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O equilíbrio entre terra e mar

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Olá, Aventureiros e Esportistas!

Navegando pelo mundo num veleiro tem suas vantagens, como chegar a ilhas isoladas, ficar semanas em alto mar descalço e dormindo com o balanço do barco (às vezes, o balanço é demais) e, no final das contas, lembrar do propósito da viagem e da importância de ter uma vida equilibrada. No barco, temos muito trabalho físico e mental e, então, de vez em quando precisamos curtir alguma atividade que nos deixe mais relaxados. Assim, apresento uma lista de atividades, sem nenhuma ordem especial, que praticamos durante a nossa expedição.

Trilhas
Na expedição já fizemos muitas trilhas. Algumas bem curtas e simples e outras, bem, que poderíamos chamar de "as mais difíceis de nossas vidas". Seja subindo uma montanha de neve até uma caverna de gelo, ou numa ilha da Papua Nova Guiné com os pés descalços no meio da selva com a lua cheia guiando o caminho. Os desafios sempre são encarados com muita fé para, além de registrar a caminhada em filmagens, poder nos sentir exploradores (mais do que já somos). Sou capaz de afirmar que pode ser terapêutico andar por três horas em uma trilha, enfiado no meio da natureza, suando e pensando simplesmente nos próximos passos, com esperança de que não haja uma cobra no caminho e, apesar do risco de um ataque que pode matar em minutos, estar alertas nos deixa mais cuidadosos. E, é claro, nada melhor que uma trilha para nos fazer malhar as pernas que ficam preguiçosas dentro do barco!

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Futebol
Temos como tradição (quando lembramos) jogar futebol e, então, dividimos os times sempre assim: o Capitão, eu e mais alguns e, na outra equipe, normalmente os tripulantes que gostam de um desafio. Já fizemos uma partida no lugar mais frio do mundo, na Antártica. Já pensou? O jogo foi um pouco difícil, pois caíamos toda hora, além de que, as botas de neve não ajudavam acertar a bola na direção correta: cada passe levava a bola para bem longe. Esse foi o nosso primeiro jogo na Expedição Oriente e arrasamos. Não lembro a pontuação, mas sei que a equipe na qual Capitão e eu estávamos ganhou (cada time tinha 2 jogadores). Meses depois (que tradição né?! rsrs) na Polinésia Francesa, numa ilha chamada Raiatea, encerramos as atividades culturais e montamos as equipes para jogar mais uma partida, incluindo crianças e adultos locais. Todos descalços e o chão da praia cheio de pedras pequenas. Quem corria mais rápido era quem aguentava as pontadas das pedras nos pés. O jogo terminou por falta de energia da nossa equipe, porque os locais ainda queriam mais.

Natação
Uma navegada tranquila é sempre boa para acalmar o ritmo de produção. Mas depois de alguns dias em alto mar já queremos ver terra novamente. Baixando âncora, esquecemos de tudo e sabemos da nossa tarefa principal: pular na água! As únicas coisas que os podem impedir são temperatura da água ou se estivermos numa Marina. As atividades na água são as mais divertidas, mas também depende do horário. Às vezes, por razões de comunicação ou de horário, podemos nos encontrar no píer sem ter nenhuma carona para voltar para o barco. Aí é quando temos de encarar o mar e nadar de volta, segurando o que não quiser molhar na mão enquanto nada. E essa é a parte fácil da missão. Difícil são os comentários e piadinhas durante o café da manhã. Rsrs

Surf
Olha a onda!
As praias perfeitas e as belas águas claras com certeza nos convidam para surfar e, de quebra, ficar em forma. Tivemos sorte de conhecer alguns dos melhores picos de surf no mundo. Nomes famosos de surf pelo mundo como Teahuppo, no Tahiti, ou Mentawai, na Indonésia, por exemplo, já nos deixaram boas lembranças e algumas raspadinhas de coral inesquecíveis.

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Mergulho
Os melhores momentos para esvaziar a cabeça e simplesmente respirar nos deixa ainda mais zen para enfrentar o dia a dia. E o mergulho, uma atividade que todos nós a bordo do veleiro Kat amamos, traz este resultado. Já realizamos mais de 30 mergulhos nesta expedição. Alguns deles dentro de cavernas escuras com centenas de peixes, navios afundados e entradas de atóis. Um mergulho inesquecível aconteceu no "Grotto", no Japão, onde tivemos que descer uma escada de mais de 100 degraus (carregando todos os equipamentos) para chegar até a boca da caverna. A volta, com o cilindro vazio, foi mais fácil... mas as pernas sofreram.

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Stand up
Dentro do barco temos alguns standups infláveis (para ocupar pouco espaço) que também nos ajudam a alcançar terra sem ser nadando... rsrs. Usando os braços para remar, as pernas para balançar e o abdômen para manter a postura, acredito que esta atividade pode trazer benefícios para os remadores. Hoje, a Heloisa e o Wilhelm são os que mais remam. Os dois gostam de dar uma volta de vez em quando para, segundo eles, manter a vida e corpo equilibrados. O Wilhelm já fez standup em lugares incríveis! O primeiro foi em uma ria na Argentina (ria é um rio formado pelo mar invadindo terra adentro, então é água salgada). Então, em Puerto Deseado, na Patagonia, o Wilhelm subiu rio acima até onde o Charles Darwin (conhecido pela teoria de evolução) foi para investigar sua teoria - Darwin descrevia o lugar como "um dos lugares mais isolado do mundo." O segundo lugar onde o Wilhelm inflou o standup foi na Antártica. Durante uma das nossas filmagens, Wilhelm foi remando pelos "bergy bits" (pequenos pedaços de icebergs). Parecia super divertido, mas só de pensar que se ele caísse na água, teria apenas 10 minutos para chegar no barco e trocar de roupa para não ter hipotermia, resolvi ficar fora dessa brincadeira. Então, ele foi o único que correu o risco como sempre, deu uma voltinha e, sem cair, voltou sem molhar os pés.

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No final das contas, quando estamos em terra firme temos que aproveitar porque o balanço do alto mar nos impede de fazer esses tipos de atividades. Por outro lado, a vida precisa ter balanço e, então, assim seguimos.

Grande abraço!

Emmanuel Schurmann