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Dos 31 ataques terroristas que aconteceram neste ano, apenas 3 foram no Ocidente

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TURKEY ATTACK
ASSOCIATED PRESS
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Os números são de ataques terroristas de autoria assumida por grupos organizados neste ano. Iraque e Paquistão são os países que mais sofrem com o terrorismo islâmico. Dados contradizem suposta "guerra ao modo de vida ocidental" e colocam em questão: por que nos importamos apenas quando a violência acontece aqui, no nosso quintal, no Ocidente?

Na noite desta quinta-feira (14), mais um ataque terrorista ocorreu na França, em Nice. O terrorista, de origem tunisiana, avançou com um caminhão contra uma multidão durante a comemoração do feriado do Dia da Bastilha, deixando mais de 80 mortos e 200 feridos.

É a terceira ação coordenada por grupos terroristas islâmicos contra um país do Ocidente. O número é preocupante. Mas ainda não chega nem perto dos atentados realizados pelos mesmos grupos contra países da África e Oriente Médio.

Foram 31 ataques terroristas de autoria confirmada só neste ano. Desses, apenas 3 foram em países do Ocidente, enquanto outros 28 ocorreram espalhados em países como Iraque, Afeganistão, Egito, Líbia e Paquistão.

No dia 22 de março deste ano, dois terroristas atacaram com bombas o aeroporto de Bruxelas, na Bélgica, deixando cerca de 35 mortos e mais de 300 feridos. Esse foi o primeiro ataque em um país do Ocidente neste ano, realizado por grupos terroristas islâmicos.

O segundo aconteceu nos Estados Unidos, em uma boate LGBT no dia 12 de junho, em Orlando na Flórida. Quase 50 pessoas morreram quando um homem armado atirou na multidão dentro do clube, deixando também 53 feridos.

Foi o maior atentado terrorista em solo norte-americano desde o 11 de setembro, em 2001.

Com o ataque na França nesta quinta-feira, o número de mortos em ataques no Ocidente supera 160 pessoas.

nice attack

Mas, se formos comparar com o número de vítimas de ataques terroristas no Oriente Médio e África, é assustadora a diferença. Mais de 904 pessoas morreram só neste ano por conta de ataques coordenados por grupos terroristas fora de países do Ocidente.

O ataque mais grave ocorreu justamente neste mês de julho, no Iraque. Mais de 300 pessoas morreram no dia 3 de julho, com atentados com carros-bomba e explosivos. Uma das ações coordenadas atingiu uma movimentada área comercial do centro da capital iraquiana, que estava repleta de gente devido ao Ramadã, mês de jejum muçulmano. O próprio Estado Islâmico reivindicou o ataque.

O Iraque é um dos países que mais sofreu com atentados neste ano. De janeiro até o mês de julho foram seis ações terroristas no país, deixando centenas de mortos e milhares de feridos.

Os dados contradizem o argumento utilizado por grupos de extrema-direita no Ocidente, que consideram os ataques terroristas causados por grupos extremistas islâmicos uma guerra declarada ao modo de vida ocidental.

turkey attack

Mesmo que a intensidade dos ataques tenha aumentado nos últimos anos, a parcela da população mundial que mais sofre com as ações terroristas reside justamente em países com maioria muçulmana, que é o caso do Iraque, Paquistão, Egito, Líbia, Turquia, Afeganistão, e outros da África e Oriente Médio.

Os números também nos fazem questionar a própria reação de governantes, sociedade e mídia de países ocidentais.

É inegável a gravidade dos ataques desta quinta-feira, na França. Porém, é preciso entender que o problema do terrorismo extremista islâmico sempre existiu e passa por uma fase ainda mais tenebrosa em países subdesenvolvidos e abandonados pela guerra, como é o caso do Iraque.

Diante de tal cenário, é preciso não apenas combater as organizações terroristas que espalham o medo e ódio por onde passam, mas também grupos extremistas do Ocidente, que utilizam do discurso de segurança nacional para angariar votos e colocar em prática políticas de teor xenófobo e racista -- como é o caso do candidato republicano para a presidência dos Estados Unidos, o megaempresário Donald Trump; ou até mesmo da nacionalista Le Pen, da Frente Nacional na França, que é considerada uma das favoritas para ocupar o cargo que hoje é de François Hollande no comando do país.

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