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A agenda externa de Michel Temer

Publicado: Atualizado:
MICHEL TEMER
ASSOCIATED PRESS
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Quando Dilma Rousseff eventualmente chegar ao fim por meio do impeachment, o governo de Michel Temer dará início em meio a um contexto de especulações em torno das modificações que serão introduzidas na política externa que nada mais são do que expectativas decorrentes dos sinais de esgotamento da estratégia de inserção internacional do País.

Em termos internacionais, prevalece hoje a impressão de que o Brasil está sem direção em um sistema internacional, marcado por uma profunda globalização econômica, pelo declínio relativo dos Estados Unidos e pelo ressurgimento da China.

À luz do atual cenário e com o impeachment em curso, Temer conduzirá a diplomacia nacional. De maneira geral, espera-se que o novo presidente adote uma mudança rápida e substantiva nas agendas externa e doméstica que, somada a urgência por resultados imediatos, irá levá-lo de início a estruturar a política externa brasileira em torno da noção de "inserção competitiva" do Brasil ao núcleo dinâmico da economia mundial.

Esta prioridade concedida à inserção competitiva reflete a convicção de que a retomada do crescimento econômico no plano interno passa pelo abandono do programa neo-desenvolvimentista que pautou os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Nesse contexto, a abertura comercial e a busca de acordos regionais de comércio em todas as áreas econômicas relevantes - Estados Unidos, União Europeia e Ásia - com ou sem a companhia do Mercosul, darão a tônica do novo governo.

O tom predominante da diplomacia brasileira será marcado, em particular nos primeiros meses, pela intenção de afastar a imagem brasileira de posições econômicas "populistas". Dessa maneira, o suposto futuro governo acredita que recuperará a "credibilidade internacional" do País, ou como se diz no jargão diplomático: obterá as "credenciais de boa conduta" da comunidade internacional.

O aproveitamento de diferentes eventos internacionais servirá tanto como catalisador quanto como ponto de fixação do novo discurso diplomático nacional. A sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, e a VIII Cúpula dos Brics, em julho, serão momentos propícios nesse sentido.

Não obstante, alguns constrangimentos de ordem interna e externa se fazem presentes e a capacidade de Temer em neutralizá-los determinará, em grande medida, o sucesso da implementação de sua agenda externa.

No front externo, o principal desafio será desvincular os escândalos de corrupção da Petrobras de seu governo, e para isso deverá se manter imparcial no curso das investigações, em particular da operação Lava Jato. Este será um teste decisivo para Temer, e com impactos diretos para a legitimidade internacional de seu governo.

No front doméstico, o futuro governo enfrentará forte resistência de uma oposição intensa e organizada, liderada pelo Partido dos Trabalhadores. Isso, certamente, dificultará a aprovação das medidas econômicas - reforma fiscal, trabalhista, previdência - essenciais para denotar o comprometido do novo governo com padrões claros de gestão econômica endossados pelo países desenvolvidos. Nesse contexto, o capital político de Temer será colocado a prova.

Outro desafio a ser enfrentado por Temer, será a recuperação da capacidade institucional do Itamaraty. Mergulhados em problemas orçamentários, a instituição tornou-se símbolo do descaso da gestão Dilma Rousseff. Neste sentido, contar com uma rede diplomática extensa e reconhecida internacionalmente por seu profissionalismo, será um ativo imprescindível para projetar a imagem da diplomacia Temer.

Portanto, os alicerces da "agenda" externa de Temer estão dados. Cabe saber, com o correr do tempo, se essa agenda presa a um momento de transição doméstica e internacional, poderá de fato lograr um projeto que guie o comportamento brasileiro nas relações internacionais.

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