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'Fui mãe aos 17 anos e não me arrependo da minha escolha'

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YOUNG MOTHER
Shutterstock / Jjustas
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Eu fui mãe com 17 anos. Sim, eu tenho 22 anos e uma filha de 5 que é uma das menininhas mais gentis, amáveis e felizes que você pode encontrar por aí. Sim, foi mais fácil para mim por conta de fazer parte de uma família que goza de uma estabilidade financeira. E não, não foi mais fácil por fazer parte desta classe, fugir do preconceito alheio.

Tive vergonha na época em que engravidei. Não planejado, e não foi de propósito. Na minha escola eu já era bem deslocada, era desinteressada e bastante encrenqueira. Uma rebelde sem causa aos olhos da coordenação e de uma parte do corpo de professores. Não era culpa deles, eu sei que não era uma aluna fácil. Uma vez um professor me disse no meio da aula para eu parar de chorar se não iria desidratar. Para eles eu era mais uma adolescente rainha do drama e da vitimização. Uma coisa que eles nunca souberam era que eu sofria muito nesta época, e era difícil me manter calma, pois a minha mãe tinha depressão. Tinha, porque quando a minha filha fez três meses, a minha mãe cometeu suicídio.

Tive um pouco de vergonha nesta época também, mas com o tempo parei de engasgar quanto questionada sobre a causa da morte da minha mãe. Sempre vejo rostos chocados com a resposta pouco tradicional, mas sem tanto incomodo agora. Depressão é coisa séria, quem não quer entender isso é que deveria se sentir envergonhado.

Não consegui continuar meus estudos grávida porque não iria aguentar a pressão a mais que sofreria na escola. Pode parecer ruído e especulação, mas foi o que eu senti e decidi. Não foi simples voltar a estudar, ralar para aprender tudo o que eu precisava para o vestibular e cuidar de uma casa e uma criança, mas por fim corri atrás do tempo perdido e estou quase me formando em áudio visual. Ainda não consegui decidir muito bem o real enfoque deste texto, mas o que eu queria dizer com isso é que apesar do mundo a nossa volta, e dos julgamentos alheios, nós sempre temos uma escolha. A minha foi seguir adiante.

Apesar de muita gente me achar louca, me taxar de irresponsável, e falar que eu perdi minha juventude e coisas do gênero, sem ser mãe, não sei onde eu estaria. Provavelmente muito pior do que estou, porque a maternidade foi uma saída para mim. Foi um caminho, uma espécie de devoção que me tirou do fundo do poço em qual eu estava caindo...

Sou a favor do aborto e da nossa liberdade de escolha, mas agradeço por não o ter escolhido. Agradeço por ter a minha filha, minha família e até mesmo pela escolha da minha mãe. Ela me ensinou que saúde é primordial, e em relação a este assunto, existem obstáculos fora do nosso alcance. Mas que é possível, enquanto ainda tivermos vontade, transformar frustrações em motivação, e imprevistos em direção.

*Texto originalmente publicado em Feminismo na Prática

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