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Como Alexandre de Moraes pretende herdar o governo de São Paulo em 2018

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ALEXANDRE DE MORAES
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
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Apadrinhado pelo atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), o Ministro da Justiça extrapola sua ambição política ao utilizar de seu cargo no governo federal em busca de não sair dos holofotes. Para esta semana, prometeu para militantes tucanos "dias inesquecíveis" na Lava Jato. Na realidade, o que ele quer mesmo é preparar o terreno para 2018.

***

Se você acha o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB) autoritário, é melhor se preparar para o que pode vir pela frente depois de 2018.

São Paulo é governada por tucanos faz mais de 20 anos, sendo sustentado por um fiel eleitorado no interior do estado. De Mário Covas até Alckmin e José Serra, o partido foi cada vez mais passando da centro-esquerda social-democrata para a direita conservadora, se baseando em uma política de segregação racial e social contra a periferia, utilizando da máquina policial para fins políticos e eleitorais.

Em 2018, podemos chegar ao ápice da guinada a direita tucana, com a possibilidade real de termos como candidato do partido o atual Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Desde que assumiu o cargo em maio deste ano, Moraes é reconhecido por figuras dentro do próprio governo por extrapolar nas declarações e decisões tomadas. Em julho, durante a Operação Hashtag da Polícia Federal, o ministro chegou a ser criticado pelo presidente Michel Temer (PMDB) pela forma como conduziu a operação, abrindo brechas para críticas e questionamentos por parte da opinião pública. Cerca de 10 pessoas foram presas por suposto envolvimento com células terroristas islâmicas, para realizar atentados no Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos. Porém, como afirmado pelo próprio ministro, não existiam provas concretas. E sim, convicções.

Após aparecer com Temer nas Nações Unidas na semana passada, Moraes deu mais uma declaração polêmica.

Em Ribeirão Preto (SP), durante uma conversa com militantes do Movimento Brasil Limpo (que tem como base partidários do PSDB) via Broadcast, Moraes disse que a Operação Lava Jato irá prosseguir: "Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem estra semana, vão se lembrar de mim", disse o ministro em um evento de campanha do deputado federal Duarte Nogueira, do PSDB, para a prefeitura da cidade paulista.

Moraes ainda defendeu a postura da Polícia Federal ao ter prendido o ex-ministro Guido Mantega na última quinta-feira (22), quando estava acompanhando uma cirurgia da esposa dentro de um hospital. A atitude foi criticada por figuras importantes da oposição ao Partido dos Trabalhadores, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e pelo próprio juiz Sérgio Moro. Mas para Moraes, a PF apenas cumpriu um mandado judicial e atuou de forma "absolutamente discreta".

Desta forma, o atual Ministro da Justiça não apenas utilizou de seu cargo para auto-promoção política, como também partidarizou a Operação Lava Jato, até então vista como autônoma, sem interesses partidários. Sob seu comando, o direcionamento pode ser o suficiente para agradar a opinião pública, efetuando a prisão de figuras como o próprio ex-presidente Lula (PT), mas ao mesmo tempo poupando figuras do novo governo, como é o caso do senador Aécio Neves (PSDB), do Ministro das Relações Internacionais, José Serra (PSDB), e o próprio presidente Michel Temer -- ambos envolvidos em delações feitas na Lava Jato.

Trata-se de algo extremamente perigoso não apenas para a democracia, como também para a sociedade em geral.

Após tornar a Polícia Militar em uma instituição partidarizada e ideologicamente fiel ao governo tucano, Moraes consegue aos poucos utilizar do ódio generalizado ao Partido dos Trabalhadores para influenciar no andamento da Operação Lava Jato, tendo a possibilidade de salvar figuras importantes do governo, e com isso se tornando cada vez mais viável para a candidatura em 2018 para o estado de São Paulo.

É bom lembrar que Moraes foi Secretário de Segurança Pública em São Paulo, entre 2015 e 2016. Lá, seguiu a mesma linha política adotada hoje no Ministério da Justiça, criminalizando manifestações populares, passando por cima da Constituição Nacional e permitindo a ação violenta da Polícia Militar nas comunidades mais pobres, como foi o caso da chacina feita em Osasco em agosto do ano passado, quando mais de 19 pessoas foram assassinadas por policiais militares e um guarda civil metropolitano de Barueri.

Durante as investigações da Polícia Civil sobre a chacina, a Polícia Militar interferiu diretamente na trama. Isso tudo com carta branca de Alexandre de Moraes -- e claro, do governador Geraldo Alckmin.

Três dias após a chacina, Moraes preferiu estar na Avenida Paulista para se auto-promover politicamente durante uma manifestação pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). Ao mesmo tempo, moradores do bairro do Jardim Munhoz, palco da chacina em Osasco, realizavam outra manifestação, desta vez contra a violência policial. Familiares e moradores questionavam: por que o secretário de Segurança preferiu estar na Avenida Paulista e não aqui, dialogando com a população atingida pela violência?

Agora imaginem um governador assim.

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