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Achar graça de quem se atrasa para uma prova diz muito sobre nós

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ATRASADOS ENEM
Agência Brasil/Fotos Publicas
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Por Alessandro Junior, 19 anos, morador de Artur Alvim, Zona Leste de São Paulo.

A rotina de estudos para uma prova de vestibular é dura. Além da quantidade pesada dos conteúdos, é preciso lidar com pressões, ansiedades e com o dia da prova. E depois de um ou dois anos de preparo, a chance de ingressar num curso superior pode ser arruinada - ou adiada - por um atraso.

E seja lá qual for o motivo desse atraso, será que tão legal rir de quem não conseguiu entrar pra fazer o ENEM? Enquanto veículos de imprensa preparam páginas com coletâneas de memes, essa galera vai precisar lidar com a frustração de ter que batalhar por mais um ano inteiro e tentar novamente.

Olhando pro exame, não é difícil perceber que o atraso não é só questão de irresponsabilidade. Tem gente que trabalha no dia, mães precisam deixar os filhos com conhecidos, acidentes podem travar o trânsito. Quem nunca passou por imprevistos? E, vai lá, quem nunca vacilou?

Alguns fazem a prova em escolas e universidade próximas de casa, outros precisam atravessar a cidade. Minha irmã, por exemplo fez a prova no Ipiranga, na zona sul, e mora em Artur Alvim, na zona leste. São 22km de distância. Ela saiu super cedo pra não atrasar e nem almoçou, porque não dava tempo.

Além de enfrentar a distância, é preciso contar com a eficiência do transporte público - para quem escolhe ou precisa ir de ônibus ou metrô até o local da prova. Para quem consegue ir de carro, o trânsito também pode atrapalhar.

Não se trata de mudar o regulamento, de deixar que os atrasados entrem. Na verdade, é preciso respeitar quem está lá dentro, pronto para começar a prova. Mas todo o espetáculo gerado em torno desse evento revela que precisamos olhar mais pro outro, ter mais empatia.

Existe todo um cenário pesado para aqueles que precisarão enfrentar mais um ano: as condições para bancar mais um ano de estudos num cursinho, a pressão dos pais pelo tempo perdido e autocrítica por não conseguir. Rir de quem sequer conseguiu tentar ingressar numa universidade diz muito sobre nós.

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