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Trituração de pintinhos vivos vai acabar nos EUA. Mas e no Brasil?

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Por trás de um ovo frito, cozido ou mexido, existe muito mais que um alimento saboroso. Existe também uma indústria que tritura cerca de 90 milhões de pintinhos vivos todos os anos, somente no Brasil. Esses animais, com poucas horas de vida, são 'descartados' dessa forma cruel, pois são machos e não botam ovos.

A boa notícia é que, recentemente, a Associação de Produtores de Ovos dos EUA, que representa 95% dos produtores no país, prometeu eliminar completamente a prática - chamada de maceração - até 2020. Através da tecnologia conhecida por sexagem in vitro, a entidade se comprometeu em acabar com o sofrimento de bilhões de pintinhos ao já identificar o sexo do animal ainda no ovo, ou seja, quando sua estrutura corpórea ainda não começou a ser formada.

Já a má notícia é que a indústria brasileira parece não se importar com tamanha crueldade. Contatada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, maior rede de ONGs de proteção animal no Brasil, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), responsável por representar a indústria avícola no nosso país, não se posicionou sobre o assunto.

Enquanto a ABPA se cala, empresas se mexem

No Brasil, um respiro aliviado para a questão veio em agosto de 2014, quando a multinacional Unilever - produtora das maioneses Hellmann's e Arisco - anunciou estar investindo em pesquisas para empregar a mesma tecnologia - da sexagem in vitro - para acabar com a maceração de pintinhos em sua cadeia de produção. Contatada pelo Fórum Animal, a Unilever informou que pretende acabar com a prática até 2020.

"Estamos nos engajando com produtores de ovos e com a indústria como um todo, da comunidade de bem-estar animal a empresas de pesquisa e desenvolvimento, visando a adoção de medidas alternativas às práticas atuais para lidar com essa questão importante. A empresa está trabalhando para que essa nova tecnologia ofereça o potencial de eliminar a postura e o abate de pintos machos na avicultura para que isso ocorra dentro do prazo acordado", declarou a empresa via assessoria de imprensa.

Por que e como os pintinhos são mortos

Apesar de pouco divulgada, a maceração em larga escala é a "solução" aplicada na produção de ovos comerciais pelo mundo, já que, por serem machos, os pintinhos crescerão galos, e, portanto, não produzirão ovos. Assim, em seu primeiro dia de vida, eles são jogados aos quintilhões em máquinas que os dilaceram em segundos. Ou uma técnica menos "avançada": são arremessados em sacos plásticos posteriormente fechados para que morram lentamente por asfixia.

A pergunta que inevitavelmente se faz, é por que estes animais não são introduzidos na cadeia da avicultura de corte, para a produção de carne. A resposta está relacionada ao lucro. A linhagem genética de frangos de corte e galinhas poedeiras é diferente. Assim, não há interesse na indústria de frangos de corte em aproveitar os animais machos provenientes da indústria produtora de ovos, pois eles não ganham peso tão rapidamente quanto os frangos de linhagem para corte.

Bem-estar animal: muitas palavras, pouca ação

É realmente lamentável que embora existam soluções, a ABPA prefira ficar calada diante do problema. E o mais intrigante é que recentemente a entidade criou uma "comissão de bem-estar animal". Por isso é tão importante que o consumidor esteja atento a produtos e instituições da indústria da carne que dizem se importar com o tema. Muitas vezes, as promessas não passam de palavras ou medidas pífias que em quase nada beneficiam os animais.

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