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Como instalar placas solares fotovoltaicas em escolas pode mudar o Brasil?

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Aqui na Escola Municipal Professor Milton Magalhães Porto, em Uberlândia (MG), os nossos 700 alunos estão contando os dias para o fim de setembro, pois nessa data eles visitarão o Parque Municipal Victório Siquieroli para fazer os trabalhos de Ciências e o Museu do Índio para fazer os de Artes. A ansiedade é grande, já que muitas dessas crianças, que tem entre 7 e 11 anos, nunca teve a oportunidade de conhecer esses lugares. E essa é só uma pequena amostra de uma série de benefícios que a instalação de placas solares fotovoltaicas trouxe à escola, aos alunos e à comunidade.

Tudo começou no fim de 2014, quando recebemos a visita da Bárbara Rubim, da campanha de Energias Renováveis do Greenpeace. A ONG queria instalar placas solares no nosso telhado e fazer um acordo com a prefeitura de Uberlândia, assim todo o valor que economizássemos na conta de luz seria revertido em atividades extracurriculares para os alunos. Nunca tínhamos ouvido falar em energia solar fotovoltaica, então, pesquisamos, percebemos que era uma boa oportunidade e aceitamos a proposta.

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O dinheiro para o projeto veio de uma campanha de financiamento coletivo e as 48 placas fotovoltaicas foram instaladas no dia 13 de abril de 2015. Na ocasião, os Multiplicadores Solares - jovens treinados também pelo Greenpeace para espalharem o conhecimento sobre a energia solar por todo o Brasil - ajudaram na instalação e fizeram atividades lúdicas com os alunos, explicando como a tecnologia funciona. Um desses Multiplicadores, inclusive, foi contratado pela Alsol, a empresa que fez a instalação, já mostrando na prática uma das coisas que a Bárbara nos falou no nosso primeiro encontro: que a energia solar pode gerar muitos empregos se tiver incentivos do governo.

O combinado era que a prefeitura nos repassaria o valor da economia duas vezes por ano, e tivemos uma surpresa maravilhosa quando o primeiro repasse chegou. Dos R$ 1,3 mil que costumávamos pagar mensalmente por energia elétrica, hoje pagamos em torno de R$ 300, ou seja, estamos economizando cerca de 75%! No primeiro ano economizamos R$ 15 mil e espera-se que até outubro deste ano a economia some R$ 20 mil.

Até então, as crianças não tinham despertado para o que era energia elétrica, de onde vinha e como funcionava. Agora elas sabem e querem saber ainda mais. Isso nos motivou a pensar em como aproveitar esse interesse da melhor forma possível.

Nas aulas de matemática, a redução da conta de luz é utilizada para ensinar subtração, soma, porcentagem e leitura de gráficos nas aulas. Nossa escola está em uma região de alta incidência de raios solares - e isso foi crucial para sermos escolhidos. Essa informação foi parar nas aulas de Geografia. Também estimulamos as crianças a fazerem cartazes explicando o funcionamento das placas fotovoltaicas, além de maquetes de cidades inteiramente abastecidas pela luz do Sol.

Enquanto essas atividades acontecem na escola, mais perguntas aparecem e nos dão oportunidade de tratar com os alunos outros temas relacionados ao meio ambiente, como a questão da preservação da água.

Além disso, como as crianças passaram a ter uma noção melhor sobre o funcionamento da energia, os estimulamos a economizar o recurso até mesmo em casa. Um dia uma mãe nos contou que estava levando puxão de orelha. "Eu vou sair e ouço do meu menino 'Não vai apagar a luz, não? Não vai desligar o ventilador?`". Isso provocou uma aproximação dos pais com a escola porque eles vem nos contar essas histórias e querem entender como funciona a energia solar de que tanto os filhos falam.

A alegria das crianças com o novo método de ensino é visível. Apesar das atividades extracurriculares serem previstas nas diretrizes de ensino, mesmo visitas a lugares gratuitos requerem dinheiro para o ônibus, para a alimentação dos alunos e para algum material diferenciado que eles precisem para os trabalhos propostos. Por isso, nem sempre essas atividades eram possíveis, mas hoje são e os alunos anseiam por momentos como a visita ao Parque Municipal Victório Siquieroli.

Muitas escolas se interessaram pela nossa história. Diretoras nos ligam e perguntam como conseguimos a instalação das placas. Nós explicamos que não há esse tipo de projeto normalmente, que tivemos a sorte de ser escolhidos por uma ONG devido à nossa localização, ao modelo do prédio e porque nos comprometemos a cooperar. Porém, pode ser que essas escolas tenham a mesma sorte em um futuro próximo.

O Greenpeace está pedindo para que candidatos a prefeito de todo o Brasil se comprometam a instalar placas solares fotovoltaicas nas escolas municipais, caso sejam eleitos. Em São Paulo, por exemplo, a economia para a prefeitura em um ano seria de mais de R$ 8 milhões, enquanto que no Rio de Janeiro seria em torno de R$ 9 milhões. Nós, da Escola Municipal Professor Milton Magalhães Porto, acreditamos nesse progresso. E viemos contar nossa história para estimular esses candidatos a acreditarem também.

*Izabel Carrijo e Iara Moura são respectivamente diretora e vice-diretora da Escola Municipal Professor Milton Magalhães Porto, localizada em Uberlândia (MG)

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