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Esquerda é a maior derrotada das eleições municipais de 2016

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ESQUERDA
Montagem/Getty Images
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Os resultados do segundo turno das eleições municipais deste ano marcam a derrota da esquerda nas capitais brasileiras.

A tão sonhada vitória do PSOL no Rio de Janeiro, com o deputado estadual Marcelo Freixo, e em Belém, com o candidato Edmilson, não veio.

O PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiu apenas uma prefeitura em capital: foi no primeiro turno, com a reeleição do prefeito de Rio Branco (AC), Marcus Alexandre.

Em 2016, siglas mais conectadas a ideias de esquerda fizeram apenas 8 dos 26 prefeitos de capitais. Quatro anos atrás, foram 13.

O PDT foi o partido de esquerda que conquistou o maior número de prefeituras de capitais -- todas no Nordeste: Fortaleza (CE), Natal (RN) e São Luís (MA).

Legenda socialista cada vez mais associada ao governo de Michel Temer, o PSB emplacou em Recife (PE) e Palmas (TO). O PCdoB conseguiu Aracaju (SE) e a Rede Sustentabilidade, Macapá (AP).

Esse enfraquecimento de um dos polos ideológicos no Brasil sucede a Operação Lava Jato, que vem desmontando desde 2014 o maior esquema de corrupção do País. A despeito de a investigação sangrar políticos do PP e PMDB -- e atingir até o PSDB, foi o PT o mais afetado, pelo envolvimento de nomes de peso do partido, incluindo Lula, que se tornou réu.

A esquerda também foi combalida pelo desastre do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, que fez o contrário do que prometeu na campanha de 2014 e acabou afastada em processo de impeachment.

As pedaladas fiscais objeto do impedimento de Dilma apenas coroavam uma série de equívocos da política econômica da petista, que culminaram com a inflação nas alturas, a recessão e o desemprego atual de 12 milhões de pessoas.

A crise que afeta o País é sentida no bolso dos brasileiros, que passam a rejeitar cada vez mais o PT e a esquerda, após quase 14 anos no poder.

Por fim, as altas taxas de abstenção e votos brancos e nulos demonstram que o repúdio não é só a uma corrente ideológica, mas à forma de fazer política atual.

Por isso, candidatos que se apresentaram como apolíticos, como João Doria (PSDB) em São Paulo e Alexandre Kalil (PHS) em Belo Horizonte, acabaram cativando os votos necessários para sua eleição.

Está em xeque o cada vez mais reprovado presidencialismo de coalizão, sustentado nos últimos anos nacionalmente pelo dueto PT e PMDB.

Pode ser a janela de oportunidade que o Brasil precisa para fazer uma reforma política profunda, que vise ao aprimoramento dos políticos, dos partidos, dos governos.

Independentemente de ser de esquerda ou direita.

LEIA MAIS:

- Por um 2016 com menos intolerância e mais autocrítica

- O Brasil reencontra o impeachment 24 anos depois

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2º turno: Candidatos a prefeito nas capitais
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