Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Guilherme Bez Marques Headshot

O impacto do 'Plano Temer' para a política internacional

Publicado: Atualizado:
MICHEL TEMER
EVARISTO SA via Getty Images
Imprimir

O afastamento da Presidente Dilma Rousseff é inevitável. De acordo com o rito do processo de impeachment, é necessária maioria simples dos votos do Senado Federal para a admissibilidade e afastamento da Presidente. Segundo todas as análises, já são contabilizados pelo menos 50 votos (9 amais dos necessários 41) para a abertura do processo de impedimento de Rousseff.

Antes mesmo da votação no Senado Federal, Michel Temer já prepara a equipe de seu novo governo e sinaliza claramente o fortalecimento do Itamaraty com duas medidas muito claras.

O Ministério das Relações Exteriores incorporaria o Departamento de comércio Exterior, assumindo parte da Função do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, adquirindo maior poder no processo decisório das medidas econômicas do país. A segunda sinalização de Michel Temer é o convite a José Serra para assumir a pasta, conferindo força política que há muito o Itamaraty não possuía.

2016-05-02-1462213308-4740879-temer.jpg

José Serra no comando do Ministério das Relações Exteriores, integraria o núcleo duro de um eventual governo Temer (composto também por Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda, Romero Jucá no Ministério do Planejamento e Moreira Franco em uma Secretaria de Infraestrutura ligada à Presidência) que terá como maior responsabilidade a recuperação econômica do país, que se encaminha para o segundo ano de retração. Neste esboço institucional, caberá ao Itamaraty fortalecer as exportações do Brasil, por meio de acordos comerciais com os principais mercados do mundo.

As duas sinalizações de Temer ao Itamaraty, sem dúvida, devolveriam ao Ministério o protagonismo de outros tempos. O grave problema orçamentário pelo qual o mesmo passa nos dias atuais seria solucionado e o Ministério exerceria papel central no governo.

Ponto chave da solução de Temer para o Itamaraty é a figura de José Serra. Apesar de o PSDB ainda questionar a participação do partido no governo Temer, o senador tucano prepara-se para ocupar papel chave nesta composição desde o início das discussões do processo de impeachment de Dilma. Serra segue os passos de Fernando Henrique Cardoso, que assumiu o MRE no Governo Itamar Franco (seguindo posteriormente para o Ministério da Fazenda).

Serra representa uma solução externa a um Ministério abandonado pela gestão Rousseff e, aparentemente, carente de lideranças depois da saída de Celso Amorim. Levaria ao Itamaraty sua experiência e sua bagagem política, conferindo à pasta a visibilidade completamente ofuscada nos últimos anos, ocupando protagonismo significativo no Ministério de Michel Temer.

Michel Temer parece claramente discordar da política externa do governo de Dilma Rousseff, pouco efetiva em acordos comerciais com os principais mercados e insistente em aproximação com países bolivarianos e emergentes. A função de Serra seria a de conferir nova cara à diplomacia brasileira, reestruturando a inserção internacional do Brasil nos foros regionais, multilaterais e com as principais potências. Contaria com um dos mais qualificados quadros de funcionários do governo federal e a credibilidade de um ministério que conseguiu se manter alheio a boa parte das crises do governo Rousseff, inclusive quando claramente pressionado à defendê-la internacionalmente no processo de impeachment.

Parecem ser dois os grandes desafios de uma eventual nova política externa de Temer, a serem enfrentados pelo provável Ministro José Serra. O primeiro seria o de recuperação da imagem internacional do Brasil por conta de uma atuação internacional muito fraca de Dilma Rousseff e sobretudo chamuscada pelos gigantescos escândalos de corrupção de seu governo. E o segundo, reencontrar parceiros comerciais prioritários entre as principais potências e mercados do mundo, guinando as prioridades da política externa para acordos comerciais cujo objetivo seria o de auxiliar significativamente na recuperação econômica do país por meio de exportações.

Apesar de ainda estarmos no terreno das especulações, não resta dúvida da profunda necessidade de uma guinada na atual condição do Itamaraty e, sobretudo, da incompetente política externa de Dilma Rousseff.

Se seu afastamento é inevitável, Michel Temer será o responsável por indicar os caminhos externos do país e os novos rumos podem ser o sinal de uma política externa menos ideológica e mais eficiente na promoção do desenvolvimento nacional.

LEIA MAIS:

- Este é, realmente, o fim do BRICS?

- A missão dos senadores na Venezuela cumpriu seu objetivo: expôs que o Brasil apoia governos não democráticos

Também no HuffPost Brasil:

Close
Os ministros de Temer
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual