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O Brasil de luto e a insensibilidade do Congresso

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PEC 55
Adriano Machado / Reuters
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Dia 29 de novembro. Pela manhã, Michel Temer decretou luto de três dias por conta da lamentável tragédia com o avião que transportava o time da Chapecoense.

À noite, a PEC 55 (antiga PEC 241) foi aprovada em primeira votação com 61 votos a favor e 14 votos contra. A PEC 55 ainda passará por mais 3 sessões de discussão e por mais uma votação, que será a última, no dia 13 de dezembro. Nada mais simbólico (e desonesto) que aprovar 20 anos de cortes no investimento público em um dia de luto nacional, em um dia em que o povo está fragilizado e vulnerável. Nada mais indecente e vergonhoso que atacar os direitos da população durante um processo de sofrimento coletivo.

Do lado de fora do Congresso, manifestantes de movimentos estudantis e sociais que protestavam pacificamente contra a PEC 55 levaram bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha.

Segundo Benedita da Silva (PT-RJ), "foi a maior repressão aos estudantes brasileiros". Manifestantes descrevem a forma ditatorial do governo ao atacar violentamente o povo nas ruas: "havia muita criança, muito idoso, muitas famílias que vieram [para Brasília] do Brasil inteiro. A caminho do Congresso, a polícia estava fazendo um cordão. Muita gente de direita ao lado da polícia proferindo uma série de palavrões em direção à manifestação. Uma manifestação pacífica com muitos estudantes. De repente, um grupo virou o carro da Rede Record e foi recomendado que as pessoas ficassem juntas porque havia traíra no meio da manifestação e, de fato, esse ato destoou de todo mundo que estava lá. Eu vi umas pessoas encapuzadas que se chamaram de black blocks derrubando banheiros com pessoas dentro. Então, não consigo acreditar que era gente da manifestação. Acho que era intruso para melar a manifestação mesmo. Foram jogadas bombas de gás. Começou todo mundo a correr e dispersar. Todo mundo com os olhos ardendo. Muitos índios sendo violentamente reprimidos. A polícia chegou logo com cassetete batendo em todo mundo, jogando gás em todo mundo, bomba. A polícia invadiu o carro de som e tirou os dirigentes. Profissionais da saúde foram chamados para ajudar os feridos, mas tiveram dificuldade", conta Gisela.

Amanda, que também protestava contra a PEC 55, conta sobre o que presenciou: "havia vários movimentos sociais, estudantes universitários, trabalhadores, pessoas de várias idades, crianças, idosos numa manifestação plural, diversa e a gente começou muito animado com nosso direito de poder ir às ruas e se manifestar, protestar e assim que a gente chegou em frente ao Congresso Nacional, fomos brutalmente atacados com gás de pimenta, bombas de efeito moral, policial com cassetete e tivemos que sair correndo. Havia pessoas mais frágeis, idosos, crianças, todos correndo. Foi um cenário de horror. É inadmissível que a gente aceite o que aconteceu ontem passivamente. A gente precisa se mobilizar. Infelizmente, a manifestação se dispersou porque era impossível a gente continuar ali daquela maneira, correndo risco de morte, correndo risco de ser ferido. A gente tá muito preocupado com o cenário nacional. O golpe está bem consolidado no Brasil e a gente precisa se organizar e lutar contra ele".

Do lado de fora, bombas, cassetete e gás de pimenta. Do lado de dentro, um coquetel antes de aprovar o congelamento de gastos por vinte anos. Isso é reflexo de um governo antidemocrático, ilegítimo e que não deseja dialogar com a população. Aprovar uma proposta que causará limitação drástica de gastos públicos por 20 anos em um dia em que foi decretado luto nacional é, no mínimo, um ataque à democracia e um enorme desrespeito ao povo brasileiro. Estamos de luto. Pelas vítimas do acidente de avião e pelo povo brasileiro vítima deste governo.

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