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O governo Temer é provisório, mas o estrago é permanente

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MICHEL TEMER
EVARISTO SA via Getty Images
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Em menos de um mês, o governo interino de Michel Temer assiste a possibilidade de ter um ex-ministro preso. Sim. Preso.

P-R-E-S-O.

Nunca antes na história desse País vivemos situação semelhante.

Mas que de alguma forma, segue um roteiro que muitos já sabiam como seria antes mesmo de começar - e me incluo nesses muitos.

Imaginem um governo que não foi eleito.

O Presidente da República, citado diversas vezes em delações premiadas em uma das operações mais polêmicas da atualidade - a Lava Jato.

Ao seu redor, deputados federais e senadores envolvidos diretamente no escândalo, inclusive dois nomes importantes do seu próprio partido - Renan Calheiros, presidente do Senado, e Eduardo Cunha, responsável pelo impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, e ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Sem carisma. Sem nenhum plano político. Aprovação praticamente nula e inexistente por parte da população e dos trabalhadores.

E tudo isso resultado de um processo ilegítimo e questionado ao redor do mundo, que foi o afastamento de Dilma.

É claro que esse seria o resultado. É claro que os organizadores das passeatas "contra a corrupção" acabariam sumindo posteriormente, agora que seus padrinhos políticos estão ocupando ministérios e secretarias em Brasília, enquanto se preparam para as eleições municipais deste ano, onde devem lançar candidatos e se tornar "mais um deles".

Eu não gosto de questionar a inteligência do povo brasileiro.

Até porque acredito que a grande maioria não concordou com tudo isso que aconteceu na política nos últimos meses. Ok: 1 milhão na Avenida Paulista. Tudo bem. As Jornadas de Junho conseguiram colocar tanta gente quanto, e nem por isso fizemos a reforma política, ou nem por isso destinamos 10% do PIB para a Educação, ou até mesmo a passagem de ônibus e do metrô se manteve abaixo do que o esperado.

Ou seja: é hora de acordar essa inteligência da sociedade em geral. Não se trata de um processo político que nasceu das ruas - e sim dos bastidores, em salas fechadas com ar condicionado e políticos sentados ao lado de lobistas, em uma orgia de conspirações para mais uma vez ferrar com o brasileiro.

O pedido de prisão feito pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, contra três nomes importantes do partido de Michel Temer é um alerta.

Um verdadeiro tapa na cara do brasileiro, dizendo: "Ei, tá vendo só? Eles foram presos tentando retardar a operação Lava Jato que você tanto defende. E sabe quem eles colocaram na presidência pra fazer isso? Um cara que não foi eleito presidente, e sim vice".

O ódio descontrolado contra o Partido dos Trabalhadores não pode colocar em risco a nossa democracia - e principalmente a nossa sensatez.

O governo Temer pode ser provisório, mas o estrago que nasceu com o impeachment e continua durante a gestão interina em Brasília é permanente.

E somos todos responsáveis por isso.

LEIA MAIS:

- O escândalo de Romero Jucá é o reflexo de um governo ilegítimo

- Procura-se: Um manifestante que seja contra a corrupção

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