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Precisamos nos unir contra o golpe da Câmara para legalizar a corrupção

Publicado: Atualizado:
GOLPE
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
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A polarização interditou o diálogo no País. Em seus diversos matizes, direita e esquerda brasileiras não conseguem debater. Preferem o duelo, a desqualificação recíproca, a briga pelo poder e pela razão.

Neste ano, as ruas ficaram lotadas a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Quem protestou ali repudiou as manifestações do "Fora, Temer" e a favor de novas eleições gerais. E essas vozes ecoaram contra as primeiras e contra seus panelaços.

Foram ruas que se desencontraram e brasileiros que se distanciaram. Que romperam amizades por divergências ideológicas, diferenças políticas.

Militantes e militontos, de ambos os lados, reforçaram a bolha de pensamento em que vivem. Sem laços com o outro, com o diferente.

O mais novo "acordão" da Câmara dos Deputados para anistiar o caixa 2 e crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e desvio de verba (peculato) por políticos pode ser uma destas raras oportunidades em que os diferentes podem dar as mãos. Em prol de um bem maior: o combate à impunidade e à legalização da corrupção.

A anistia é um golpe à Operação Lava Jato, diante da iminente delação da Odebrecht. O poderoso Marcelo Odebrecht, preso desde junho de 2015, e outras sete dezenas de executivos devem delatar 130 políticos das mais diferentes legendas brasileiras.

Todos os políticos denunciados, do PT ao PSDB, passando pelo PMDB, ficam imunes a qualquer penalidade, caso a Câmara aprove o execrável perdão.

corrupcao

De esquerda, PSOL e Rede Sustentabilidade são os únicos partidos na Câmara, junto ao PHS, que se voltaram integralmente contra a manobra ilegal. A Rede explica:

"O abafa à Lava Jato é o único ponto que unifica a base do governo e a maior parte da oposição. Agora isso está claro e transparente com o acordão para anistiar os crimes de caixa 2 e salvar a pele dos deputados e senadores, além de governadores, prefeitos e vereadores, que se elegeram com o dinheiro sujo da corrupção."

"Incluir anistia ao caixa dois numa proposta contra a corrupção é uma das manobras mais escandalosas e contra o interesse público", repudia o líder da bancada do PSOL na Câmara, Ivan Valente (RJ).

Conservadora, a advogada e professora Janaina Paschoal, autora do impeachment de Dilma, entende que a nova legislação favorece os corruptos:

Associado à direita, o movimento Vem Pra Rua já está organizando um protesto contra o movimento dos parlamentares. Será no domingo, 4 de dezembro:

"PMDB, PSDB, PT, DEM, PQP e todos outros partidos querem aprovar uma anistia para os crimes que cometeram. Serão os bandidos se autoabsolvendo. Será o fim da Lava Jato!"

Este pode ser o momento de deixar o orgulho de lado e voltar às ruas lado a lado do opositor de outrora. Com panelas, cartazes, bandeiras, verde-amarelo, vermelho. Não importa a cor do seu protesto, mas o nobre motivo.

Precisamos nos unir contra o golpe parlamentar que impede uma punição exemplar de todos os políticos criminosos do Brasil.

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