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#BringBackOurGirls: O mundo deveria se envergonhar por não ter trazido as meninas de Chibok para casa

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NIGERIA GIRLS
ASSOCIATED PRESS
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Ainda desesperadas, mas impotentes, depois de 730 dias. Ainda na dependência de um milagre. As estudantes desaparecidas de Chibok e suas famílias realmente merecem tratamento melhor.

Neste momento do segundo aniversário do sequestro e desaparecimento de 276 adolescentes de uma cidade do nordeste da Nigéria, ninguém entre nós já fez o suficiente para que elas sejam libertadas.

As garotas, todas as quais estudavam assiduamente antes de seu sequestro em massa, hoje são um símbolo de nossa aparente fraqueza quando se trata de defender a vida de crianças e adolescentes.

O paradeiro exato das meninas -a maioria das quais teria entre 16 e 18 anos--ainda é incerto. Em 2015 as forças armadas da Nigéria anunciaram ter libertado centenas de mulheres e meninas que eram reféns do Boko Haram. Mas nenhuma delas fazia parte das meninas de Chibok.

nigeria girls

Não sobrou muito da Escola Segundária Governamental para Meninas de Chibok, no nordeste da Nigéria, onde o Boko Haram sequestrou 276 meninas dois anos atrás. (STEFAN HEUNIS/AFP/Getty Images)

Foi dito que algumas delas foram vendidas como escravas. Outras teriam sido casadas à força com militantes.

Também foi relatado que o Boko Haram exigiu em segredo um resgate enorme por elas, algo em torno de US$50 milhões.

Falou-se anteriormente em uma troca de prisioneiros - em dado momento aventou-se que seria feita sob a égide da Cruz Vermelha --, mas esse acordo parece ter fracassado.

Hoje as meninas são um símbolo de nossa aparente fraqueza na proteção das vidas de crianças e adolescentes.

É trágico, mas hoje em dia qualquer notícia que se ouve sobre as meninas de Chibok é boato, especulação ou teoria, embora um vídeo recém-divulgado com algumas delas nos dê um pouquinho de esperança renovada de que algumas delas ainda estejam vivas. A realidade difícil é que o grupo de meninas, a maioria das quais sonhava em cursar a universidade e trabalhar, desapareceu da face da Terra, enquanto o mundo espera, sem nada fazer.

Dois anos já se passaram, e os pais delas ainda acordam todas as manhãs sem saber se suas filhas estão vivas ou mortas, casadas, solteiras ou se estão sendo violentadas como escravas. Eles merecem mais que apenas uma esperança tênue.

O tratamento dado às meninas de Chibok faz parte dos piores horrores impostos diariamente a crianças em zonas de conflito em um número crescente de guerras civis.

Desde a Segunda Guerra Mndial não se viam tantas crianças - cerca de 30 milhões de meninos e meninas--expulsos de suas casas. Nunca antes, fora do contexto das guerras mundiais, tantos menores de idade tornaram-se refugiados. Não houve nenhum período da história em que tantas escolas, em tantos países, foram alvos de tantos ataques bárbaros de terror.

boko haram school

Uma garota em Mbalala, cidade do Estado de Borno, no nordeste da Nigéria, em 25 de março. (STEFAN HEUNIS/AFP/Getty Images)

Mas o Conselho de Segurança das Nações Unidas poderia intervir e incentivar os nigerianos - com o apoio dos americanos, franceses, chineses e britânicos - a empreender mais vigilância aérea e potenciais ações em terra para conseguir a libertação das meninas.

Para mostrar que sequestradores serão punidos, o Conselho de Segurança deveria adotar uma resolução responsabilizando os autores de sequestros futuros de menores de idade, para que seja aplicado todo o peso da pressão internacional.

Todos os governos deveriam defender uma "Declaração sobre Escolas em Segurança", considerando que ataques a escolas e universidades constituem crimes contra a humanidade. E a comunidade internacional deve garantir os recursos para pagar por seguranças, câmeras de vídeo e portões simples para proteger as escolas em zonas de conflito.

Podemos e devemos fazer muito mais para proteger crianças contra ataques e sequestros quando estão na escola.

Isso significa que, na Cúpula Humanitária Mundial, precisamos trabalhar para elevar o financiamento de ajuda emergencial para a educação, que ainda é apenas uma pequena porcentagem do orçamento humanitário.

No início do milênio, o mundo, por meio das Nações Unidas, fez uma promessa às crianças. Prometemos que, não importasse sua origem, todas as crianças teriam acesso à educação e a uma oportunidade na vida. Essa promessa foi destacada nas novas Metas de Desenvolvimento Sustentável.

Não poderemos nem sequer garantir acesso universal ao ensino, se não conseguirmos garantir que milhões de meninos e meninas em zonas de conflito tenham a oportunidade de frequentar a escola.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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