Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Dany Santos Headshot

Por que mães e pais devem se posicionar contra a aprovação da PEC 241

Publicado: Atualizado:
CONGRESS BRAZIL
Bloomberg via Getty Images
Imprimir

A PEC 241passou pela Câmara dos Deputados em primeira votação. Para ser aprovada, ela ainda precisa passar por mais uma votação na Câmara e mais duas votações no Senado. Caso seja legitimada, a PEC deverá começar a valer em 2017 e valerá para o Executivo, Legislativo e Judiciário.

Depois de levar um susto com as propostas de mudanças drásticas nos direitos trabalhistas (aumento da jornada de trabalho semanal para 80 horas, por exemplo) e a reforma da previdência (idade mínima de 65 anos para aposentadoria), pensamos que nada poderia piorar. Aí, vem a PEC 241, a maior afronta aos direitos sociais no nosso País. Dentre tantas atrocidades, a medida tem a intenção de congelar gastos com saúde, educação e assistência social pelos próximos 20 anos, além de a proposta incluir o congelamento do valor do salário mínimo, que seria reajustado apenas pela inflação.

Mas o que isso realmente significa?

Segundo estudos do Dieese, isto significa que se essa medida estivesse valendo desde 2002, o investimento na saúde teria sido menor que 26% (R$ 300 bilhões a menos do que foi investido). Se você acha a saúde precária (eu também acho!), seria muito pior com um orçamento apertado dessa forma. Além disso, cortes em programas básicos, como a Farmácia Popular e Samu, podem significar um desastre iminente na saúde. Não é à toa que o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, defende a criação de um plano de saúde "mais popular" para "desafogar" o Sistema Público de Saúde. Ao invés de propor um investimento maior no SUS para a sua melhoria, a proposta é aumentar o lucro das empresas de plano de saúde, que poderão passar a oferecer "planos populares" oferecendo um serviço precário. E o dinheiro, é claro, sai do bolso do mais pobre.

Na educação, teríamos menos 47% de investimento (R$ 377 bilhões a menos). Oras, sabe-se que qualquer país desenvolvido investe, principalmente, em educação. No entanto, educar o povo não é a solução para a melhoria de um país que quer beneficiar apenas 1% da população, os donos das fortunas inacreditáveis. Colocar a educação em uma crise pior que já está não é um acaso; é um projeto. Um povo educado e crítico não se deixa manipular. Um povo educado com acesso à informação saberia que o salário mínimo, que é hoje R$ 880,00, seria R$ 550,00 se essa PEC estivesse valendo.

E por que nós, mães e pais, estamos preocupados?

Porque, nos próximos 20 anos, nossos filhos terão menos escolas, menos médicos, menos transporte público, menos segurança e menos saneamento básico. Nós e nossos filhos pagaremos por uma conta que não é nossa. Aquele 1% (empresários, banqueiros e donos de terra, donos da maior parte da riqueza do País) não entra na conta. Eles serão beneficiados enquanto nós, trabalhadores e assalariados, teremos nossos direitos básicos roubados por uma elite que tem um plano bem claro: abandonar os mais pobres - projeto de uma sociedade nitidamente escravagista.

É claro que vocês lembram daquela história de Robin Hood, um herói inglês fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Hoje, está sendo contada a história do Robin Hood às avessas: o que rouba dos pobres para dar aos ricos. Vamos trabalhar mais, ter nossos direitos básicos sacrificados para que meia dúzia de pessoas tenha suas fortunas aumentadas. A solução jamais seria taxar impostos de grandes fortunas e heranças ou fiscalizar a sonegação de impostos gigantescos. Muito menos mexer com banqueiros, que se beneficiam enchendo seus cofres com os juros da dívida pública! A solução é cortar saúde, educação e direitos trabalhistas do povo.

Estamos sendo espoliados por uma elite classista e desumana que deseja, a qualquer custo, manter seus privilégios às custas do nosso suor. Não foi só o ódio partidário que nos fez chegar até aqui. Foi o ódio contra pobres. Nossos filhos terão sua infância e adolescência comprometidas por essa PEC. Vamos à luta ou vamos continuar assistindo ao jantar na cobertura às custas do nossos dinheiro?

LEIA MAIS:

- A parte trágica da 'PEC do fim do mundo' é que você apoiou sem saber

- A primeira infância é responsabilidade de toda a sociedade e não só da mãe

Também no HuffPost Brasil:

Close
Temer e líderes mundiais
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual