Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Guilherme France Headshot

Em debate acirrado, Trump sobrevive e deixa todos os republicanos em perigo

Publicado: Atualizado:
DEBATE HILLARY TRUMP
Lucy Nicholson / Reuters
Imprimir

O debate de domingo começou, na realidade, na sexta-feira, com a divulgação de um vídeo, de 2005, em que Donald Trump, o candidato republicano à Presidência, dizia barbaridades sobre como tratava mulheres. Foi a deixa para dezenas de líderes republicanos abandonarem o barco.

Alguns só repudiaram os comentários, enquanto outros deixaram claro que não votariam em Trump. Houve também quem exigisse que o empresário abandonasse a disputa presidencial e deixasse o candidato a vice-presidente, o governador de Indiana Mike Pence, em seu lugar. A preocupação aqui é que uma péssima performance de Trump nas eleições poderá condenar republicanos concorrendo a outros cargos, pondo em risco as maiorias republicanas tanto na Câmara, quanto no Senado.

O vídeo não foi, no entanto, um incidente isolado. Pelo contrário, é o ápice de uma escalada de comentários inadequados, agressivos e misóginos, feitos ao longo de toda a campanha. E o 'pedido de desculpa', se é que pode ser assim chamado, pouco fez para remediar a situação. Na verdade, a tentativa de explicação - não teria passado de conversa de vestiário masculino - serve apenas para normalizar uma linguagem que tolera e incentiva diferentes formas de assédio e abuso contra mulheres.

Sob pressão, Trump fez a única coisa que sabe: partiu para o ataque. Realizou, horas antes do debate, uma coletiva de imprensa com mulheres que alegam ter sido vítimas de diversas formas de assédio sexual por parte do ex-presidente Bill Clinton. A tentativa de desviar a atenção para o marido de sua adversária fracassou em larga medida: os escândalos sexuais de Bill Clinton já são velhos conhecidos do público norte-americano, que, em sua maioria, não responsabiliza Hillary pelas condutas do marido.

A falta de um aperto de mão entre os candidatos deu o tom do debate. Ataques de ambos os lados. Enquanto Hillary parecia satisfeita em dar corda para Trump se enforcar, o republicano lembrou, com alguma eficácia, as fragilidades que assolam a candidatura da democrata: o uso do servidor privado de e-mails, Benghazi e as palestras para o banco Goldman Sachs. Ameaçou indicar, caso eleito, um promotor especial para investigar e prender Hillary, indicando que está disposto a copiar mais do que o estilo agressivo de Putin.

Interrupções foram menos frequentes do que no primeiro debate, mas ainda sim estiveram presentes. A reação de Hillary, ao ser interrompida frequentemente, - sorrir e aguardar - é melhor que tentar gritar por cima do adversário. Mas ela faria bem em demonstrar como isso é um obstáculo frequentemente encontrado por mulheres. Dessa vez, no entanto, Trump também foi interrompido com frequência - só que pela moderadora, Martha Raddatz, que não deixou o republicano fugir das perguntas.

Política externa foi um dos principais focos do debate. Os candidatos, perguntados sobre como lidariam a continuada crise humanitária na Síria, ofereceram visões bastantes diversas sobre o papel a ser exercido pelos diferentes atores envolvidos no conflito: grupos rebeldes, Assad, Rússia e Irã. Um problema: a visão de Trump sobre a Síria e, especialmente, o papel da Rússia naquela crise é diferente também da de seu candidato a vice, como ele fez questão de deixar constrangedoramente claro.

Com a sua campanha em chamas, Trump fez o suficiente para evitar uma onda ainda maior de deserções por parte de líderes republicanos. Evitou, assim, que aumentassem os chamados para que se retirasse da disputa e deixasse Pence como cabeça da chapa republicana. O que pode, muito bem, ter sido uma benção disfarçada para Hillary Clinton e o último prego no caixão republicano.

LEIA MAIS:

- Trump tentou fugir, mas o assunto da noite foi o vídeo onde ofende mulheres

- Para 57% dos entrevistados pela CNN, Hillary foi melhor do que Trump

Também no HuffPost Brasil:

Close
Caras e Bocas de Donald Trump
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual