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Prisão de supostos terroristas é justificativa para militarizar o Rio de Janeiro

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ALEXANDRE DE MORAES
Ueslei Marcelino / Reuters
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Ex-secretário de Segurança em São Paulo não foi capaz de combater o tráfico e conter o abuso da própria polícia que administrava, mas agora afirma ter prendido suspeitos de planejar ataques terroristas durante os Jogos Olímpicos. Ação da PF tem apenas um objetivo: conter manifestações e militarizar ainda mais as comunidades do Rio.

Não é de hoje que o atual ministro da Justiça busca os holofotes para se auto-promover politicamente. Ele já abusou de sua autoridade enquanto secretário de Segurança Pública em São Paulo, desrespeitando a Constituição Federal e perseguindo manifestantes. Ele já aceitou e colaborou com a intervenção da Polícia Militar nas investigações da Polícia Civil sobre a chacina de agosto do ano passado, que teve envolvimento direto de policiais militares. Ele não foi capaz de desarticular o crime organizado em São Paulo, pelo contrário, já advogou para organizações criminosas antes de ocupar a secretaria no governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Agora, declarou nesta quinta-feira (21) que a Polícia Federal prendeu pelo menos 10 suspeitos de planejar ataques terroristas no Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos.

A ação da Polícia Federal, de nome Hashtag, atuou de forma "sigilosa" em pelo menos 10 estados, baseadas na recém criada lei antiterrorismo, aprovada com apoio da presidente afastada Dilma Rousseff, em março deste ano. Porém, não existia nenhuma prova concreta de planejamento de ato terrorista pelos detidos. A ação da PF utilizou como base comentários em redes sociais e mensagens de texto para supostos "atos preparatórios" para atentados terroristas. Nada articulado, nenhum local específico, nenhum plano de segurança. Absolutamente nada.

Durante coletiva nesta quarta-feira (21), o ministro disse:

"Várias mensagens mostram a degradação dessas pessoas, comemorando o atentado em Orlando e em Nice, comentando o atentado anterior que ocorreu na França, postando e circulando entre eles as execuções que foram realizadas pelo Estado Islâmico"

Porém, nenhuma informação concreta sobre qual local os possíveis terroristas planejavam atacar foi relatada. Isso porque simplesmente não havia nada devidamente planejado. Eram apenas comentários em apologia ao terrorismo praticado pelo Estado Islâmico.

Segundo mais informações dadas pelo ministro, o próprio governo assume que tratava-se de uma "célula amadora". Na realidade, nem isso podemos afirmar que seja. Moraes admite que o grupo não tinha "nenhum preparo", e a maioria nunca utilizou armas de fogo.

Não por acaso, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara da Justiça Federal do Paraná, pediu a prisão temporária dos detidos por apenas 30 dias, com a possibilidade de serem prorrogadas por mais um mês. Não vai precisar.

Trata-se de um verdadeiro espetáculo de auto-promoção do ministro até a finalização dos Jogos, que tem como objetivo algo ainda pior: a perseguição contra sindicados e manifestantes que tentarem exercer seu direito constitucional de manifestação no Rio de Janeiro durante as Olimpíadas.

Não existe nenhuma base concreta, absolutamente nada que mostre passo a passo como os 10 presos pretendiam atacar locais durante os jogos no Rio de Janeiro. Desta forma, o governo ganha uma justificativa para proibir manifestações no mês de agosto na cidade, além de militarizar ainda mais as comunidades periféricas do Rio de Janeiro, como é o caso da Favela da Maré.

Infelizmente, a maioria da população brasileira deve cair no jogo de Moraes e de Michel Temer.

Com uma mão, o governo interino vende a imagem de segurança e de entretenimento coma realização dos Jogos. Com a outra, utiliza de um velho mecanismo chamado "medo" para controlar a população e justificar atos violentos do Estado contra a sociedade civil.
Não se enganem.

Com esse tipo de articulação o PSDB conseguiu comandar São Paulo por mais de duas décadas. Utilizando o medo com a classe média, e a imagem de segurança e entretenimento com medidas insuficientes e temporárias.

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