Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Debora Diniz Headshot

Papa Francisco e o perdão do aborto

Publicado: Atualizado:
POPE FRANCIS ABORTION
Franco Origlia via Getty Images
Imprimir

Não há mais excomunhão para a mulher que aborta. Há perdão, disse o Papa Francisco.

Perdoar é sentir compaixão e misericórdia. Se não há excomunhão, não há mais porque ameaçar a mulher de inferno ou expulsão da Igreja Católica. Diz o Código de Direito Canônico, conjunto de regras que orienta as práticas religiosas, que um confessor age como um médico e um juiz. Se assim for, como um médico, deve cuidar da alma; como um juiz, deve se abster de punir. Só perdoar.

Há algo a ser celebrado neste anúncio. São milhões de mulheres que, em algum momento da vida, já fizeram um aborto no Brasil. Muitas delas são católicas. O sofrimento do aborto é resultado da clandestinidade; o refúgio do medo para o que deveria ser um cuidado de saúde. Se sofrem da alma é porque não queriam ser pecadoras. É preciso que todas elas agora saibam: o pecado do aborto é perdoável.

Para os que desacreditam da fé católica, o anúncio do Papa Francisco pode parecer qualquer coisa de enigmático ou de muito misterioso. Nada disso: é simples, justo e generoso. Para o Código de Direito Canônico, aborto é uma falta e um pecado grave, sem perdão. A misericórdia, como dizem os católicos, é o afago da alma, o retorno ao rebanho. As mulheres que já abortaram poderão retornar à Igreja Católica, confessar-se e receber o perdão. E como médicos e juízes que devem ser, os confessores devem cuidar e manter o sigilo da confissão.

Para uma democracia secular como a nossa, não deveria importar tanto o que dizem ou determinam as igrejas. Mas importa e muito. Mesmo criminalizado, o aborto é um evento comum à vida das mulheres no Brasil: uma em cada cinco mulheres, aos 40 anos, já fez pelo menos um aborto. São milhões de mulheres que poderão atravessar o confessionário e receber perdão pelo pecado. O próximo passo é a ordem legal inspirar-se no Papa Francisco e também tornar o aborto um crime sem pena.

LEIA MAIS:

- Por uma universidade livre de machismo

- Por que só nos restou marchar?

Também no HuffPost Brasil:

Close
25 declarações de famosas sobre o aborto
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual