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Eduardo Cunha: Tchau, Querido!

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EDUARDO CUNHA
REUTERS/Ueslei Marcelino
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No início de outubro de 2015, o HuffPost Brasil se posicionou a favor da saída do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara Federal.

O texto Eduardo Cunha: Pede para sair que tá feio demonstrava o nítido conflito ético de o peemedebista estar no comando da Casa, que investigava esquema de corrupção na Petrobras -- do qual ele poderia ter sido beneficiário.

A quebra de decoro parlamentar de Cunha, objeto do Conselho de Ética da Câmara há acintosos 184 dias, ficou configurada por ele ter mentido à CPI da Petrobras em março do ano passado, quando negou ter recursos no exterior ou em paraísos fiscais.

Sete meses depois, o MPF (Ministério Público Federal) revelou que as autoridades suíças declararam ter encontrado US$ 5 milhões pertencentes a Cunha em contas secretas no país.

A manutenção de Cunha no poder ficou ainda mais inacreditável em março deste ano, depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) ter acolhido denúncia do MPF de que o deputado recebeu US$ 5 milhões como propina de contrato para a instalação de dois navios-sonda da Petrobras pelo estaleiro Samsung Heavy Industries em 2006 e 2007.

O presidente da Câmara virou réu. Passou a responder a processo criminal. Por corrupção e lavagem dinheiro. Único réu da Operação Lava Jato no STF.

Ainda assim, seguia dando ordens aos 512 deputados e liderando o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tornou-se um dos algozes tentativos de Cunha e, ainda no fim de 2015, apresentou ao STF um pedido de afastamento de Cunha da presidência da Câmara.

A justificativa, óbvia: Cunha utilizava sua função para evitar ser investigado.

Mas o que o STF julgará nesta quinta-feira (5) não é o pedido de Janot, mas sim da Rede Sustentabilidade.

Nesta semana, o partido protocolou pedido de afastamento de Cunha com base no entendimento da Constituição de que um vice-presidente e um presidente do Senado ou da Câmara não pode responder a ação penal no STF.

Se o impeachment de Dilma for aceito na semana que vem pelo Senado, Michel Temer se torna presidente do Brasil por 180 dias. Cunha é o segundo na linha sucessória; se Temer estiver em viagem internacional, ele é quem assume a Presidência da República.

É para impedir a excrescência político-jurídica de um réu no STF ser presidente do Brasil que o presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, decidiu acelerar esse julgamento.

"É uma medida extraordinária", justificou, para dar uma resposta à Rede Sustentabilidade sobre a possibilidade de um acusado por crimes ascender ao mais alto cargo do País.

Mais que isso, é uma resposta à imensa maioria dos brasileiros que são favoráveis à cassação do mandato de Cunha e não aguentam mais tanta manobra para preservar o parlamentar na Câmara.

Esperamos, claro, que os ministros do STF sigam o que prega a Carta Magna brasileira.

Mas essa decisão tem impacto tanto legal quanto moral.

Afinal, a maior Corte do País pode inflingir a primeira e principal derrota a um dos atuais ícones da lambança ética e política do Brasil.

Cunha, você não saiu, mas vão te sair.

Tchau, querido!

ATUALIZAÇÃO:

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, afastou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato de deputado federal e consequentemente da presidência da Câmara na manhã desta quinta-feira (5). A determinação atende ao pedido do procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, protocolado em dezembro do ano passado. Leia mais

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