Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Fábio Bibancos Headshot

A nossa poderosa viagem em busca da empatia

Publicado: Atualizado:
EMPATHY
Getty Images/iStockphoto
Imprimir

A empatia é a capacidade psicológica de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de se imaginar ali. Ela pode nos ajudar a construir uma postura mais altruísta em nossas vidas. O altruísmo é um comportamento voluntário, no qual nossas ações beneficiam outros indivíduos. São esses comportamentos e essa "necessidade" que conseguem mudar o mundo efetivamente.

O altruísmo é o oposto do individualismo e do egocentrismo. A empatia é o inverso da antipatia, do egoísmo, da insensibilidade e indiferença. Ela é o contrário do "Coloque-se no seu lugar!". Ela é o "Coloco-me no seu lugar, querido".

Sem a empatia, não conseguiríamos os avanços que tivemos ao longo da história. É ela que nos tira da nossa zona de conforto. Com ela paramos de olhar para nosso umbigo, nos colocamos no lugar do outro e assim alcançamos uma transformação. Não ficamos estagnados, olhamos para o próximo, repensamos nossas atitudes, seguimos adiante e construímos um mundo melhor. Por isso, o impacto que a empatia tem vai além da pessoa que você ajudou.

Talvez ela nasça com o ser humano, penso isso ao lembrar que muitas crianças de até 3 anos muitas vezes abrem um choro descontrolado ao observar que um outro miudinho caiu por perto deles.

Mas, talvez por artimanhas desse mundo esquisito, a empatia vai ficando de lado conforme o tempo passa e nunca simplesmente é "religada" dentro dos homens crescidos. É bem mais complicado que isso. É uma ginástica. Realizada dia a dia, momento a momento. Caso contrário, ela se torna seletiva, um altruísmo às avessas, quando você só ajuda e se coloca no lugar do outro quando também lhe é conveniente. Façamos essa ginástica nas grandíssimas decisões, mas também nos pequenos gestos.

Eu sei, sempre tem um chatérrimo que tem sucessivamente um "você não vai mudar o mundo com isso" ou um "você não está resolvendo o problema dele com essa ajuda, só aliviando". Um conselho: nesses momentos, dobre a meta da empatia e seja empática com esta pessoa também. Coloque-se no lugar dela, e tente explicar como pequenas ações e medidas paliativas são importantes.

Um jovem da periferia de São Paulo, morando em um local de condições insalubres, uma zona de confronto de guerra, que perdeu a mãe, morta com 8 tiros, e também o pai (foragido e procurado por assassinato), criado pela tia, tem uma série de adversidades durante seu caminho e também tem um problema de saúde bucal grave. Ele não se comunica e tem medo. Não sorri, pois não tem dentes e nem motivos para isso.

Um dentista que atende esta criança não está resolvendo os problemas sociais do mundo. Nem mesmo cerca de 16 mil conseguiriam. Mas a empatia que essas pessoas adquiriram consegue fazer com que mais de 65 mil jovens tenham dentes perfeitos e um pequeno motivo para sorrir no meio disso tudo. E as medidas paliativas não são importantes? Ah tá.

E mais do que nunca, por mais doloroso que isso possa parecer, nunca estivemos em um momento que é tão imprescindível nos colocarmos no lugar do outro e, além disso, ajudar e melhorar a situação do próximo. O amor, a afetividade, o reconhecimento do desconhecido como semelhante e o auxílio que independe de religião, gênero, orientação sexual, cor e classe social são as bases que podem realinhar um mundo completo de preconceitos, guerras religiosas e índices de violência cada vez maiores. Precisamos de ataques de amor, de encontros de paz e de reuniões que busquem levar alegria para a vida das pessoas.

Reunir e organizar pessoas empáticas sempre foram uma marca do nosso evento anual, o Sorriso do Bem. Cerca de 400 dentistas voluntários (de uma rede de mais de 16 mil) se juntam para debater como nosso projeto conseguiu de maneira eficaz mudar a vida de mais de 65 mil jovens de baixa renda, fazendo com que a melhora na sua saúde bucal possibilite novas oportunidades, um primeiro emprego digno e uma mudança social.

Não conseguimos atender a demanda de problemas bucais que recebemos, mas, desde o início da Turma do Bem, acreditar que podemos fazer um pouco mais do que já fazemos, sempre foi nosso combustível, e esse "encontro", o Sorriso do Bem, a nossa "bússola catalisadora".

Já os dentistas, nessa equação eles são quem mantém o projeto vivo. O fator propulsor. Sem o trabalho de cada um, não conseguiríamos número nenhum. E, com intuito de aumentar o resultado final dessa equação, esse ano o Sorriso do Bem será uma incrível viagem em busca da empatia.

LEIA MAIS:

- O poder do grupo

- Quem vai entrar para a história no maravilhoso Palace Casino?

Também no HuffPost Brasil:

Close
15 profissões mais perigosas para saúde
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual