é combater essa política sem desdenhar da fé alheia. Respeito, sempre.

Ao invés de vociferar palavrões contra a maioria que elegeu um candidato, é preciso analisar o contexto que entregou o Rio a Crivella. Observando alguns dos principais comentários na página do candidato vencedor no Facebook, é possível notar que a população elegeu um aquele que prometeu CUIDAR do povo e AJUDAR as pessoas, que é espelho desse povo por ser um HOMEM DE DEUS, por sua suposta SIMPLICIDADE e por estar pessoalmente NO MEIO DO POVO:

"Chegou a hora do povo do Rio de Janeiro ter alguém que CUIDE deles e que TRABALHE POR eles. O carioca vai se surpreender, porque não está habituado a isso e nunca teve alguém assim que cuide das pessoas." (F.S.)

"Crivella 10 humildade SIMPLICIDADE bom caráter sabe ouvir às pessoas." (M.C.)

"Parabéns Prefeito! A Bahia também te ama, obrigado por nos ter deixado com um projeto tão lindo, que AJUDA muitas famílias até hoje!! O Rio também merece essa bênção! Um justo governando!" (C.G.)

"Na Bahia ele gravou um cd com lindos louvores e usou o lucro do CD intitulado projeto nordeste para a construção de um oásis na caatinga. A fazenda Canaã que funciona até hoje com escola, alimentação, plantação, gerou emprego nessa fazenda, fez uma panificadora, atendimento médico e odontológico e muito mais. Em 1999 tenho o CD até hoje. Sou de SP admiro muito esse homem. Rio EM BOAS MÃOS." (E.N.)

"Nunca vi um prefeito eleito, comemorar a vitória dentro da favela, recebeu a notícia da vitória aki na minha comunidade, Vilar Carioca NO MEIO DO POVO.... Parabéns meu Prefeito." (M.A.)

"Filhão, você é inteligente, abençoado, FILHO DE DEUS, COMO TODOS NÓS,, então torço muito para que você consiga fazer o Rio de Janeiro crescer de novo." (N.P.)

Com seu slogan "chegou a hora de cuidar das pessoas", Crivella investiu na construção de uma imagem pacífica e paternalista. Diante de uma população que sofre todos os dias com violência das mais variadas formas, seu discurso caiu como uma luva. Em uma cidade caótica como o Rio de Janeiro, Crivella adotou um mecanismo poderoso em seu discurso durante toda a sua campanha e nas suas considerações finais no último debate, o de tranquilizar a população assustada e prometer CUIDAR da cidade como um pai cuida de seus filhos: "quero tranquilizar você", "vote no candidato que tem mais maturidade, que pode suportar todo o calor disso tudo e manter a calma e controlar o Rio de Janeiro", "quero governar pra você", "chega de briga", "chegou a hora de cuidar das pessoas, me dê a honra de fazer isso por você".

Por outro lado, Freixo, com um programa de governo democrático e promissor, com sua bandeira de mudança, redução de desigualdades e o comprometimento de beneficiar os trabalhadores, fez questão de deixar claro que seu papel não é decidir pela população, mas com a população: "Eu não vou cuidar de você porque você não precisa que eu cuide de você. Eu vou governar com você. Você sabe se cuidar. O que você precisa é de democracia e de ser ouvido. E isso vai acontecer". No entanto, seu apoio veio de coletivos e militâncias privilegiadas que não representam a maioria da população.

A população vota em quem fala a sua língua, em quem promove a sensação de pertencimento e em quem lhe representa, seja por ser do povão ou da igreja. Freixo não se enquadrou em nenhum deles. Se a esquerda não aprender a se comunicar para além das universidades, dos coletivos e de uma militância que não chega à periferia, estaremos fadados ao obscurantismo de um Estado desigual e demagogo.

LEIA MAIS:

- Em defesa da sanidade materna

- Sobre não querer 'aturar' crianças

Também no HuffPost Brasil:

Close
10 séries de TV para quem gosta de política
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual