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Burger King anuncia fim do confinamento extremo de animais em gaiolas

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A Restaurant Brands International (RBI), empresa que controla a rede de fast food Burger King em nível global, anunciou recentemente que vai eliminar duas das mais controversas e cruéis formas de confinamento animal: o uso de gaiolas em bateria para galinhas poedeiras e gaiolas de gestação para porcas reprodutoras. A nova política se aplica para toda a cadeia de fornecimento da empresa na América Latina, o que inclui o Brasil.

Nós, do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, maior rede de ONGs de proteção animal do Brasil, comemoramos essa decisão e por 11 meses realizamos uma campanha em parceria com mais oito ONGs latinas pedindo que o Burger King adotasse essa política. A eliminação gradual do sistema de gaiolas certamente diminuirá o sofrimento de milhões de animais que são criados em gaiolas na América Latina. Só no Brasil, temos cerca de 100 milhões de galinhas e 1,7 milhão de porcas confinadas em gaiolas.

Confinamento em gaiolas já foi proibido em diversos países

Galinhas poedeiras - usadas na produção de ovos - passam praticamente suas vidas inteiras em gaiolas em bateria. Tais gaiolas são feitas de metal e geralmente confinam de cinco a dez animais juntos. A condição de superlotação é tão extrema que os animais mal podem andar ou esticar suas asas. Nesse sistema, cada ave tem um espaço menor do que uma folha de papel A4 para passar toda a vida.

A carne suína produzida no Brasil e nos demais países latinos - usada em produtos como bacon e presunto nas redes de fast food - também é obtida de porcas reprodutoras que são forçadas a viver praticamente toda a vida imobilizadas em gaiolas de gestação, celas de metal que têm quase o mesmo tamanho dos corpos dos animais, impedindo que eles sequer possam se virar ou dar mais do que um passo para frente ou para trás. Embora sistemas alternativos, que não usam gaiolas, não sejam totalmente livres de sofrimento, eles melhoram as condições físicas e mentais dos animais, pois permitem que eles se exercitem, realizem alguns de seus comportamentos naturais e tenham convívio social.

As gaiolas são tão controversas e cruéis que já foram proibidas por governos de vários países ao redor do mundo, como os membros da União Europeia, Índia, Nova Zelândia e diversos estados norte-americanos. Associações de produtores na África do Sul e Austrália também já se comprometeram a acabar com o confinamento contínuo de porcas em gaiolas de gestação.

Setor corporativo começa a assumir sua responsabilidade no Brasil

Um número crescente de empresas multinacionais e nacionais vêm respondendo à pressão dos consumidores e de entidades não-governamentais. Na América do Norte, o Burger King já havia se comprometido a eliminar de sua cadeia de fornecimento as gaiolas de gestação até 2022, e as gaiolas em bateria até 2025. O prazo para ambas as práticas na América Latina, que acaba de ser anunciado, é até 2025.

A Arcos Dorados, maior operadora de restaurantes do McDonald's na América Latina, se comprometeu a eliminar o uso de gaiolas de gestação até 2022 em toda sua cadeia de fornecimento. No setor de ovos, em 13/10 anunciou que vai migrar para uma cadeia de fornecimento 100% livre de gaiolas até 2025.

A Unilever, dona das maioneses Hellmann's e Arisco, eliminará as gaiolas em bateria de sua cadeia até 2020 globalmente, incluindo o Brasil. E o Grupo Bimbo, dono de grandes marcas como Pullman e Ana Maria, tem uma política global com prazo para 2025.

Depois de campanhas e diálogos com o Fórum Animal, os três maiores produtores de suínos no Brasil também anunciaram o fim do confinamento em gaiolas por toda a vida dos animais. A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão e maior produtora nacional de carne suína, declarou uma política de eliminação de confinamento contínuo em gaiolas até 2026. A JBS, dona da marca Seara e segunda maior produtora, se comprometeu a eliminar esse sistema até 2025. E a Aurora, terceira maior produtora, até 2026.

A incoerência das multinacionais

O caminho ainda é longo e muitas multinacionais que operam no Brasil já têm políticas de eliminação de gaiolas nos EUA, que ainda não foram estendidas ao Brasil. Algumas delas são a GRSA (para carne suína), WalMart e Subway (para ovos e carne suína).​

Mas a boa notícia é que o futuro é claro: não existe mais espaço para essa falta de coerência. Diversas pesquisas revelam que a grande maioria dos brasileiros quer uma produção de alimentos menos abusiva com os animais. E entidades da sociedade civil vão continuar realizando seu papel para concretizar essa mudança.