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Onde estão nossos anjos da guarda?

Publicado: Atualizado:
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Mart Klein via Getty Images
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A crise vem. Aí o dinheiro diminui. Muito. Alguns patrocinadores encerram contratos. Outros reduzem o investimento - tinham de cortar de algum lugar e o dinheiro do "social" é sempre a melhor opção. Além disso, o número de doações de pessoas físicas despenca - a filantropia não tem vez em tempos de vacas magras.

Na contramão, o número de beneficiários cresce. E gera uma demanda gigantesca. Cada jovem e mulher vítima de violência atendidos pela TdB gera custo com carta, telefone, funcionário, luz, água. Afinal, organização social também é empresa, com processos, procedimentos, metas, resultados e impostos... muitos impostos.

Como zerar esta conta? Não me lembro de passar por um período tão difícil nesses anos todos de 3º setor. Precisei reduzir a equipe da TdB pela metade. Metade. Simplesmente porque não temos dinheiro.

Um monte de gente com dor poderia estar na cadeira do dentista (porque nós temos MUITOS voluntários querendo ajudar mais gente), contanto que a gente tivesse um pouco mais de... Investimento.

Tinha fé de que essa recessão tenebrosa despertaria um espírito mais solidário no brasileiro. Estamos todos no mesmo barco, né? Se não nos ajudarmos, quem o fará? Estava enganado.

Cansei de divulgar campanhas de doação pessoa física. E, cri-cri-cri. O desafio para a pessoa doar R$ 14 e ajudar milhares de pessoas não está no valor, mas na preguiça de pegar o cartão, preencher os campos de cadastro etc.

Estou cheio de encontrar gente que bate no meu ombro pra dizer: "Pô, Bibancos, acho lindo o trabalho dos dentistas voluntários. Queria ajudar mais". Aí, na hora de ajudar mesmo, quando a gente pede ajuda: "Ah., vamos ver, vamos ver".

E cri-cri-cri.

Um exemplo: Mostrei no Facebook uma pilha de 3.000 cadastros que a TdB precisava colocar no sistema - ou seja, 3.000 jovens estavam esperando para começarem os tratamentos. O post foi um sucesso. Milhares de curtidas, centenas de compartilhamentos. Agora, sabe quantas pessoas se dispuseram a vir na TdB e pôr a mão na massa? 15.

Outro exemplo. Criamos a campanha Frame do Bem, uma ação de captação que poderia garantir o recurso para a gestão de 2.300 tratamentos. Faz dois meses que ela está no ar. De novo, milhares de curtidas e compartilhamentos. Sabe quantas doações? 108.

Eu preciso dos anjos da guarda da TdB.

Nós precisamos realmente de uma força maior.

Caso contrário, a crise fará mais uma vítima: o trabalho lindo que a TdB vem fazendo há 14 anos.

#SentindoUmaTristezaSemFim