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Hillary ou Trump? Um guia prático para acompanhar a apuração das eleições nos EUA

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HILLARY CLINTON
Bloomberg via Getty Images
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Assistir as apurações das eleições nos Estados Unidos é bem diferente do que fazê-los no Brasil. Por isso, seguem 10 dicas para ajudar a entender o que está acontecendo:

1. Além da Presidência, estão em jogo hoje diversos outros cargos. Toda a Câmara dos Deputados está sendo renovada e um terço do Senado também. 12 estados estarão elegendo seus governadores e a maioria deles renovará suas assembleias legislativas. Além disso, plebiscitos sobre questões como legalização da maconha e aumento do salário mínimo também serão votados em alguns estados.

2. A eleição presidencial nos EUA se dá de maneira indireta, pelo Colégio Eleitoral. O que isso significa? Todos os estados têm um número de delegados, igual à soma do número de deputados e senadores que os representam, que poderá distribuir para essa eleição que ocorre no Colégio Eleitoral. Todos os estados, com a exceção de Maine e Nebraska, distribuem esses delegados pelo sistema "ganhador leva todos" - mesmo que o vitorioso tenha apenas uma pequena margem de vantagem, ele receberá todos os delegados daquele estado. O objetivo é acumular a maioria dos 538 delegados disponíveis. Isso significa que um candidato precisa de 270 delegados, no mínimo, para ser eleito Presidente.

3. Ainda sobre a eleição presidencial, a disputa entre Hillary e Trump se focará em alguns poucos estados: New Hampshire, Pensilvânia, Iowa, Virginia, Carolina do Norte, Colorado e Nevada. Florida e Ohio, com muitos votos no Colégio Eleitoral, são os maiores prêmios da noite entre os swing states - aqueles estados que votaram, nas últimas eleições, tanto em candidatos republicanos e quanto em democratas. Hillary tenta converter alguns estados tradicionalmente republicanos, como Arizona e Georgia, enquanto Trump partiu para ofensiva no Michigan e em Minnesota, estados que costumam votar em democratas.

4. Nem tudo será decidido hoje. O processo de apuração dos votos nos Estados Unidos é bem mais lento que no Brasil e muitas disputas mais acirradas só serão resolvidas nos próximos dias, conforme se contarão (e recontarão) os últimos votos. Existe ainda a possibilidade (remota) de que Hillary e Trump empatem no Colégio Eleitoral, cada um com 269 votos - nesse caso, a decisão iria para a Câmara dos Deputados.

5. Quanto ao Senado, a disputa é acirrada pela maioria. Democratas precisam de um ganho de 4 ou 5 cadeiras para recuperar a maioria no Senado - a depender de quem ganhar a eleição presidencial, já que é o Vice-Presidente que decide em casos de empate. Os estados mais disputados são, em larga medida, os mesmos onde a disputa presidencial está mais acirrada: Nevada, New Hampshire, Pensilvânia, Florida e Carolina do Norte. Mas vale prestar atenção também em Wisconsin e Indiana. Nomes importantes como Marco Rubio (Florida) e John McCain (Arizona) estão lutando pela reeleição e correm sérios riscos.

6. Quanto à Câmara dos Deputados, é improvável que republicanos percam sua maioria. Seria necessário um verdadeiro tsunami eleitoral e há poucos indícios disso. Proporcionalmente, poucos são os assentos realmente em disputa. A grande maioria dos 435 deputados se reelegerá sem muita oposição. Em torno de 50 distritos congressionais estão verdadeiramente em disputa e a tendência é que democratas conquistem entre 10 e 20 cadeiras que são, atualmente, de republicanos, apenas enxugando a sua maioria.

7. Os estados é que mandam. Por causa das características do federalismo norte-americano, o processo eleitoral é controlado pelos estados. Não existe Justiça Eleitoral, como no Brasil. Cada estado estabelece suas regras de votação e a rapidez da apuração dos votos varia de acordo com a qualidade dos processos.

8. Hoje, dia 8, é o dia das eleições, mas um enorme número de eleitores já voltou - quase 40% de acordo com algumas estimativas. Diversos estados têm regras que permitem a votação antecipada, ou seja, muitos eleitores têm ido até seus locais de votação para depositar seus votos desde outubro. Além disso, muitos estados permitem a votação à distância - eleitores enviam suas cédulas de votação, preenchidas, pelo correio, podendo participar do processo eleitoral mesmo quando fora do país, por exemplo.

9. Por conta disso, em muitos estados já se sabe quem está levando a vantagem. Analistas afirmam que Hillary praticamente já levou Nevada e lidera na Florida. De forma geral, o que tem se visto é um aumento da participação de latinos, atribuído aos comentários polêmicos do candidato republicano. Ele iniciou sua campanha acusando imigrantes mexicanos de serem estupradores e assassinos, atacou um juiz de origem latina e defende abertamente a construção de um muro na fronteira com o México e a expulsão de milhões de imigrantes. De outro lado, há sinais de que caiu a participação de afrodescendentes, um grupo demográfico tradicionalmente democrata, quando comparado com eleições de 2008 e 2012.

10. As redes de notícia é que decidem. Enquanto no Brasil, apenas consideram um candidato eleito quando ele não tem mais chances matemáticas de ser ultrapassado (quando a quantidade de votos a ser apurada é menor que a vantagem daquele candidato sobre seus adversários), nos Estados Unidos não é bem assim. Lá, as redes de notícia (CNN, ABC, NBC e Fox News, além da própria Associated Press) anunciam o vencedor com base em diversas informações além dos votos contados - pesquisas de boca de urna, comportamento eleitoral passado, composição demográfica, etc. Por isso, não raro essas redes de notícia preveem os vitoriosos assim que se encerra a votação em alguns estados - aliás, o horário de encerramento da votação varia de estado para estado.

Não se surpreenda, portanto, se Nova York for colocada na coluna da Hillary assim que a votação acabar por lá e antes de qualquer voto ser contado. Ocasionalmente, as redes de notícia erram, como fizeram na disputa Bush vs. Gore, na Florida, em 2000, mas isso é raro. Pode-se dizer que elas vivem uma escolha de Sofia: querem ser as primeiras a anunciar a vitória do candidato, mas temem fazê-lo precipitadamente e ter que se reverter. Por outro lado, querem audiência, então não se surpreenda se tentarem convencer o público de que a eleição está mais acirrada do que os resultados mostrarão - quando as pessoas sabem quem vai ganhar, elas desligam a televisão!

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