Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Fábio Bibancos Headshot

O Brasil dos sonhos, os privilégios da minoria e a vontade de mudar tudo

Publicado: Atualizado:
Imprimir
hxdbzxy via Getty Images
hxdbzxy via Getty Images

Paulo Freire, um dos grandes educadores da história do Brasil, escreveu certa vez: "Só desperta paixão de aprender quem tem paixão de ensinar". Um fato que eu pude comprovar (de novo!) na última semana.

Mas essa história começa antes disso... muito antes... Há quase 18 anos...

Quando meu filho nasceu, dentre todas as paranoias de um pai de primeira viagem, o meu maior medo era não poder lhe garantir a melhor educação possível. Afinal, essa seria a única coisa que jamais tirariam dele!

Prevenido que sou, preparei meu bolso, claro! Infelizmente, educação de qualidade no Brasil é sinônimo de grande investimento. A gente sabe que em escola pública, salvo algumas brilhantes exceções, o aluno não consegue uma boa formação.

( Só para não ficar com a fama de preconceituoso, aqui, aqui, aqui e aqui estão alguns links que ilustram essa afirmação.)

Daí a aflição. Aquela mesma que nos leva a gastar fortunas em convênios para não depender do SUS quando ficamos doentes. E nós, da classe média, vamos nos apertando como podemos para conseguir arcar com tudo isso.

Pois bem... procurei, então, a escola que melhor se adequava às minhas expectativas. Escolhi a Nossa Senhora das Graças - carinhosamente conhecida como Gracinha. Entre os motivos, o método construtivista e as boas referências.

E lá se vai bem mais de uma década e meu filho finalmente terminou o terceiro colegial. Aqui chegamos à última semana, quando aconteceu a sua formatura - e a máxima de Paulo Freire pipocou em minha cabeça.

Ao contrário do que se espera de uma cerimônia de colação de grau, (eu entrei no carro esperando uma chatice interminável), tudo ali foi diferente. Não tinha luxo, mas uma afetividade ímpar. A quadra da escola foi preenchida por um palco e um monte daquelas cadeiras brancas de plástico. A decoração? Redes (aquelas de deitar, mesmo!) que a turma utilizou numa viagem à Amazônia, e fotos antigas dos alunos que se formavam.

Agora, sem dúvidas, o grande lance da noite foi o comprometimento dos professores com os alunos. Só de lembrar eu fico emocionado. Pra começar, eles montaram um coral para homenagear os formandos (e ensaiaram fora do horário de trabalho, sem obrigação trabalhista!)... E falavam de cada um deles com um carinho que nem consigo descrever. Dava para sentir na pele aquela fagulha de paixão. Ali não estavam apenas professores, mas pessoas comprometidas com o que fazem - por isso fazem bem feito!

Eu me senti num Brasil diferente... que a gente vê poucas vezes na vida. Um Brasil dos sonhos! O grande problema, porém, é que ali só havia 80 alunos. Gente privilegiada em todos os sentidos. E as outras dezenas de milhões? Por que eles não têm o direito de também serem contagiados por aquela paixão?

Claro que isso não é exclusividade do Gracinha. Existe um punhado de escolas de qualidade, não apenas particulares, mas na própria rede pública (clique aqui e aqui)! Com profissionais interessados no que fazem. Mas ainda são raras, o que é inadmissível.

Sabemos de todos os problemas da educação no Brasil: a questão salarial, a falta de infraestrutura etc. etc. etc. Mas esquecemos que quem faz o país são as pessoas. E se as pessoas quiserem, elas podem mudar o rumo das coisas. Porque, no fim, o que muda o mundo não é o que você QUER pra ele (por mais que seus ideais sejam elevadíssimos), mas o que você FAZ por ele... não é o seu voto pra presidente, mas o homem e a mulher que sai de casa todos os dias para trabalhar.

Aos professores e à direção do Gracinha, os meus aplausos!

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.