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Construímos oceanos de plástico e isso não é nada legal

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Moramos em casas, apartamentos ou até barcos (como a minha família). Nos últimos anos, eu morei nesses três tipos de espaços e cada experiência dessas revelou-se na oportunidade de aprender muito. Aqui, gostaria de, humildemente, compartilhar um pouco do que venho aprendendo e do que tenho visto por mares e oceanos navegados. Uma coisa é certa: nosso estilo de vida interfere (e muito) no planeta.

Uma vida ignorante e confortável - Tinha 20 anos e morava numa cidade pequena na Flórida, nos Estados Unidos. Comprava garrafas de plástico, usava água exageradamente e nem sabia porque não deveria fazer aquilo ou como meu comportamento estava impactando no meio ambiente. A minha fonte de notícias vinha das redes sócias e da televisão, que raramente falavam sobre os problemas ambientais. Polução, plástico no mar e mudanças climáticas só apareciam em alguns momentos específicos do ano, como o Dia do Planeta ou quando alguém famoso falava das mudanças climáticas. Percebi que a atenção não está muito focada no nosso planeta. Naquela época, pensava: se tem algo a ser feito, eventualmente, alguém irá fazer, correto? Incorreto!

Nunca tinha morado num apartamento - Fui morar num apartamento em São Paulo e, acreditem, foi aí que aprendi que tinham horários e dias que não podia fazer barulho e, dependendo da época do ano, não podia usar muita água e nem lavar o carro. Pensava: por que esta cidade não tem água? Hoje sei que são vários os motivos, entre eles, o nosso consumo e o aumento de emissão de carbono.

Que que é isso? A produção de milhões de produtos que consumimos e os carros que dirigimos emitindo gases causam danos ao nosso ambiente e, consequentemente, mudanças climáticas. Isso, em alta escala, cria grandes efeitos que, hoje, começamos (tardiamente) a perceber e a sentir. Quanto mais consumimos, mais mudanças teremos no nosso clima. O resultado? Camadas de gelo derretendo, os níveis do mar subindo e muito mais.

Sei que, na cidade, é difícil consumir menos, especialmente onde se tem tudo por perto e as coisas são muito acessíveis. Lembro que as coisas sempre estavam em promoção e que tudo ao meu redor estava perfeito para me convencer a consumir cada vez mais. Eu não conseguia desistir e, assim, continuava vivendo confortavelmente e sem pensar nas consequências. Pouco sabia que meus atos renderiam consequências enormes.

Fui morar dentro de um barco - Aqui aprendi TUDO, de um jeito ou de outro! Aprendi que não existia uma fonte ilimitada de água e que se deixasse a torneira aberta ia acabar com a água disponível. O que é tentar pescar quando não tem peixe e só pescar o necessário e espécies que não estão em extinção. Reusar tudo que se pode e reciclar o lixo que não dá para reusar mais.

Navegando pelo Pacífico, vimos como o mar é a casa dos peixes felizes e inocentes, dos pássaros que nos acompanham e das as baleias e golfinhos que nos surpreendiam de vez em quando. Com a Expedição Oriente, penso muito na sorte que tenho de ter visitado, por exemplo, as ilhas exóticas da Polinésia. E lamento imaginar que, um dia, elas podem estar no fundo do mar.

Vivemos num planeta com tantos e imensos oceanos, com tantas espécies, que cheguei a pensar que deveria ser impossível destruir algo tão grande. Mas não é! De acordo com um estudo da fundação da velejadora britânica Ellen MacArthur, em parceria com a consultora McKinsey, divulgado no início desse ano pelo o Fórum Econômico Mundial de Davos, em 2050 (ou seja, daqui a apenas 34 anos) teremos mais toneladas de plástico do que de peixes nos oceanos.

Chegando na Ásia, fiquei decepcionado - Tudo começou numa ilha pequena e deserta no sul do Japão. Lá, o que me impressionou não foram as árvores de coco cheio de água doce, nem as águas azuis cheias de peixes. Infelizmente, foi a quantidade de lixo espalhado pela praia. Isso num lugar onde não tinha ninguém. Mas que, mesmo isolado, paga o preço dos nossos atos. Do comportamento de quem está a milhas de distância. Nosso consumo de plástico e garrafas plásticas chegou a tamanho absurdo que nós, da Expedição Oriente, nos sentimos responsáveis em tentar dar um jeito naquela situação. Por isso, recolhemos todo o lixo possível, enchemos o nosso bote e levamos tudo para nosso barco, encaminhando aquela quantidade absurda de plástico para reciclar no próximo porto. Só para deixar claro: todo o plástico foi retirado de uma ilha distante e DESERTA.

Então, se você mora em casa, apartamento ou barco, lembre-se que você pode fazer a diferença. Ser consciente é simples. E pode começar consumindo menos.

Grande abraço!

Emmanuel Schurmann

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