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Um diagnóstico da política externa de Michel Temer

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MICHEL TEMER
Adriano Machado / Reuters
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Quando Michel Temer e seu chanceler José Serra elaboraram sua estratégia de política externa, trabalharam para convencer quem mais importava: os investidores internacionais. Esta perspectiva oferecia uma visão de ordem internacional e apontava um direcionamento.

Iniciado o governo definitivo, a estratégia logo se operacionalizou. Seu propósito era claro: restaurar a confiabilidade internacional e obter as "credencias de boa conduta". Afinal, as fragilidades do país e sua disfuncionalidade política reduziram sua capacidade de barganha internacional. Era vital arrumar a casa. Sua estratégia passava pelo aproveitamento de diferentes eventos internacionais para fixar o novo discurso diplomático nacional: o compromisso com a estabilização macroeconômica e a manutenção da governabilidade doméstica. A tática escolhida foi o afastamento da imagem brasileira de posições econômicas "populistas", aproveitando-se do desastroso cenário econômico doméstico como fator de legitimidade.

Tratava-se de uma estratégia que teve ressonância na tradição diplomática nacional. Grande parte do Itamaraty aderiu a ideia, assim como boa parte da opinião pública nacional. Encerrada o primeiro grande ciclo de eventos internacionais - marcado pela Cúpula do G-20 na China e a sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, e a VIII Cúpula dos Brics na Índia, em outubro - se faz necessário conceber breve diagnóstico sobre a implementação desta agenda externa.

Embora o governo tenha inicialmente fraquejado na comunicação oficial de seu programa, o desafio de convencer o mercado internacional tem sido bem-sucedido:

Primeiro, com a aprovação, na Câmara dos Deputados da PEC 451, que estabelece um teto para os gastos públicos, Temer deu sinais concretos de que o discurso de aprovação das reformas estruturais - essenciais para denotar o comprometimento do governo com os padrões de gestão econômica endossados pelos países desenvolvidos - não é mera retórica. A crise política que paralisava a economia nacional dá sinais de enfraquecimento. O capital político de Temer foi colocada à prova e foi bem sucedido em seu primeiro teste.

Em segundo lugar, a participação de Temer no seu primeiro grande ciclo de conferências internacionais foi satisfatória. Adotando o discurso da modernização da economia brasileira, agora pautada pela redução das barreiras comerciais ao mundo e pela tentativa de ajuste nas contas públicas, o argumento era o de que tais adaptações são necessárias para recolocar o "Brasil nos trilhos". A diplomacia presidencial voltou à cena com o novo mandatário.

Em terceiro lugar, as incertezas sobre a economia global estão vindo agora dos países desenvolvidos - vide as incertezas sobre o Brexit e as eleições nos Estados Unidos. Neste contexto, as boas oportunidades de investimento do mercado brasileiro e a perspectiva de um ambiente regulatório com maior previsibilidade e transparência recoloca o país na mira dos investidores internacionais. E eles estão se fartando com o Brasil em liquidação.

Disso tudo, depreende-se, portanto, que Temer não pretende desenvolver novos conceitos operacionais para sua política externa. Sua postura é defensiva, crente da insuficiência de poder do país no cenário internacional. O objetivo é reinserir o país à globalização com vistas a angariar investimentos para retomada do crescimento econômico nacional.

Após os deslizes iniciais de sua estratégia de comunicação a retórica está ajustada. Se esse é o melhor plano de inserção internacional do país, só os resultados dirão, o que é certo é que essas são as bases atuais da inserção internacional brasileira nas relações internacionais.

LEIA MAIS:

- Temer e o retorno do liberalismo condicionado na política externa brasileira

- A agenda externa de Michel Temer

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