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O futuro dos Jogos passa na TV

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OLYMPICS TV
Marcelo Poleze via Getty Images
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Fim da Rio 2016. Entre eventos assistidos ao vivo e transmitidos pela televisão - ou via streaming para qualquer dispositivo com acesso à internet -, fica a convicção de que o avanço dos esportes para as próximas edições dos Jogos Olímpicos se dará mais e mais por meio da expansão da audiência, em qualquer tela. E os dirigentes de diversas modalidades já entenderam muito bem isso, com mudanças de regras adequadas a uma transmissão dinâmica e favorável a qualquer forma de televisão.

Nos anos 80 foi a TV a responsável pela popularização de um esporte olímpico no país do futebol. A seleção brasileira de vôlei masculino, em lendárias partidas que duravam até 3 horas e tinham como atrativo um épico saque "jornada nas estrelas", elevava o esporte à categoria de espetáculo.

Foi a seleção da chamada Geração de Prata do Vôlei, que ficou em segundo lugar nas Olimpíadas de Los Angeles (1984) com atletas como Bernard, Renan, Montanaro, William e Bernardinho - este último, técnico da seleção campeã do ouro olímpico do vôlei masculino nesta Rio 2016.

Até os anos 1990, as emissoras brasileiras que pleiteassem os direitos de transmissão de Jogos Olímpicos o faziam em forma de pool, por meio de uma entidade, a OTI (Organização da Televisão Ibero-Americana).

Além de negociarem valores, elas obrigatoriamente tinham de ter alguma tradição em cobertura daqueles que eram então chamados de esportes amadores.

A competitividade entre as redes e o crescente número de canais esportivos a cabo, bem como o surgimento de novas mídias (internet), modificaram o cenário. Garantir os direitos dos jogos passou também a ser uma questão estratégica de programação das grandes redes, com crescente potencial de atração de verbas de publicidade.

Quando o Brasil sediou o Pan-Americano de 2007, o Comitê Olímpico Brasileiro cedeu os direitos de TV para a maioria dos países da América Latina, já que suas redes não tinham recursos para pagar pelo evento. Tampouco as principais emissoras dos EUA quiseram comprar o nosso Pan.

No ano seguinte, na China, a internet já entraria como diferencial nas transmissões - o portal Terra levou os direitos de transmissão para a web. Mas a grande surpresa de negociação de direitos daquela década foi quando a Rede Globo, ainda em 2006 e na ressaca da Copa da Alemanha, perdeu o "timing" para a Record, que numa tacada inédita abocanhou exclusividade em TV para os Jogos de Londres 2012, elevando os valores a patamares nunca antes praticados no mercado brasileiro junto ao COI (Comitê Olímpico Internacional).

Essa "dormida" no ponto não mais se repetiria. Tanto que no início deste ano a Globo já assegurou os direitos das próximas Olimpíadas junto ao COI e até 2032, garantindo as futuras transmissões para todas as mídias e para a TV aberta (esta sem exclusividade), por valores não divulgados.

Só para se ter uma ideia do volume desses contratos, a líder norte-americana NBC fechou pelo período de 2021 até 2032 as edições dos Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão por incríveis US$ 7,65 bilhões.

Em se tratando de eventos tão grandiosos e com tamanhas cifras em direitos de transmissão, não espanta que a Olimpíada venha a ser mais e mais um evento de TV.

Os números globais de audiência desta edição da Rio 2016 ainda são esperados. A NBC não esperava acusar neste ano em TV índices maiores do que os obtidos em Londres, mas como assegurou todos os direitos de internet, prevê que os públicos somados superem os números de 2012. Não obstante, já aferiu no caixa que esta foi sua Olimpíada mais lucrativa em vendas de publicidade.

No Brasil, nunca houve tantas emissoras transmitindo o evento. Só na rede aberta foram 3: Globo, Record e Band. Na TV por assinatura, as marcas SporTV (com um número incrível de 16 canais em HD), ESPN, Bandsports e Fox Sports garantiram uma variedade inédita de comentaristas, narradores e repórteres de campo jamais vista por aqui.

Boa parte das modalidades esportivas vem se adequando a estes novos tempos, quando a importância da audiência em casa tende a ser até maior do que a do próprio público de arena.

O voleibol é apenas um exemplo de esporte cujas regras mudaram a fim de tornar a modalidade muito mais dinâmica em quadra e mais aprazível numa transmissão de TV do que era há 30 anos, naquela seleção que tinha o Bernardinho de atleta.

Agora, os sets são mais breves, todo erro vale ponto para o adversário (antes havia a vantagem), há a revisão de lances em tempo real de forma eletrônica, entre outras.

No boxe, os lutadores não usam mais capacete, sob alegação de busca de maior segurança. Mas a medida também torna a disputa mais televisiva - a modalidade inclusive tenta recuperar muito do prestígio e da mise-en-scène que foi tão espertamente captada pela eficiente UFC nas transmissões de lutas de MMA.

O judô também tem novas regras e punições, como o golden score, para tornar a disputa mais atraente. São apenas alguns exemplos.

Para o desespero dos mais puristas que desprezam concessões do esporte para a cobertura da televisão, esse parece ser um caminho sem volta em busca de mais público, popularidade, visibilidade e, consequentemente, patrocínios. É também uma moeda de troca para que as diversas modalidades possam se expandir.

Em Tóquio 2020 e de olho nos jovens, os jogos terão novos esportes em competição, entre eles o skate e o surf. Com a expertise dos japoneses em tecnologia de TV, esperemos manobras radicais em nada menos do que 8K - Full Ultra HD, uma combinação de 7680 x 4320 pixels.

Ou seja, muita resolução de imagem para driblar as diferenças do fuso horário e para ver as competições nas telas de madrugada!

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#Rio2016: O bloco favela da abertura das Olimpíadas foi f***
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